segunda-feira, 8 de julho de 2013

Altamente protegida, sem precisar de sabonetes "Protex" (...)

nem de Ronda do quarteirão
nem de anjo da guarda
nem de fitinha de santo
nem de amuleto da sorte
Nem de mais nada,
Só do meu pai.

   Meu Pai querido, que eu não chamo de papai (acho tão fofo quem chama os pais assim), mas que, mesmo assim, tenho imenso carinho por ele.

   Numa noite dessas da semana, eu voltando pra casa em torno das 22 horas, e ele me ligando, dizendo que iria me esperar na esquina da nossa rua. Ele sabe que eu volto de ônibus, assim como sabe que eu desenvolvi um trauma com ciclistas, qualquer ciclista que pareça um ladrão. Até já contei a história aqui da primeira e única vez em que fui assaltada. Relatei, com certo senso de humor (porque tinha humor pra dar e vender na situação), o dia em que fiquei plantada na calçada da esquina como um legítimo pé de bananeira, sendo assaltada por um ladrão inexperiente. Inexperiente que nem eu, no pesadelo de ser assaltada.

   Então, fato: fui comunicada por meu pai que eu não precisava me apavorar sozinha, sentindo meu pânico de ciclistas. Ele estaria na esquina me esperando. Desci do ônibus e fui descendo a rua sozinha. Jurava que apenas o encontraria na esquina da nossa rua. Foi o que ele deu a entender na ligação. Comecei o meu breve percurso. Notei um cara na bicicleta e já senti o pavor da desconfiança se espalhando no meu sangue. Foi rápido. Foi muito rápida essa sensação, pois passou logo. Não foi cura do trauma não. Na verdade, foi só o fato de eu bater o olho no meu pai.

   Ele estava em pé, de braços cruzados, sentindo frio (não faz frio aqui, mas ele sente frio à noite) na esquina da rua que antecede a rua da nossa casa. E eu jurando que o encontraria apenas na esquina da nossa rua. Foi uma surpresa e tanto. De repente, todo o medo que eu sentia daquele ciclista desapareceu como um (des)encanto quebrado. Eu estava me sentindo a criatura mais protegida desse mundo. O meu pai, ali, pequenininho, baixinho, magrinho. E eu enxergando-o como meu super heroi. Melhor: meu heroi real, fora dos quadrinhos e dos filmes. Com defeitos, mas meu heroi que me protege de qualquer tipo de mal, de qualquer tipo de gente do mal.

  Com um Pai desses, quem precisa de sabonetes "Protex", de Ronda do quarteirão, ou de amuleto, ou de sei lá mais o quê?


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