Uma das experiências mais impulsionadoras é perceber que você está completamente apaixonado por seus estudos. No meu caso, caidinha, os 4 pneus, pelo meu projeto de pesquisa.
Apaixone-se por alguém e/ou qualquer coisa que te leve adiante e logo isso vai causar tanta empolgação, que você esquece até de comer, de beber água e, principalmente, de problemas que não têm tanta importância assim na sua vida.
Tá, é bom lembrar de comer e beber água! ;)
Porque janelas e portas abertas não são suficientes pra ver o mundo e as pessoas lá fora, tive que demolir uma das quatro paredes.
domingo, 29 de setembro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
Eis aqui o tema do meu Projeto de Pesquisa para mestrado
"Porque nós estamos sozinhos. Nós necessitamos de mais amigos ou ouvidos simpáticos, pessoas que possam ouvir nossas histórias e falar-nos as suas próprias, ou nos dizer onde elas foram mudadas.
Nós gostamos de ler as histórias de outras pessoas porque elas nos ajudam a afirmar a nós mesmos. Fora dali nós não estamos sozinhos (...) colocar nossas vidas on-line não significa conduzir nossas vidas on-line, mas utilizar um veículo de partilha sem precedentes. Nós interagimos no mundo real e usamos o ciberespaço para colaborar, dividir e conjurar novas possibilidades. "
Por Justin Allyn Hall*
* Em janeiro de 1994, com apenas 19 anos de idade, Hall inaugurou na rede o diário Justin's Link from de Underground 12, passando a fazer dele um livro aberto sobre a própria vida, publicando tudo em detalhes: bebedeiras, divagações à toa, as doenças sexualmente transmissíveis que contraiu, viagens, amizades, as aulas na faculdade, namoros, o suicídio do pai e até as próprias fotos, algumas delas tiradas nu ou urinando."
Fonte: http://www.bocc.ubi.pt/pag/ oliveira-rosa-meire-De-onda-ond a.html
Nós gostamos de ler as histórias de outras pessoas porque elas nos ajudam a afirmar a nós mesmos. Fora dali nós não estamos sozinhos (...) colocar nossas vidas on-line não significa conduzir nossas vidas on-line, mas utilizar um veículo de partilha sem precedentes. Nós interagimos no mundo real e usamos o ciberespaço para colaborar, dividir e conjurar novas possibilidades. "
Por Justin Allyn Hall*
* Em janeiro de 1994, com apenas 19 anos de idade, Hall inaugurou na rede o diário Justin's Link from de Underground 12, passando a fazer dele um livro aberto sobre a própria vida, publicando tudo em detalhes: bebedeiras, divagações à toa, as doenças sexualmente transmissíveis que contraiu, viagens, amizades, as aulas na faculdade, namoros, o suicídio do pai e até as próprias fotos, algumas delas tiradas nu ou urinando."
Fonte: http://www.bocc.ubi.pt/pag/
Estou tentando ficar ausente aqui no blog, justamente para investigar esses desajuizados que têm coragem de escrever sobre suas vidas pessoais em blogs.
Nossos pais pedem tanto pra gente ter juízo e a gente faz um negócio desses. Sei não. Só sei que o amor pela escrita e a vontade de ser lido é maior do que tudo, pelo menos no meu caso sim.
Eu escrevo em blog, e o tema da minha pesquisa só podia ser esse, claro. Porque eu só penso nisso e porque isso me leva ao sentido mais próximo e realista da Felicidade.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Onde eu meto a colher
- Numerozinhos?
Sou mais letrinhas.
Elas que não são nada exatas.
Elas me matam de curiosidade.
Elas que só revelam segredos para os mais íntimos.
Números não!
Sopa de letrinhas pra mim, por favor!
Não! Melhor:
me vê uma sopa de frases embaralhadas pra eu meter minha colher!
Faço sentido assim, com essa fome de ler e escrever.
Sou mais letrinhas.
Elas que não são nada exatas.
Elas me matam de curiosidade.
Elas que só revelam segredos para os mais íntimos.
Números não!
Sopa de letrinhas pra mim, por favor!
Não! Melhor:
me vê uma sopa de frases embaralhadas pra eu meter minha colher!
Faço sentido assim, com essa fome de ler e escrever.
domingo, 22 de setembro de 2013
Especialização em procrastinação
Eu sei que isso não é da conta de ninguém, que ninguém precisa saber, mas eu tenho um (...)
projeto de pesquisa para entregar na especialização. Tem prazo e tudo mais.
Bem, eu só queria justificar minha ausência aqui por uns meses.
(Nossa! Falando assim, "meses", faz parecer eternidade. Não sei se vou aguentar, afinal, escrever sobre coisas não científicas também é vida)
Estamos quase entrando no mês de outubro e eu tenho até 22 de dezembro para entregar o que ainda não comecei. Até agora, jaz aqui uma tímida estudante lendo trabalhos alheios, apenas se contentando com um bilhão de indecisões sobre o tema fervilhando na cabeça .
Tenho até 22 de dezembro e até agora tudo tem me distraído. Tudo tem me levado a um caminho quase sem volta: ao da procrastinação.
Quando trabalhar e estudar ao mesmo tempo é sua sina, você começa a pensar no que deve abdicar para concluir seus estudos e, enfim, ser gente, ou não. São tempos difíceis pra todo mundo, ou nós que somos complicados e complicamos tudo.
Eu tenho até dezembro pra entregar um projeto de pesquisa.
Eu tenho que ficar lembrando disso a toda hora.
Eu tenho que cutucar a procrastinação e pedir pra ela desapegar de mim, mas ela tem pacto com meu sono e cansaço diário.
Vou deixar uma lista aqui.
(Talvez alguém me ajude a escolher algo pra riscar do meu caderninho de vida por uns meses)
Opções
1) namoro
2) amigos e saidinhas
3) Leitura dos Clássicos da ed. Abril
4) Trabalho de 8h por dia de segunda a sexta
5) Aulas de dança 3x por semana
6) Escrever entre Três Paredes
7) Papear depois do jantar com meus pais e meu irmão
8) Conhecer o trabalho de novos artistas do cenário musical brasileiro
9) Preparar comidinhas vegetarianas para mim mesma
10) Curtir minha t.p.t (tensão pré-tristeza) sem medo de ser triste na TPM
11) Ouvir música fofinha e dedicá-la para os amigos, por inbox no Facebook
12) Bailes de dança 1x/2x por mês
13) Compartilhar trechos de músicas ou de textos, meus ou alheios, na fan page do blog Três Paredes (sim, agora tem fan page com 133 curtindo isso)
Tá, eu sei que muita gente vai me aconselhar a dar um tempo com a dança, mas é que esse "deixar a dança por uns meses" dói lá no fundo da alma. Prefiro tentar realizar o sonho de administrar bem o tempo.
Só não garanto escrever aqui com frequência. No máximo para desabafar sobre as desavenças com meu projeto de pesquisa.
projeto de pesquisa para entregar na especialização. Tem prazo e tudo mais.
Bem, eu só queria justificar minha ausência aqui por uns meses.
(Nossa! Falando assim, "meses", faz parecer eternidade. Não sei se vou aguentar, afinal, escrever sobre coisas não científicas também é vida)
Estamos quase entrando no mês de outubro e eu tenho até 22 de dezembro para entregar o que ainda não comecei. Até agora, jaz aqui uma tímida estudante lendo trabalhos alheios, apenas se contentando com um bilhão de indecisões sobre o tema fervilhando na cabeça .
Tenho até 22 de dezembro e até agora tudo tem me distraído. Tudo tem me levado a um caminho quase sem volta: ao da procrastinação.
Quando trabalhar e estudar ao mesmo tempo é sua sina, você começa a pensar no que deve abdicar para concluir seus estudos e, enfim, ser gente, ou não. São tempos difíceis pra todo mundo, ou nós que somos complicados e complicamos tudo.
Eu tenho até dezembro pra entregar um projeto de pesquisa.
Eu tenho que ficar lembrando disso a toda hora.
Eu tenho que cutucar a procrastinação e pedir pra ela desapegar de mim, mas ela tem pacto com meu sono e cansaço diário.
Vou deixar uma lista aqui.
(Talvez alguém me ajude a escolher algo pra riscar do meu caderninho de vida por uns meses)
Opções
1) namoro
2) amigos e saidinhas
3) Leitura dos Clássicos da ed. Abril
4) Trabalho de 8h por dia de segunda a sexta
5) Aulas de dança 3x por semana
6) Escrever entre Três Paredes
7) Papear depois do jantar com meus pais e meu irmão
8) Conhecer o trabalho de novos artistas do cenário musical brasileiro
9) Preparar comidinhas vegetarianas para mim mesma
10) Curtir minha t.p.t (tensão pré-tristeza) sem medo de ser triste na TPM
11) Ouvir música fofinha e dedicá-la para os amigos, por inbox no Facebook
12) Bailes de dança 1x/2x por mês
13) Compartilhar trechos de músicas ou de textos, meus ou alheios, na fan page do blog Três Paredes (sim, agora tem fan page com 133 curtindo isso)
Tá, eu sei que muita gente vai me aconselhar a dar um tempo com a dança, mas é que esse "deixar a dança por uns meses" dói lá no fundo da alma. Prefiro tentar realizar o sonho de administrar bem o tempo.
Só não garanto escrever aqui com frequência. No máximo para desabafar sobre as desavenças com meu projeto de pesquisa.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Na carona do Pai que me quer bem
Eu pego carona com meu pai de manhã bem cedinho. Ele me deixa no trabalho e depois vai pro dele.
É muito provável que a gente não se veja por vários dias. Mas quando a gente raramente se encontra, durante a semana, é na mesa do café da manhã, às 05h45, e depois no carro, às 06h10 no máximo. Mais do que isso, ele grita um "Bora, filha" apreensivo.
Na carona, ou estou lendo algo, ou cochilando, ou tagarelando (sim, tem dias que estou até inspirada pra jogar conversa fora tão cedo da manhã). Muda, sonolenta ou tagarela, ele gosta de me ver bem de qualquer jeito. Estou lá de copilota, toda zen, quando, do nada, ele implora:
- Ô, Filha, sobe seu vidro aí!
E para completar, resmunga:
- Tá toda assanhada. Nossa!
Eu acho graça e imediatamente cumpro ordens. Subo o vidro, mas nem tanto, e dou uma ajeitada no meu cabelo curto e bagunçado pelo vento.
Faço isso, não porque me importo com minha imagem no espelho àquela hora da manhã. O importante é ver meu pai bem ao me ver menos mal.
É muito provável que a gente não se veja por vários dias. Mas quando a gente raramente se encontra, durante a semana, é na mesa do café da manhã, às 05h45, e depois no carro, às 06h10 no máximo. Mais do que isso, ele grita um "Bora, filha" apreensivo.
Na carona, ou estou lendo algo, ou cochilando, ou tagarelando (sim, tem dias que estou até inspirada pra jogar conversa fora tão cedo da manhã). Muda, sonolenta ou tagarela, ele gosta de me ver bem de qualquer jeito. Estou lá de copilota, toda zen, quando, do nada, ele implora:
- Ô, Filha, sobe seu vidro aí!
E para completar, resmunga:
- Tá toda assanhada. Nossa!
Eu acho graça e imediatamente cumpro ordens. Subo o vidro, mas nem tanto, e dou uma ajeitada no meu cabelo curto e bagunçado pelo vento.
Faço isso, não porque me importo com minha imagem no espelho àquela hora da manhã. O importante é ver meu pai bem ao me ver menos mal.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Deixe a Lua te levar
Ontem à noite, voltando pra casa, desci do ônibus e, antes de atravessar a rua, dediquei um tempo pra olhar a Lua. Fiquei constrangida. Ela estava tão linda e, eu não consegui lembrar qual foi a última vez que a contemplei. Forcei a mente e nada. Culpei os compromissos da semana. Então me perguntei sobre o que estou fazendo com meus fins de semana: em nenhum momento eu consigo olhar pro céu, é isso? Como cheguei a esse ponto eu não sei, só sinto que não posso continuar assim. Se não, nem assunto para postar aqui eu terei mais.
Ontem, depois de sei lá quanto tempo sem olhar, olhei pra Lua. Nem identificar a fase que ela estava eu sabia mais. Frustrante foi ter que recorrer ao google :
O fato é que olhei pra Lua e percebi que estava com saudade de caminhar até minha casa, dividindo minha atenção entre as árvores e Ela. Senti saudade também daquela elaine criança, que deitava no chão do jardim à noite com a única ocupação de observar as estrelas não apenas como brilhos distantes, mas como partes integrantes do que sou. Eu em comunhão com o que está ao meu redor.
Falando nisso, super recomendo a leitura da Revista "Vida Simples" deste mês. A matéria de capa chamou minha atenção com este título: "Deixe a vida te levar" Eu que sempre contestei a teoria do Zeca Pagodinho, acabei concordando com várias partes da matéria.
Ontem, depois de sei lá quanto tempo sem olhar, olhei pra Lua. Nem identificar a fase que ela estava eu sabia mais. Frustrante foi ter que recorrer ao google :
( a fase da minha Lua de ontem era bem similar a esta quarto minguante - minguante côncavo)
O fato é que olhei pra Lua e percebi que estava com saudade de caminhar até minha casa, dividindo minha atenção entre as árvores e Ela. Senti saudade também daquela elaine criança, que deitava no chão do jardim à noite com a única ocupação de observar as estrelas não apenas como brilhos distantes, mas como partes integrantes do que sou. Eu em comunhão com o que está ao meu redor.
Falando nisso, super recomendo a leitura da Revista "Vida Simples" deste mês. A matéria de capa chamou minha atenção com este título: "Deixe a vida te levar" Eu que sempre contestei a teoria do Zeca Pagodinho, acabei concordando com várias partes da matéria.
domingo, 1 de setembro de 2013
Meu pai e meu pãozinho de coco
Minha alegria hoje seria um (...)
Pão de coco! Só porque lembro do meu pai.
Ele saia cedinho pra comprar carioquinha e me surpreendia ao dispor na mesa os meus prediletos pães docinhos.
Tristeza I: cheguei tarde na padaria e não tinha mais. Também, né, 11 da manhã.
Tristeza II: acabo de pesquisar no google a receita e diz na lista de ingredientes da massa "ovos" e "leite".
Consolo I: vou pra casa hoje ver meu pai. Afinal, não é um pão de coco que matará a saudade que tenho dele.
Consolo II: posso descobrir receita de pão de coco "vegano", ou seja, que não leve leite de vaca nem ovos de galinha. (:
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Generosos pedaços de você
E quando o vazio te preenche com nada mais do que nada,
você finge que está aguentando firme e só confia que vai passar.
Isso vem, passa e volta. Certeza! Só não sabemos a hora exata.
O jeito é procurar um canto seguro pra chorar à vontade, - sem ninguém por perto lançando olhares de curiosidade ou de piedade - Já basta a dó que está tendo de si mesmo.
A melancolia vem toda marota para nos surpreender com um: - Sur-presa!
Como ela é sem graça.
E parece que nada consegue distraí-la.
Neste caso,
ler um livro não vai tirar você da sua momentânea triste realidade
Um filme, uma novela, um show não vão te entreter
Dar uma olhadinha no facebook também não.
Músicas vão entrar por um ouvido e sair pelo outro, conselhos também.
Escrever num blog pessoal só vai fazer você achar que está escrevendo mal
Ir às compras, então, não vai fazer o menor sentido.
Objetos, coisas materiais, jamais vão te preencher de verdade.
A cratera que se abriu no seu peito só vai sarar,
quando você voltar a reservar tempo de sobra, dentre esses intervalos de tempos tão corridos,
só para aquelas pessoas que te compõem, que são generosos pedaços de você.
Sem elas, nos resta apenas o vazio.
você finge que está aguentando firme e só confia que vai passar.
Isso vem, passa e volta. Certeza! Só não sabemos a hora exata.
O jeito é procurar um canto seguro pra chorar à vontade, - sem ninguém por perto lançando olhares de curiosidade ou de piedade - Já basta a dó que está tendo de si mesmo.
A melancolia vem toda marota para nos surpreender com um: - Sur-presa!
Como ela é sem graça.
E parece que nada consegue distraí-la.
Neste caso,
ler um livro não vai tirar você da sua momentânea triste realidade
Um filme, uma novela, um show não vão te entreter
Dar uma olhadinha no facebook também não.
Músicas vão entrar por um ouvido e sair pelo outro, conselhos também.
Escrever num blog pessoal só vai fazer você achar que está escrevendo mal
Ir às compras, então, não vai fazer o menor sentido.
Objetos, coisas materiais, jamais vão te preencher de verdade.
A cratera que se abriu no seu peito só vai sarar,
quando você voltar a reservar tempo de sobra, dentre esses intervalos de tempos tão corridos,
só para aquelas pessoas que te compõem, que são generosos pedaços de você.
Sem elas, nos resta apenas o vazio.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Tá na validade?
Tava voltando pra casa hoje, quando reparei na placa de uma humilde lojinha de roupas:
"BELEZA ATUAL
Atualizando sua beleza!"
E eu fiquei me perguntando se existe beleza velha, ultrapassada.
Céus, onde diz a data de validade?
Tô vencida?
Estamos vencidos?
"BELEZA ATUAL
Atualizando sua beleza!"
E eu fiquei me perguntando se existe beleza velha, ultrapassada.
Céus, onde diz a data de validade?
Tô vencida?
Estamos vencidos?
domingo, 25 de agosto de 2013
Vegetariana sim, vegana não. Vegetariana presenteada, pra que mais?
Em junho deste ano eu completei 1 ano de alimentação vegana*
*( queijo, não pode!
leite, não pode!
iogurte, não pode!
Ovos, não pode!
A clara do ovo? Não, também não!
Mel, pode? Não!
Nem peixe? Também nem pode!)
Quem optou por uma alimentação assim, seja por n motivos, vive ouvindo essas duas palavrinhas "não pode!", geralmente de forma interrogativa ou como quem recupera a memória: "Ah, é. Isso tu não pode!" Mas o ideal seria ouvir "Ah, sim. Você não quer!" Já que não é porque você não pode, é porque você escolheu, decidiu não querer.
Você não tem intolerância à lactose nem à carne nem a onívoros ou "carnívoros" (como os onívoros costumam dizer). Pelo contrário, você passa a treinar bastante sua tolerância**.
**2. Boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas.
Tá certo que existem aquelas pessoas que não praticam essa tolerância. Não toleram onívoros/carnívoros afirmando ou perguntando bobagens ou não bobagens a respeito do tema. Certo é que não se deve viver num clima de guerra de onívoros/carnívoros versus vegetarianos/veganos***. Não há critério para definir que um ser é melhor do que o outro. São apenas escolhas diferentes.
***Mas o que é afinal ser vegano? Copio e colo abaixo algumas informações básicas:
A Ideologia Vegana:
Veganismo é uma ideologia baseada nos direitos animais que obviamente pressupõe uma alimentação estritamente vegetariana. A ideologia vegana boicota qualquer produto de origem animal (alimentar ou não), além de produtos que tenhamsido testados em animais ou que incluam qualquer forma possível de exploração animal nos seus ingredientes ou processos de manufatura.
Para o vegano cada animal é um ser senciente dono de sua própria vida, tendo assim o direito de não ser tratado como propriedade (enfeite, entretenimento, comida, cobaia, mercadoria, etc).
No vestuário, os materiais de origem animal como pele,couro, lã, seda, camurça ou adornos de pérolas, plumas, penas, ossos, pêlos, marfim, etc) são preteridos, pois implicam a morte e/ou exploração dos animais que lhes deram origem. Veganos se vestem de tecidos de origem vegetal (algodão, linho, etc) ou sintéticos (poliéster, etc).
Na alimentação são vegetarianos estritos, ou seja, excluem da sua dieta carnes, gelatina, laticínios, ovos, mel e demais alimentos de origem animal. Consomem basicamente cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e qualquer produto, industrializado ou não, desde que não contenha nenhum ingrediente de origem animal.
Evitam o uso de medicamentos, cosméticos e produtos de higiene e limpeza que tenham sido testados em animais. Alguns optam pela fitoterapia, homeopatia ou qualquer tratamento alternativo.
Veganos defendem o surgimento de alternativas para experiências laboratoriais, como testes in vitro, cultura de tecidos e modelos computacionais.
São divulgadas entre a comunidade vegana listas de marcas e empresas de cosméticos e produtos de limpeza e higiene pessoal não testados em animais.
Circos com animais, rodeios, vaquejadas, touradas e jardins zoológicos, também são boicotados pois implicam escravidão, posse, deslocamento do animal de seu habitat natural, privação de seus costumes e comunidades, adestramento forçoso e sofrimento. Não caçam, não promovem nenhum tipo de pesca, e boicotam qualquer “esporte” que envolva animais não-humanos. Muitos seguem o princípio político da não-violência.
Veganismo na Prática
Citando o filósofo Carlos Naconecy “Vegetarianismo/veganismo é menos uma questão de pureza pessoal do que uma atitude que tenta minimizar a exploração de animais – minimizar porque a eliminação dessa exploração é impossível: a vida no mundo urbano de hoje, tal como a conhecemos, depende do uso de animais. Em outras palavras, nenhum de nós pode se dizer vegano – todos nós apenas tentamos ser veganos.”
O exemplo mais claro disso é o do uso de pneus por parte de veganos/abolicionistas. “Consta que o ácido esteárico, oriundo principalmente da gordura animal, é usado, entre outras coisas, na vulcanização da borracha dos pneus. Ao ser informado sobre isso, o militante ver-se-ia obrigado moralmente a se mudar para um local onde o uso de pneus não fosse necessário – por exemplo, uma ecovila autossustentável.”
Veganismo, segundo seu criador Donald Watson, é uma filosofia e um modo de vida que busca excluir as formas de exploração e crueldade aos animais… É uma atitude de respeito pelos animais. Os ativistas devem fazer tudo o que puderem para viver o mais eticamente possível conscientizando as pessoas para a importância da vida de qualquer animal, humano ou não. A idéia é mostrar que todos animais sofrem tanto quanto os homens e que se nenhum homem gosta de sofrer os animais também não.
De onde tirei isso tudo:
Quem leu o item acima "Veganismo na Prática", vai entender que sou apenas uma vegetariana que tenta ser vegana, já que até no pneu tem algo de origem animal. Enfim, a gente faz o que está ao nosso alcance para respeitar o próximo e as outras espécies.
Mas o que eu ia relatar mesmo nesse post era outra coisa. Isso sempre acontece comigo. A princípio, penso em escrever determinada coisa e de repente já me vejo direcionando o texto pra outro lado. Mas o que vou relatar tem tudo a ver com o que escrevi aqui até agora.
Por coincidência ou não, ganhei meio que um presente nesse aniversário de 1 ano de vegetarianismo. Eu estava na fila de espera do caixa do supermercado e havia uma senhora sendo atendida na minha frente. Ela foi com o dinheiro contado, certinho para uma compra supostamente planejada. Ela tirava a mercadoria da esteira e entregava pra moça do caixa, sempre checando o preço que dizia na tela do computador. Ela parecia estar apreensiva - se imaginando presa ali sem poder pagar a conta-. Muito prudente, ela pensava bem e recontava o dinheiro que tinha na sua bolsinha. Permaneceu assim até que só restaram duas coisas na esteira do caixa:
- 1 (uma) margarina
- 1(uma) bandejinha de isopor com linguiças Sadia.
Sem aquela senhora notar, fazia tempo que eu também verificava a tela do computador um tanto receosa por ela. Acho esse gesto de ir às compras com dinheiro contado tão louvável que fiquei ali torcendo por uma consumidora consciente. Sabia que haveria um jeito daquela comprinha dá certo.
Pela indecisão da senhora do dinheiro contado, percebi que ela teria de escolher entre a margarina e as linguiças Sadia. As linguiças estavam custando R$ 2,75. A margarina, não lembro. Eis então o meu presente: ela abandonou a bandeja de linguiças no final da esteira e entregou a margarina pra moça do caixa.
Coisa linda de se vê: linguiças SADIA rejeitadas pela senhora do dinheiro contado. Considerei um presente e comemorei assim meu aniversário de 1 ano.
sábado, 17 de agosto de 2013
Você tossiu em mim?
Perguntei pro namorado, com digna ênfase no modo de me expressar. (Ele diz que transformo tudo em novela).
Perguntei, depois de ele tentar ser discreto em respeito ao amigo solteiro ao seu lado. Enquanto caminhávamos no shopping, ele tentou a discrição sussurrando em segredo pro meu cabelo:
(- te amo.)
Sim, pro meu cabelo, pois ele é bem alto e precisa se curvar para alcançar meu ouvido. Não se curvou o suficiente.
O sussurro foi rouco. Foi estranho. Parecia uma tosse seca. Jamais entenderia "te amo" se ele não tivesse esclarecido. Repetiu de forma entendível, lógico que morrendo de rir da tradução equivocada que fiz do "eu te amo" dele.
- Você tossiu em mim? (cara de pasma)
Na verdade, eu queria dizer:
- Você tossiu no meu cabelo? (cara de quem pergunta: o que ele fez de mau pra você?)
Tenho essa e uma porção de outras "pérolas". Quem sabe eu conte mais dessas por aqui.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Sua vida na mão de um bandido.
Todo mundo fala que tem coisas que a gente nunca esquece. Concordo.
Hoje eu estava assistindo ao clipe da banda Eddie (colo o link abaixo porque ainda não descobri o segredo de colocar o próprio vídeo aqui na página - sou lenta demais para a tecnologia-) e acabei lembrando de algo que vai me acompanhar pro resto da vida.
Assistam! Vale a pena:
Pois bem, o que eu lembrei.
Uma noite, resolvi sair mais cedo da minha pós. Sabe como é, o perigo nas ruas e eu moro longe de tudo e tal.
Eu estava na topic, na avenida principal, quando ouvimos um, dois, três, quatro "estouros" que a princípio eu não soube identificar que eram tiros. Afinal, eu nunca tinha ouvido barulho de tiro.
Pois é, em que mundo, em que bolha eu vivo, né?! Mas sempre tem uma primeira vez. A vez que alguém estoura a bolha de sabão dentro da qual você vive e aí toma-se um choque de realidade crua, ainda sangrando.
Os boatos e burburinhos entre os passageiros, motorista e trocador confirmaram que aqueles quatro estouros eram balas que nada tinham de doces.
"- Foi tiro, foi tiro! Olha ali!"
Eu olhei. Olhei pela janela certa. A janela à minha direita me mostrou o que a sequência de estouros havia causado. Pressenti que minha curiosidade me levaria a um caminho sem volta.
Mesmo assim, mesmo de costas para a janela, tive o ímpeto de virar o máximo que dava o pescoço e depois o corpo para ver também o que estava conquistando a audiência dos passageiros. Todos, ali, vivendo a profissão de repórter por uma noite e atônitos ao vislumbrarem um furo de reportagem.
O que vimos foram clientes de uma lanchonete correndo desesperados, procurando abrigo na cozinha e um garçom estendido no chão entre as mesas. O sangue escorria de sua boca. Ele estava deitado com o volume exagerado da barriga virado pra cima. Exagero mesmo foi a quantidade de sangue. O motorista da topic quase estacionou ali pra gente investigar melhor o furo de reportagem, o furo da vida.
Depois de vermos também dois caras encapuzados fugindo numa moto, ficamos analisando o corpo pela janela da topic. Na verdade, não estávamos analisando o corpo não. Estávamos nos colocando no lugar do garçom.
Nossos olhares, impenetráveis. Estávamos hipnotizados vendo de perto a horrível verdade, o fato de que nossa vida vive por um triz, e nas mãos de qualquer um. Podemos imaginar os bandidos apontando o indicador no centro da palma da mão e dizendo pra gente: "Você, sua vida, tão aqui ó, na minha mão!"
Como alguém pode anunciar dessa forma o fim da vida de uma pessoa?
Não sei. Já entendi que não é possível encontrar resposta para toda pergunta.
Só sei que naquela noite, em segredo, chorei durante todo o resto do percurso que a topic fazia até minha casa. Por quê?
Porque assistir ao fim trágico da vida de alguém marca mais do que tatuagem.
Porque você se sente vulnerável.
Porque você percebe que não tem controle nenhum sobre sua própria existência.
domingo, 11 de agosto de 2013
A noiva vai de rasteirinha ou descalça?
Aí eu tô dormindo na casa dele. Sou a primeira a desmaiar.
Ele fica sem sono. Resolve ver uma série nova que eu não tô acompanhando.
Aí ele assiste a uma cena que mostra a personagem se preparando para casar. Esta é obrigada a usar um salto bem alto para se tornar uma noiva à altura.
Aí ele lembra de mim.
Eu dormindo ao lado dele, sonhando agarrada aos carneirinhos que eu nem precisei contar, porque era sono demais.
Reforço: eu ao lado dele, bem do lado mesmo.
Aí ele resolve enviar um SMS (um não, dois) para a parceira desmaiada, inconsciente do que se passa ao redor.
SMS 1:
10/08/2013
02:37:09 da manhã
"Oi, amor, pensei uma coisa agora: você vai casar com rasteirinha ou descalça?
Sabe por quê?"
SMS 2:
10/08/2013
02:37:57 da manhã
" Porque você não seria uma mentira justo no dia que afirmaremos a maior verdade das nossas vidas"
Detalhe importante:
* Ele me perguntou se vou de rasteirinha ou descalça, porque sabe que fujo do salto alto - mesmo sendo baixinha -. E que quando passa uma mulher com um salto maior do que as pernas, eu o cutuco e falo abismada "Nossa, por que fazer isso com ela mesma?"
E ele responde meio que concordando com meu espanto "Valha, ela nem consegue se equilibrar direito"
(Tá, eu e ele somos terríveis)
Aí eu acordo 11 da manhã no sábado, ligo meu celular e me deparo com os dois SMS. Melhor, me deparo com o amor.
E novamente digo pra ele não fazer essas coisas, porque eu acabo não resistindo e expondo no blog.
Ele, se achando, diz que meu blog tem audiência por causa dele!
Você aí, me diz se eu mereço isso?!
Ele fica sem sono. Resolve ver uma série nova que eu não tô acompanhando.
Aí ele assiste a uma cena que mostra a personagem se preparando para casar. Esta é obrigada a usar um salto bem alto para se tornar uma noiva à altura.
Aí ele lembra de mim.
Eu dormindo ao lado dele, sonhando agarrada aos carneirinhos que eu nem precisei contar, porque era sono demais.
Reforço: eu ao lado dele, bem do lado mesmo.
Aí ele resolve enviar um SMS (um não, dois) para a parceira desmaiada, inconsciente do que se passa ao redor.
SMS 1:
10/08/2013
02:37:09 da manhã
"Oi, amor, pensei uma coisa agora: você vai casar com rasteirinha ou descalça?
Sabe por quê?"
SMS 2:
10/08/2013
02:37:57 da manhã
" Porque você não seria uma mentira justo no dia que afirmaremos a maior verdade das nossas vidas"
Detalhe importante:
* Ele me perguntou se vou de rasteirinha ou descalça, porque sabe que fujo do salto alto - mesmo sendo baixinha -. E que quando passa uma mulher com um salto maior do que as pernas, eu o cutuco e falo abismada "Nossa, por que fazer isso com ela mesma?"
E ele responde meio que concordando com meu espanto "Valha, ela nem consegue se equilibrar direito"
(Tá, eu e ele somos terríveis)
Aí eu acordo 11 da manhã no sábado, ligo meu celular e me deparo com os dois SMS. Melhor, me deparo com o amor.
E novamente digo pra ele não fazer essas coisas, porque eu acabo não resistindo e expondo no blog.
Ele, se achando, diz que meu blog tem audiência por causa dele!
Você aí, me diz se eu mereço isso?!
sábado, 10 de agosto de 2013
Auto-diagnóstico feito por criança
Eu estava no restaurante esperando umas amigas, essa sexta à noite depois do trabalho.
Eu sabia que elas iriam demorar.
Muito exausta depois de mais uma semana que se foi (sim, eu estou ficando velha), não encontrei energia nem para ler o livro que sempre levo comigo para servir de remédio anti-impaciência de espera. Anti-depressivo também. Anti-solidão também. Tá, acho que já deu pra você entender.
Mas encontrei uma ocupação compatível com este meu momento. Fiquei observando a clientela do local. Eu estava distraída pensando sobre como era a vida do garçom fora dali. Será que ele teria tempo de viver depois do expediente? Não quis dar palpite sobre isso.
Foi quando a pequena cliente sentada numa cadeira para clientes adultos chamou minha atenção. Ela estava numa mesa cheia de família e ao lado de uma senhora. De repente, ela vira pra essa e, em tom de dengo, fala com a voz e com os braços:
- Vó, o abraço que a senhora me deu foi tão forte,
que eu fiquei com dor de barriga!
Achei curioso e me perguntei se eu tinha ouvido certo a parte final da fala dela. Mas foi isso mesmo.
A menininha fez um auto-diagnóstico, identificando com absoluta certeza a causa da dor na sua barriguinha.
Agora tô imaginando a vó levando-a para o médico, e a menina explicando de quem foi a culpa.
Talvez por isso que dizem que os avós "estragam" os netos. Por excesso de afeto.
Mas acho que não existe excesso de afeto, existe excesso de zelo. Afeto nunca é demais. Faz bem de qualquer jeito.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Infiel, é isso que sou!
Meu Ivan (Ivan Martins, colunista da Época) que me perdoe, mas, por falta de tempo. Não, por falta de tempo não, que isso se administra. Por falta de tesão, não quis mais saber dele.
Agora só quero saber, só quero pensar, só quero ler:
Fabrício Carpinejar: http://carpinejar.blogspot.com.br/
Quem o conhece, sabe. Principalmente quem o tem no Facebook, no botão dos Favoritos, nas leituras diárias sabe que ele está passando por um momento doloroso que destroça o coração: a separação da pessoa amada.
A Juliana, agora "ex", não voltou pra ele. Embora ele tenha escrito suas cartinhas públicas de amor mais inspiradas, sempre iniciadas com "Amada Sacerdotisa".
A Juliana não se atirou nos braços dele. Embora ele tenha mandado colocar este outdoor na avenida no dia do aniversário dela.
Talvez a tal Juliana não mereça ele. Ela merecendo ou não, ele está vivendo uma tristeza de dar dó.
Se eu faço o tipo dele ou não, não importa. Estou com ele na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que outro escritor nos separe.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Tudo de novo
Ouvi um moço hoje de manhã cedinho exclamar com pesar:
- Vai começar tuuuuudo de novo!
Escutar ou falar isso não deveria nos fazer tão mal.
domingo, 4 de agosto de 2013
Susto adorável
Eu lendo no meu quarto, apoiada na pilha de livros e com o abajur feito um Sol na cara.
Aí ouço um assobio vindo da porta.
E dou de cara com meu pai usando óculos feitos de biscoito pêta.
Ele todo brincalhão, rindo pra mim. (:
Aí ouço um assobio vindo da porta.
E dou de cara com meu pai usando óculos feitos de biscoito pêta.
Ele todo brincalhão, rindo pra mim. (:
Disputa amiga de sms de autoajuda
Aquele momento que eu tiro do ruim de mim um ensinamento para mim mesma e para quem eu decido compartilhar em forma de sms:
sms 1:
Reconhecer nossos piores defeitos e buscar amenizá-los de alguma forma
é uma das atitudes mais dignas que podemos vivenciar.
(Sim, virei um livro barato de autoajuda)
Remetente:
Elaine
Enviada a:
Nati.
Às vezes, metida a escritora de autoajuda (sei que sou um horror nisso), saio encaminhando a mesma mensagem para aqueles queridos que estão na agenda do meu celular; aqueles que provavelmente vão me (nos) ajudar nisso.
Quando recebo estas respostas abaixo, quase bato palmas sozinha dentro do ônibus. Sim, é no ônibus onde eu geralmente encontro tempo para fazer essa coisa de pensar na vida com ajuda amiga.
sms 2:
"reconhecer os erros, - ainda mais os piores -, ao invés de ser fraqueza e submissão,
é força e humildade.
só pessoas de bom coração sabem o q significa ter consciência tranquila
depois de assumir um erro."
sms 3:
" ( tb sou boa nas
frases de
autoajuda!) ;D "
Remetente:
Nati
Enviada a:
Elaine.
sms 4:
Arrasou! haha
sms 5:
Ô, deixa eu transformar sms em post no blog?
Já sei até o título "disputa amiga de sms de autoajuda".
Remetente:
Elaine
Enviada a:
Nati
E, me conhecendo como ela me conhece, a resposta chega assim:
sms 6:
"eu tava msm com a sensação de essa historia de msgs bonitas
e com frases de efeito iam te inspirar! ;)"
Mal sabe a Nati, ou sabe sim, que não são as mensagens e frases de efeito que me inspiram, e sim amigas e amigos como ela. Apenas seis mensagens trocadas foram suficientes para demonstrar isso.
sms 1:
Reconhecer nossos piores defeitos e buscar amenizá-los de alguma forma
é uma das atitudes mais dignas que podemos vivenciar.
(Sim, virei um livro barato de autoajuda)
Remetente:
Elaine
Enviada a:
Nati.
Às vezes, metida a escritora de autoajuda (sei que sou um horror nisso), saio encaminhando a mesma mensagem para aqueles queridos que estão na agenda do meu celular; aqueles que provavelmente vão me (nos) ajudar nisso.
Quando recebo estas respostas abaixo, quase bato palmas sozinha dentro do ônibus. Sim, é no ônibus onde eu geralmente encontro tempo para fazer essa coisa de pensar na vida com ajuda amiga.
sms 2:
"reconhecer os erros, - ainda mais os piores -, ao invés de ser fraqueza e submissão,
é força e humildade.
só pessoas de bom coração sabem o q significa ter consciência tranquila
depois de assumir um erro."
sms 3:
" ( tb sou boa nas
frases de
autoajuda!) ;D "
Remetente:
Nati
Enviada a:
Elaine.
sms 4:
Arrasou! haha
sms 5:
Ô, deixa eu transformar sms em post no blog?
Já sei até o título "disputa amiga de sms de autoajuda".
Remetente:
Elaine
Enviada a:
Nati
E, me conhecendo como ela me conhece, a resposta chega assim:
sms 6:
"eu tava msm com a sensação de essa historia de msgs bonitas
e com frases de efeito iam te inspirar! ;)"
Mal sabe a Nati, ou sabe sim, que não são as mensagens e frases de efeito que me inspiram, e sim amigas e amigos como ela. Apenas seis mensagens trocadas foram suficientes para demonstrar isso.
sábado, 3 de agosto de 2013
presentinhos simbólicos.
Dia 1º de agosto foi o aniversário dele, do cara com quem, digamos, firmei parceria há 6 anos. Parceria de amor, amizade, ajuda, conselhos, enfim, uma mistura só.
Novamente ele frisou que minha dívida de presentes materiais só aumenta, acumulando os aniversários passados.
Eu nunca fui boa de presentear com coisas tangíveis. Sempre fui de preparar presentinhos simbólicos. Ou seja, algo simples e representativo acompanhado de sentimentos derramados na escrita.
Então eu fico ouvindo as cobranças dele em forma de piadas engraçadas e finjo que acredito que ele se importa com presentes materiais. Ele já listou uma porção destes. "Ah, você pode me dar isso, aquilo ou aquele que eu tava querendo e tal" Mas nunca, nunca se decide por nenhum deles. Prova de que ele também não dá valor a presentes assim.
Na véspera do 1º de agosto, ele ligou pro meu celular. Eu estava trabalhando. Eu nem tinha levado para o trabalho roupa para saidinhas. Aí ele, do outro lado da linha, vem com este convite inesperado:
- Oi, amor!
Quero estar com você na noite da virada para o dia do meu aniversário.
Fica comigo hoje?
Nem preciso dizer que ele me ganhou de novo, se é que é possível me ganhar novamente já tendo me ganhado há 6 anos. Já é fato. Ele tem mania de me ganhar com esses pedidos de presentes simbólicos.
Claro que eu nem liguei de sair com ele vestida com a farda do trabalho na noite do dia 31 de julho, como também nem liguei de ir para a comemoração do aniversário na noite do dia 1º de agosto com roupa improvisada: short da academia e camiseta branca simples que estavam na minha mochila. Nem pude passar em casa. Fiquei com ele na véspera e no dia especial. Não largamos um do outro, a não ser na hora de irmos aos nossos trabalhos, já que a data caiu na semana (quinta-feira).
Na sexta-feira de manhã, ele foi me deixar na empresa. A gente se despediu, e ele concluiu com felicidade que "pronto, iniciei e terminei meu dia ao seu lado"
Sim, ele me ganhou novamente com essa declaração. Eu respondi:
- Ah, não fala isso, se não conto pra todo mundo no blog!
E ainda estou aguardando a decisão dele sobre o presente material.
A última opção que ele citou foi uma revista de coleção, que custa apenas 20 reais. Claro que eu não dei ouvidos. Se é pra dar presente material super atrasado, que seja um melhorzinho.
Novamente ele frisou que minha dívida de presentes materiais só aumenta, acumulando os aniversários passados.
Eu nunca fui boa de presentear com coisas tangíveis. Sempre fui de preparar presentinhos simbólicos. Ou seja, algo simples e representativo acompanhado de sentimentos derramados na escrita.
Então eu fico ouvindo as cobranças dele em forma de piadas engraçadas e finjo que acredito que ele se importa com presentes materiais. Ele já listou uma porção destes. "Ah, você pode me dar isso, aquilo ou aquele que eu tava querendo e tal" Mas nunca, nunca se decide por nenhum deles. Prova de que ele também não dá valor a presentes assim.
Na véspera do 1º de agosto, ele ligou pro meu celular. Eu estava trabalhando. Eu nem tinha levado para o trabalho roupa para saidinhas. Aí ele, do outro lado da linha, vem com este convite inesperado:
- Oi, amor!
Quero estar com você na noite da virada para o dia do meu aniversário.
Fica comigo hoje?
Nem preciso dizer que ele me ganhou de novo, se é que é possível me ganhar novamente já tendo me ganhado há 6 anos. Já é fato. Ele tem mania de me ganhar com esses pedidos de presentes simbólicos.
Claro que eu nem liguei de sair com ele vestida com a farda do trabalho na noite do dia 31 de julho, como também nem liguei de ir para a comemoração do aniversário na noite do dia 1º de agosto com roupa improvisada: short da academia e camiseta branca simples que estavam na minha mochila. Nem pude passar em casa. Fiquei com ele na véspera e no dia especial. Não largamos um do outro, a não ser na hora de irmos aos nossos trabalhos, já que a data caiu na semana (quinta-feira).
Na sexta-feira de manhã, ele foi me deixar na empresa. A gente se despediu, e ele concluiu com felicidade que "pronto, iniciei e terminei meu dia ao seu lado"
Sim, ele me ganhou novamente com essa declaração. Eu respondi:
- Ah, não fala isso, se não conto pra todo mundo no blog!
E ainda estou aguardando a decisão dele sobre o presente material.
A última opção que ele citou foi uma revista de coleção, que custa apenas 20 reais. Claro que eu não dei ouvidos. Se é pra dar presente material super atrasado, que seja um melhorzinho.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Quem não pisca,
Vamos começar a sexta-feira assim:
"Quem não pisca, não petisca"
Tava almoçando no refeitório da empresa essa semana e, sem querer, escutei a conversa alheia.
Uma moça inovou no ditado, mas desconfiou logo: "Como é, hein, que se diz?"
"Quem não pisca, não petisca"
Tava almoçando no refeitório da empresa essa semana e, sem querer, escutei a conversa alheia.
Uma moça inovou no ditado, mas desconfiou logo: "Como é, hein, que se diz?"
terça-feira, 30 de julho de 2013
Melhor do que você pensa.
Definitivamente, eu não sou a melhor pessoa do mundo.
Você também não.
Acho que ninguém é.
Como dizem, nem Jesus agradou todo mundo.
Eu não sou melhor do que você.
Você não é melhor do que eu.
Você não é melhor do que ninguém.
A gente tem mania de comparativos, mas este não é legal, não é nada saudável.
Eu não sou a melhor.
Você também não.
Mas todos temos uma segunda, terceira, quarta chance de sermos menos piores.
Mais de quatro chances, na verdade. Menos mal, né?!
É melhor vermos por este lado.
Você também não.
Acho que ninguém é.
Como dizem, nem Jesus agradou todo mundo.
Eu não sou melhor do que você.
Você não é melhor do que eu.
Você não é melhor do que ninguém.
A gente tem mania de comparativos, mas este não é legal, não é nada saudável.
Eu não sou a melhor.
Você também não.
Mas todos temos uma segunda, terceira, quarta chance de sermos menos piores.
Mais de quatro chances, na verdade. Menos mal, né?!
É melhor vermos por este lado.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
A criança esquecida na porta da escola
Vou terminar a especialização em dezembro deste ano, e o pobre diploma, dizendo que sou publicitária, ainda esperando que eu vá buscá-lo.
Está lá, feito uma criança esquecida na porta da escola. Coitado, tomando um chá de cadeira daqueles. Em breve, serei obrigada a ir pegá-lo, só por questão de burocracia mesmo.
Pra você ver como um diploma, um papel, não faz a menor diferença na sua vida. O valor está na gente; vem da nossa transpiração de cada dia. (:
Está lá, feito uma criança esquecida na porta da escola. Coitado, tomando um chá de cadeira daqueles. Em breve, serei obrigada a ir pegá-lo, só por questão de burocracia mesmo.
Pra você ver como um diploma, um papel, não faz a menor diferença na sua vida. O valor está na gente; vem da nossa transpiração de cada dia. (:
domingo, 28 de julho de 2013
Um dia eu supero
Está comprovado! Eu mesma constatei: fico extremamente tímida só de me imaginar mostrando os textos que escrevi sobre meus Pais para eles mesmos.
Prova disso é que eu só fui criar coragem de apresentar este aqui para o meu Pai ("Ele é incrível"), escrito em 8 de dezembro de 2011 neste blog, um dia desses.
Ele nem brigou comigo por conta da demora. Apenas exclamou de coração:
- Muito bom, Filha! Obrigado!
Um dia eu supero essa timidez de me declarar para os meus Pais.
Prova disso é que eu só fui criar coragem de apresentar este aqui para o meu Pai ("Ele é incrível"), escrito em 8 de dezembro de 2011 neste blog, um dia desses.
Ele nem brigou comigo por conta da demora. Apenas exclamou de coração:
- Muito bom, Filha! Obrigado!
Um dia eu supero essa timidez de me declarar para os meus Pais.
Isso é saudade? Abraço macio da minha mãe.
Ela nunca foi de dar muito carinho a nós (seus dois filhos) não, até porque sua especialidade sempre foi brigar. Brigar pela desarrumação da casa. Brigar por conta da louça suja na pia. Brigar por causa do barulho que é eu e meu irmão conversando no corredor da cozinha pra sala, o que dificulta ela ouvir a novela dela. Pena que esse último caso é muito raro acontecer. É um tremendo desencontro entre mim, meu irmão e meus pais. Geralmente passamos a maior parte da vida fora de casa. Nossa mãe é que está sempre em casa.
Ela cuida da casa, da comida, do cesto de roupa suja, das roupas enrugadas à espera na tábua de passar, cuida da gente e cuida também de brigar por qualquer motivo. Há momentos que eu banco a compreensiva e a entendo. Não deve ser nada fácil passar o dia em casa cuidando de várias coisas e assistindo aos clichês de novelas à tarde e à noite. Mas a nossa mãe escolheu viver assim. E eu a amo de qualquer jeito, com brigas ou sem brigas.
Hoje eu vim passar o domingo em casa. Ela se surpreendeu com minha chegada, afinal, eu não faço isso com frequência alguma. Acho que a maioria dos filhos tem mania de fazer isso; de bater asas e voar depois que ganham certa independência de quem os colocou no mundo. Mas não tem jeito, nossa dependência deles sempre vai existir e talvez só nos daremos conta disso tarde demais, quando não os tivermos mais por perto. Outro dia ouvi uma colega, que perdeu seu pai recentemente, dizer que agora vive aconselhando suas amigas a passarem datas importantes ao lado dos pais. Tomei esse conselho para mim também.
Minha mãe briguenta me viu entrando hoje em casa e respondeu ao meu "Oi, Mãe" com grande entusiasmo. Ela estava sozinha em casa. Meu pai tinha ido resolver umas coisas nossas, meu irmão viajando e minha mãe cuidando do almoço.
Eu cheguei e ela me esperou, pacientemente, enquanto eu guardava minhas centenas de bolsas e sacolas. Ela me esperou para oferecer um abraço que só ela sabe abraçar. Uma espécie de abraço tão macio quanto uma roupa cheirosa com amaciante. Não há gesto mais lindo do que ser recebida em casa dessa forma. Ela só podia ter ouvido isto de mim:
- Nossa! Isso é saudade é?
Dizem que toda mãe é igual, mas a minha tem um abraço diferente. Talvez, por ela nunca ter sido muito de passar a mão na cabeça dos filhos, tenha tornado momentos como esse tão especiais. Engraçado, até nisso ela pensou.
sábado, 27 de julho de 2013
Joga na comida?
A terapia perfumada de catar folhinhas de manjericão para preparar molho pesto.
A senhora, que ensacou meu manjericão no mercadinho, quis saber:
"Como é? Joga na comida?"
A senhora, que ensacou meu manjericão no mercadinho, quis saber:
"Como é? Joga na comida?"
Falando com as paredes e escrevendo.
Porque essas paredes aqui têm ouvidos,
e no dia que elas não os tiverem mais, não importa,
vou permanecer escrevendo,
reparando no outro e escrevendo,
me dando conta de mim mesma e escrevendo,
percebendo o outro e escrevendo,
me percebendo na relação com esse outro e escrevendo,
molhando os olhos da alma e escrevendo,
rindo desengonçada feito criança e escrevendo,
sentindo tristeza e escrevendo,
cheinha de alegria por escrever e escrevendo,
pendurando sentimentos nessas paredes
como quem coloca um quadro para colorir ao redor.
Isso tudo simplesmente escrevendo.
Isso que chamam de amor pelo que se faz.
e no dia que elas não os tiverem mais, não importa,
vou permanecer escrevendo,
reparando no outro e escrevendo,
me dando conta de mim mesma e escrevendo,
percebendo o outro e escrevendo,
me percebendo na relação com esse outro e escrevendo,
molhando os olhos da alma e escrevendo,
rindo desengonçada feito criança e escrevendo,
sentindo tristeza e escrevendo,
cheinha de alegria por escrever e escrevendo,
pendurando sentimentos nessas paredes
como quem coloca um quadro para colorir ao redor.
Isso tudo simplesmente escrevendo.
Isso que chamam de amor pelo que se faz.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Gente fofa, fofão não!
Curtindo uma volta à infância ao encontrar a fan page do Colégio onde estudei até a 5ª série,
quando,
do nada,
vem essa figura estranha no meio das lembranças.
Ainda prefiro humano fofo a um fofão desses. Coisa mais assustadora!
quando,
do nada,
vem essa figura estranha no meio das lembranças.
Ainda prefiro humano fofo a um fofão desses. Coisa mais assustadora!
Eles preferem ser essa metamorfose ambulante
Uma tremenda falta de imaginação esse negócio de pensar em um tema para pesquisa científica e não repensá-lo (mudá-lo) mil vezes até lá.
Pronto, falei!
Pronto, falei!
domingo, 21 de julho de 2013
Futura escritora
A irmãzinha do meu namorado, de apenas 11 anos, acaba de ler pra mim uma história de princesa escrita por ela.
Disse que pensou quando tava no banheiro e teve que escrever pra não esquecer. Ou seja, fortes indícios de uma futura escritora de histórias infantis!
Ela perguntou se eu gostei.
Impossível não gostar dessas coisas! (:
Disse que pensou quando tava no banheiro e teve que escrever pra não esquecer. Ou seja, fortes indícios de uma futura escritora de histórias infantis!
Ela perguntou se eu gostei.
Impossível não gostar dessas coisas! (:
sábado, 20 de julho de 2013
Não há espaço para SMS (Sentimental Message Service)
Tem acontecido com frequência. E não tem jeito, eu sempre acabo frustrada no desenrolar desta história.
Penso em uma daquelas pessoas lindas que aparecem na minha vida e - já era! Lá estou eu com a pontinha do polegar ágil, pressionando teclas, escrevendo mensagem no meu celular. Celular que é só um telefone mesmo, ou seja, que só me serve para o tradicional ligar/receber chamadas ou enviar/receber os queridos SMSs.
Já com a expectativa pela resposta batendo à porta, vou escrevendo a mensagem. Seleciono "enviar", a operadora envia. Aguardo um pouco. Com a desculpa de olhar a hora, aproveito e verifico se houve resposta. Para o começo da minha indignação, quem me responde é o próprio celular. Resposta fria e calculista, típica de aparelhos celulares:
"Não há espaço para novas mensagens".
O que, para o meu inferno astral, significa que a pessoa já me respondeu e que não vou poder ler a mensagem até que eu abra espaço para a mesma. Consequentemente, o maior pesadelo de todos: a penosa obrigação de apagar mensagens queridas de pessoas queridas. Mensagens enquadradas na categoria de fofura máxima. Mensagens que você, até então, não teve coragem de apagar.
Aquelas mensagens cheias de amor de namorado. Aquela mensagem da amiga que voltou a morar na Bahia, mas que, ainda assim, vive lembrando de você. Aquela surpreendente mensagem do seu pai aprendendo a escrever SMS pela primeira vez na vida, só pra saber se você tá bem. Enfim, uma série de fofuras em forma de SMS que você guarda com um carinho sem tamanho. A sigla até passa a ganhar outro sentido. Ao invés de "Short Message Service" vira uma "Sentimental Message Service".
E não me venha com essa história de "pratique o desapego" a SMS não, que eu não consigo. Juro que eu apago SMS fofo com uma pontada forte alfinetando meu coração. Fico me sentindo uma pedra de gelo, um iceberg, ao ter coragem de jogar na "lixeira" aquilo que alguém escreveu pra mim com tanto amor. Na lixeira e sem chance de recuperação, porque esta não é igual a de um computador.
Meu celular fraquinho, com pouco espaço para tantos sentimentos, ainda me mata de desgosto qualquer dia desses.
terça-feira, 16 de julho de 2013
domingo, 14 de julho de 2013
Quando se perde a razão.
Era domingo à noite. Eu tinha que me separar dele temporariamente. Eu tinha que levar de volta o ar da minha graça para minha casa, onde vivem os meus pais. Onde teoricamente é a minha casa.
Mas o que eu fiz, quando ele parou o carro em frente à minha casa?
A gente se despediu com o princípio de saudade já doendo lá dentro. Aquela nostalgia de mais um fim de semana ao lado do outro acabando. Aquela voz dura e fria dizendo com todas as letras "Chega! Cada um segue seu rumo. Que venha a semana!"
Então, eu fui entrando em casa com esse pesar na alma. Ouvindo a tal voz dura vociferar comigo sem dó, sem pena de uma reles mortal, sabe.
Ele no carro, esperando que eu entrasse em casa. De vigília, ele sempre aguarda até que eu feche o portão. Porque o amor tem isso de querer proteger o outro.
Eu ali, carregando minhas bolsas e mochila de errante apaixonada. Retirando tudo que é meu do carro dele e levando de volta pra minha casa, como numa mudança. Não uma mudança feliz, mas uma mudança sinônimo de separação. Separação temporária. Mas, poxa, uma separação de qualquer jeito. E logo aquela que deixa o coração aflito.
Fui entrando em casa, dizendo "Oi, olha eu aqui de volta." Fui jogando minhas coisas na primeira cadeira que vi. Fui me livrando do peso da bagagem, o que não me deixou aliviada. O peso de saber que ele manobrava o carro para partir sem mim deixava minhas costas, ombros, coração, corpo inteiro doloridos.
Não pensei duas vezes, voltei correndo pra fora de casa. Correndo não, que é exagero. E ele pode ficar se achando depois de ler isso. Voltei sobre passos nervosos.
Cheguei a tempo de vê-lo fazendo a manobra na calçada da vizinha da frente. Quando me viu, finalizou a meia volta com certa agilidade. Posicionou o carro perto de mim. Encostei-me na janela dele. Pedi que aguardasse, que rapidinho eu voltaria com a mochila. Perguntei com graça:
- Não vai fugir não, né?
Ele apenas sorriu. Não precisava assinar o acordo que propus. A linguagem do amor é falada e entendida por meio de silêncios. Ele só me perguntou, meio curioso:
- O que vai dizer pro seus pais?
Eu:
- Ah, vou pensar rápido em alguma coisa.
E voltei apressada pra dentro de casa, deixando o portão entreaberto e comunicando pra família:
- Oh, gente. Tô chegando, mas já tô indo de novo.
Marcamos um fim de semana juntos na casa do sítio, tá?
Cumpri com o que prometi a ele. Nunca refiz uma mochila tão rápido na minha vida. Joguei na cama o que não precisava carregar mais e arremessei na mochila a farda do trabalho, sem me preocupar se estaria amassada no dia seguinte.
Uma força estranha me impulsionou. Pediu que eu tomasse uma atitude impensada. Pediu que eu perdesse o apego pelo lar. Acabei perdendo mesmo a razão.
Acho que estar apaixonado é fazer esse tipo de coisa mesmo e não abro mão.
Mas o que eu fiz, quando ele parou o carro em frente à minha casa?
A gente se despediu com o princípio de saudade já doendo lá dentro. Aquela nostalgia de mais um fim de semana ao lado do outro acabando. Aquela voz dura e fria dizendo com todas as letras "Chega! Cada um segue seu rumo. Que venha a semana!"
Então, eu fui entrando em casa com esse pesar na alma. Ouvindo a tal voz dura vociferar comigo sem dó, sem pena de uma reles mortal, sabe.
Ele no carro, esperando que eu entrasse em casa. De vigília, ele sempre aguarda até que eu feche o portão. Porque o amor tem isso de querer proteger o outro.
Eu ali, carregando minhas bolsas e mochila de errante apaixonada. Retirando tudo que é meu do carro dele e levando de volta pra minha casa, como numa mudança. Não uma mudança feliz, mas uma mudança sinônimo de separação. Separação temporária. Mas, poxa, uma separação de qualquer jeito. E logo aquela que deixa o coração aflito.
Fui entrando em casa, dizendo "Oi, olha eu aqui de volta." Fui jogando minhas coisas na primeira cadeira que vi. Fui me livrando do peso da bagagem, o que não me deixou aliviada. O peso de saber que ele manobrava o carro para partir sem mim deixava minhas costas, ombros, coração, corpo inteiro doloridos.
Não pensei duas vezes, voltei correndo pra fora de casa. Correndo não, que é exagero. E ele pode ficar se achando depois de ler isso. Voltei sobre passos nervosos.
Cheguei a tempo de vê-lo fazendo a manobra na calçada da vizinha da frente. Quando me viu, finalizou a meia volta com certa agilidade. Posicionou o carro perto de mim. Encostei-me na janela dele. Pedi que aguardasse, que rapidinho eu voltaria com a mochila. Perguntei com graça:
- Não vai fugir não, né?
Ele apenas sorriu. Não precisava assinar o acordo que propus. A linguagem do amor é falada e entendida por meio de silêncios. Ele só me perguntou, meio curioso:
- O que vai dizer pro seus pais?
Eu:
- Ah, vou pensar rápido em alguma coisa.
E voltei apressada pra dentro de casa, deixando o portão entreaberto e comunicando pra família:
- Oh, gente. Tô chegando, mas já tô indo de novo.
Marcamos um fim de semana juntos na casa do sítio, tá?
Cumpri com o que prometi a ele. Nunca refiz uma mochila tão rápido na minha vida. Joguei na cama o que não precisava carregar mais e arremessei na mochila a farda do trabalho, sem me preocupar se estaria amassada no dia seguinte.
Uma força estranha me impulsionou. Pediu que eu tomasse uma atitude impensada. Pediu que eu perdesse o apego pelo lar. Acabei perdendo mesmo a razão.
Acho que estar apaixonado é fazer esse tipo de coisa mesmo e não abro mão.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
A família do meu amigo trocador de sorrisos lendo aqui.
Que emoção! Acabei de ler o comentário do filho do "trocador de sorrisos da 03". A família inteira do meu amigo trocador está lendo agora o blog. (:
" Unknown deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O trocador de sorrisos da 03":
oi boa noite sou filho desse admirado trocador e sei q ele trabalha nao por obrigaçao mais tbm porque ele ama oque faz e um orgulho e um prazer ler um artigo tao bonito como esse falando do trabalho do meu pai a familha esta aqui toda reunida lendo essa linda mensagem em nome dele e de todos aqui da familha muito obrigado e pode ter certeza e como pessoas como vc que todo bom trabalhador ter orgulho de encontrar todos os dias...o nome dele e francisco deassis lopes topic 03 carro814 obrigado ass:marcio martins "
Que amor!!
Se isso que estou sentindo agora não é felicidade, o que é felicidade então?
" Unknown deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O trocador de sorrisos da 03":
oi boa noite sou filho desse admirado trocador e sei q ele trabalha nao por obrigaçao mais tbm porque ele ama oque faz e um orgulho e um prazer ler um artigo tao bonito como esse falando do trabalho do meu pai a familha esta aqui toda reunida lendo essa linda mensagem em nome dele e de todos aqui da familha muito obrigado e pode ter certeza e como pessoas como vc que todo bom trabalhador ter orgulho de encontrar todos os dias...o nome dele e francisco deassis lopes topic 03 carro814 obrigado ass:marcio martins "
Que amor!!
Se isso que estou sentindo agora não é felicidade, o que é felicidade então?
terça-feira, 9 de julho de 2013
O reencontro na 03
Coincidência ou não com o tema do post anterior, há poucas horas reencontrei um dos meus personagens da vida real favorito: o trocador de sorrisos da 03.
Por acaso ou não, eu deixei a topic 55 passar e preferi subir na 03. Não na tentativa de cruzar com ele novamente. Nem tinha mais esperança. Deixei a 55 seguir em frente sem mim, porque optei por continuar conversando com minha colega de especialização.
Encontro predestinado ou não, era ele que estava na cadeira sendo o trocador da topic que decidi pegar esta noite.
Sem querer (querendo) e sem saber, outra vez eu fiz uma escolha certeira.
Assim que ouvi o tom bondoso de sua voz inconfundível, coloquei logo um sorriso na cara e perguntei pra ele:
- Oi! Tudo bom?!
Ele sorriu de volta. Paguei a passagem e passei pela catraca. Mal me desvencilhei desta e ele já foi me entregando um papel dobrado, que parecia ser uma conta qualquer, junto a uma caneta. Fiquei feliz. Afinal, eu acabava de ganhar uma segunda chance do tempo que eu havia perdido pensando demais na vez passada. Anotei:
www.tresparedes.blogspot.com
Puxei duas setinhas com os títulos dos textos que escrevi sobre ele:
"O trocador de sorrisos da 03"
"Eu escrevi sobre o senhor"
Enquanto eu me concentrava para não borrar o que escrevia, ele recomeçou a conversar uma porção de assuntos que fazem um bem danado aos passageiros. Falou que já fez outras duas amizades, ali no seu ambiente de trabalho. Falou que tem dois filhos que lhe dão orgulho. Falou que é fazendo o bem que se recebe o bem.
Minha parada já se aproximava, quando fui me despedir dele. Ofereceu sua mão pra eu apertar. Desta vez, por curiosidade, perguntei seu nome. Ele me respondeu pronunciando o nome completo.
Sim, nossa amizade não é mais "platônica", como refletiu uma colega minha do trabalho, quando contei nossa história. Ela me perguntou e comprovou que nem o nome dele eu sabia, que nem convivo com ele. No entanto, um imenso carinho de ambas as partes estava se revelando pra qualquer pessoa perceber.
Sim, agora eu sei o nome dele, mas não vou revelar para não acabar com o encanto do mistério. Para mim, para nós, ele será sempre o carismático "Trocador de sorrisos da 03".
Eu tenho algum problema.
Eu tenho algum problema com a ideia de mostrar o texto para o personagem principal, o homenageado. Tenho receio de não representá-lo à altura.
Por favor, diga que isso é normal!
Por favor, diga que isso é normal!
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Altamente protegida, sem precisar de sabonetes "Protex" (...)
nem de Ronda do quarteirão
nem de anjo da guarda
nem de fitinha de santo
nem de amuleto da sorte
Nem de mais nada,
Só do meu pai.
nem de anjo da guarda
nem de fitinha de santo
nem de amuleto da sorte
Nem de mais nada,
Só do meu pai.
Meu Pai querido, que eu não chamo de papai (acho tão fofo quem chama os pais assim), mas que, mesmo assim, tenho imenso carinho por ele.
Numa noite dessas da semana, eu voltando pra casa em torno das 22 horas, e ele me ligando, dizendo que iria me esperar na esquina da nossa rua. Ele sabe que eu volto de ônibus, assim como sabe que eu desenvolvi um trauma com ciclistas, qualquer ciclista que pareça um ladrão. Até já contei a história aqui da primeira e única vez em que fui assaltada. Relatei, com certo senso de humor (porque tinha humor pra dar e vender na situação), o dia em que fiquei plantada na calçada da esquina como um legítimo pé de bananeira, sendo assaltada por um ladrão inexperiente. Inexperiente que nem eu, no pesadelo de ser assaltada.
Então, fato: fui comunicada por meu pai que eu não precisava me apavorar sozinha, sentindo meu pânico de ciclistas. Ele estaria na esquina me esperando. Desci do ônibus e fui descendo a rua sozinha. Jurava que apenas o encontraria na esquina da nossa rua. Foi o que ele deu a entender na ligação. Comecei o meu breve percurso. Notei um cara na bicicleta e já senti o pavor da desconfiança se espalhando no meu sangue. Foi rápido. Foi muito rápida essa sensação, pois passou logo. Não foi cura do trauma não. Na verdade, foi só o fato de eu bater o olho no meu pai.
Ele estava em pé, de braços cruzados, sentindo frio (não faz frio aqui, mas ele sente frio à noite) na esquina da rua que antecede a rua da nossa casa. E eu jurando que o encontraria apenas na esquina da nossa rua. Foi uma surpresa e tanto. De repente, todo o medo que eu sentia daquele ciclista desapareceu como um (des)encanto quebrado. Eu estava me sentindo a criatura mais protegida desse mundo. O meu pai, ali, pequenininho, baixinho, magrinho. E eu enxergando-o como meu super heroi. Melhor: meu heroi real, fora dos quadrinhos e dos filmes. Com defeitos, mas meu heroi que me protege de qualquer tipo de mal, de qualquer tipo de gente do mal.
Com um Pai desses, quem precisa de sabonetes "Protex", de Ronda do quarteirão, ou de amuleto, ou de sei lá mais o quê?
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Coisas que esmagam nosso coração.
Dó do cachorrinho da vizinha.
(Sem duplo sentido, tá! O negócio aqui é sério)
O bichinho, o cachorrinho quando perde as forças, - por estar implorando (latindo) há horas -, chora tanto que soluça.
Dó dele cresce ainda mais, quando percebo que a vizinhança está mesmo incomodada com o barulho que ele é capaz de produzir. E não com a situação do pobrezinho.
Nesse momento, ele continua chorando e soluçando sem parar.
Tem coisas que apertam o nosso coração - a ponto dele quase ser esmagado entre os dedos.
(Sem duplo sentido, tá! O negócio aqui é sério)
O bichinho, o cachorrinho quando perde as forças, - por estar implorando (latindo) há horas -, chora tanto que soluça.
Dó dele cresce ainda mais, quando percebo que a vizinhança está mesmo incomodada com o barulho que ele é capaz de produzir. E não com a situação do pobrezinho.
Nesse momento, ele continua chorando e soluçando sem parar.
Tem coisas que apertam o nosso coração - a ponto dele quase ser esmagado entre os dedos.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Sendo e estando feia.
Quem disse que eu tinha, que eu tenho que ser bonita o tempo todo?
Não tenho hábito de frequentar salões de beleza. Muito menos, beleza natural. Não me encaixo em nenhum padrão da tal da beleza que tanto falam por aí.
Mas parece que convivo muito bem com isso. Posso viver tranquilamente sendo assim ou estando assim: feia.
Acredite, a gente não precisa estar bonito sempre. É do ser humano ser metade feio, metade bonito. Ser ou estar, tanto faz. Não precisa ser ou estar necessariamente metade de cada. Podemos ser uma dessas formas preenchendo mais ou menos da metade do nosso pote.
Mas um dos dois, o feio ou o bonito de nós, pode predominar mais.
Você, eu. Nós podemos estar, nesse momento, predominando feiamente.
Não tenho hábito de frequentar salões de beleza. Muito menos, beleza natural. Não me encaixo em nenhum padrão da tal da beleza que tanto falam por aí.
Mas parece que convivo muito bem com isso. Posso viver tranquilamente sendo assim ou estando assim: feia.
Acredite, a gente não precisa estar bonito sempre. É do ser humano ser metade feio, metade bonito. Ser ou estar, tanto faz. Não precisa ser ou estar necessariamente metade de cada. Podemos ser uma dessas formas preenchendo mais ou menos da metade do nosso pote.
Mas um dos dois, o feio ou o bonito de nós, pode predominar mais.
Você, eu. Nós podemos estar, nesse momento, predominando feiamente.
domingo, 30 de junho de 2013
Cuidado! Elaine escrevendo. Não se aproxime.
Bem que eu poderia mandar confeccionar uma plaquinha com essa frase.
O coitado do meu irmão, toda vez que aparece na porta do meu quarto a fim de conversar besteira, nota que estou muito concentrada no notebook. Ele já sabe:
- Tá escrevendo, né?
Eu:
- É. Sai!
Tadinho.
O coitado do meu irmão, toda vez que aparece na porta do meu quarto a fim de conversar besteira, nota que estou muito concentrada no notebook. Ele já sabe:
- Tá escrevendo, né?
Eu:
- É. Sai!
Tadinho.
Calada, passando vergonha.
E tive toda razão de ficar assim. Vou explicar.
Fazia tempo, a filhinha da vizinha não me via. Eu também não a via. Até me impressionei ao notar o quanto ela está crescidinha. Fazia tempo, ninguém me via na calçada da casa dos meus pais. "Dos meus pais" porque eu mal piso lá, lá não, aqui; estou aqui agora, milagre!
Fazia tempo mesmo, quando, quarta-feira passada à tarde, ganhei folga do trabalho. Era o jogo da seleção brasileira. Todos tinham ido, para suas casas ou para as casas dos outros, torcer. Já eu estava indo torcer pelo extermínio do meu eterno sono acumulado. E escolhi a casa dos meus pais para isso.
Mas antes de eu me render para a cama, resolvi pegar um ventinho na calçada com o passarinho daqui de casa no dedo. Observação: sou contra a domesticação de pássaros. Acontece que minha mãe o comprou quando eu ainda era criança, quando eu achava isso normal. E, mesmo se eu achasse anormal e falasse algo contestando-a, ela não me daria ouvidos. Afinal, eu era só uma criança.
Mas, sim. Depois de um tempão sem aparecer na tal calçada, surgi da abertura do portão de alumínio. Fiquei encostada na parede, admirando o passarinho, conversando com ele e também observando a filha da vizinha brincar com um amiguinho bem menor que ela.
Ela estava pedindo para o pobrezinho carregá-la. Ela em cima de um skate, ele agarrado a uma cordinha amarrada no brinquedo. Ela gordinha, ele magrinho. Ela ria tanto, ele fazia tanta força. Ela gritava tanto, ele se concentrava tanto. Havia uma pequena rampa na calçada da vizinha da frente e, pobrezinho, por mais que se esforçasse, não conseguia fazer o skate chegar até ali com a menina sentada sobre as rodinhas. Fiquei olhando com aflição aquela "arrumação" deles. Deu até vontade de ajudar.
Ficaram nessa história de superação do menininho até que finalmente cansaram. A menina se levantou triunfante do skate e caminhou no asfalto, em frente à calçada onde eu estava. Mesmo achando-a enorme e irreconhecível, eu a reconheci. Quis chamá-la pelo nome, mas me deu um branco e disse apenas:
- Oi, tudo bom?
Ela respondeu " Tudo!" e se aproximou de mim, meio incrédula. Como toda criança, soube ser direta me perguntando:
- Dormiu aí hoje?
Ouvi isso e não consegui responder. Fiquei calada, passando a maior vergonha da minha vida. A minha sorte foi ser salva pelo gongo: criança faz uma pergunta atrás da outra. Ela não seria diferente e, ao olhar para o pássaro no meu dedo, fez outra pergunta logo em seguida:
- Ele voa?
Então, foi isso. Passei vergonha diante da pequena que cresceu, mas que ainda é criança. Fiquei vermelha e não havia buraco na calçada onde eu pudesse me enfiar. Simplesmente por causa de uma criança me questionando, com a maior naturalidade, se eu ainda dormia na casa dos meus pais. Com certeza, por conta do meu sumiço, ela desconfia de que passo dias dormindo fora de casa. Pior: dormindo na casa do namorado. Que vergonha. Que vergonha dela! Vergonha de mim, aliás.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Temos a mesma idade: 6 anos
6 anos ao lado dele.
Do lado dele. Ele do meu lado.
Mas cada um com seu lado, porque entendemos que Isso não pode ser tão invasivo.
6 anos eu rindo dele, ele rindo de mim. Porque a gente corre o risco de perder o outro, mas não perde a piada.
6 anos me declarando pra ele, ele se declarando pra mim.
6 anos de desentendimentos, porque faz parte. Mas 6 anos de muitos entendimentos também.
6 anos porque o amor é mais forte que qualquer briga boba ou séria. Séria, mas que pode ser resolvida. Encontramos a solução juntos.
6 anos porque o sentimento fala mais alto e pode até gritar com a gente.
6 anos porque o amor é enorme o suficiente para tudo não acabar num piscar de olhos.
6 anos disso tudo e, há 1 ano, ele pedindo pra eu só experimentar um pedacinho do churrasco, e eu negando até o fim.
Do lado dele. Ele do meu lado.
Mas cada um com seu lado, porque entendemos que Isso não pode ser tão invasivo.
6 anos eu rindo dele, ele rindo de mim. Porque a gente corre o risco de perder o outro, mas não perde a piada.
6 anos me declarando pra ele, ele se declarando pra mim.
6 anos de desentendimentos, porque faz parte. Mas 6 anos de muitos entendimentos também.
6 anos porque o amor é mais forte que qualquer briga boba ou séria. Séria, mas que pode ser resolvida. Encontramos a solução juntos.
6 anos porque o sentimento fala mais alto e pode até gritar com a gente.
6 anos porque o amor é enorme o suficiente para tudo não acabar num piscar de olhos.
6 anos disso tudo e, há 1 ano, ele pedindo pra eu só experimentar um pedacinho do churrasco, e eu negando até o fim.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Eu infiltrada no mundo delas.
Tem uma coisa em mim; sei lá, pode ser uma
forte inclinação como dizem. Não diria com absoluta certeza que é o tal do
instinto materno, mas pode ser também apenas curiosidade. Isso, acho que tenho
uma curiosidade monstruosa, de tão gigante que é, por miniaturas chamadas de
crianças. Disso que já fomos um dia e, quem sabe, ainda somos um pouco.
Essa minha curiosidade cresce em
proporções inimagináveis quando se juntam crianças num grande grupo que brinca
(briga, birra) no parquinho. Eu não me contenho e preciso ver de
perto várias delas interagindo. Fico parecendo uma bobona sonhando em
voltar no tempo. É como se eu me tornasse a criatura mais carente do grupo.
Detalhe: infiltrada ali ilegalmente! Desejando, a todo custo, me inserir entre os
pequenos, fico tentanto falar a língua deles como se fosse a condição, o
ingresso que me dá acesso ao universo mágico deles. Até que eles me
aceitem e eu me sinta realizada assim.
Num fim de semana desses, eu estava observando a linda
(fofinha, "gotosa", espertinha) filha da minha amiga com as outras
crianças do prédio. Por um momento fingi estar ao menos um pouco interessada na
conversa da roda de mães que havia se formado nos banquinhos do parque. Foi
mais forte do que eu. Fiquei mirando as crianças a todo instante. Foi então que percebi que os pequenos
também haviam formado uma roda de discussão. Na verdade, uma roda de confusão,
boba pra gente, seríssima na visãozinha deles.
A confusãozinha estava se passando na cozinha americana do salão de festas do prédio. Eu cheguei perto, tentei entender mais ou menos o que era o pequeno drama e me encostei no balcão pra ouví-las.
As crianças menores tentavam
entrar no "território" das crianças um pouco mais crescidinhas que
elas. Pouco mesmo, uma diferença bem sutil, mas que pra elas já é uma
grande diferença. O espírito competitivo impera ali. A lei do mais forte sobre
o mais fraco está claramente representada.
Ouvi a
menininha dos olhos verdes falando que ali era uma "loja de
sopas" e que pertencia ao grupo de crianças maiores. Certo, a cozinha americana
tinha se transformado numa loja de sopas. Achei estranho e perguntei:
- Loja
de sopas? Não seria um restaurante de sopas?
A pequena nem deu bola para o meu questionamento sem imaginação. Ignorou-o. Apenas comunicou que faria uma sopa
pra mim. Rapidamente perguntei: "sopa de quê?" Pensei: "Oh,
céus, e se ela só tiver sopa de carne? Terei que tomar mesmo assim para não frustrá-la. Afinal, ela nem desconfia que sou vegetariana. Nunca me viu mais
gorda (magra)" Mas, para meu alívio, respondeu que era sopa de verduras.
Em poucos segundos, muitas crianças se
aglomeraram ao redor do freezer. Até os pequenos, que há pouco tinham sido
expulsos dali.
Eles estavam colocando em cima do freezer os ingredientes da
sopa:
- pétalas de flores do jardim do prédio (importante
misturar várias cores)
- cocos (pedras nem muito pequenas nem muito grandes)
- palhas ressecadas de coqueiros.
Todos estavam empenhados no preparo da tal sopa. Era o primeiro pedido do dia. A chefe de cozinha (a menina dos olhos
verdes) orientava todos a quebrarem os cocos com um brinquedo amarelo
"cheguei", que eles faziam de conta que era uma ferramenta culinária.
E logo a menina dos olhos verdes estava acrescentando dois cocos na minha sopa que eu já estava fazendo de conta que tomava. O pequenininho ao lado dela viu e, imitando-a, colocou mais cocos no meu prato. Aí a chefe chamou sua atenção dizendo que aqueles seriam para os próximos clientes. E eu acabei ficando apenas com dois na sopa. Estranhei os cocos quebrados ao meio na sopa e pedi um para beber. O pequeno ficou satisfeito. Ele agora teria a oportunidade de me servir. Serviu-me e virou alvo de pergunta chata de adulto:
- Xi, mas como vou beber do coco? Preciso de canudinho.
Então o pequeno me entregou uma palha de coco que eu deveria usar como canudo. Compartilhei da imaginação dele, claro. Quem passasse por ali, poderia me ver segurando uma pedrinha com a mão esquerda e, com a mão direita, uma palha velha de coqueiro que quase finquei na pedra, como numa combinação perfeita de coco com canudo.
E desde então, não deixo de observar os pequenos como quem
observa seres de um mundo paralelo a este. Um mundo mais feliz e de imaginação
sem limites.
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