domingo, 14 de julho de 2013

Quando se perde a razão.

Era domingo à noite. Eu tinha que me separar dele temporariamente. Eu tinha que levar de volta o ar da minha graça para minha casa, onde vivem os meus pais. Onde teoricamente é a minha casa.

Mas o que eu fiz, quando ele parou o carro em frente à minha casa?

A gente se despediu com o princípio de saudade já doendo lá dentro. Aquela nostalgia de mais um fim de semana ao lado do outro acabando. Aquela voz dura e fria dizendo com todas as letras "Chega! Cada um segue seu rumo. Que venha a semana!"

Então, eu fui entrando em casa com esse pesar na alma. Ouvindo a tal voz dura vociferar comigo sem dó, sem pena de uma reles mortal, sabe.

Ele no carro, esperando que eu entrasse em casa. De vigília, ele sempre aguarda até que eu feche o portão. Porque o amor tem isso de querer proteger o outro.

Eu ali, carregando minhas bolsas e mochila de errante apaixonada. Retirando tudo que é meu do carro dele e levando de volta pra minha casa, como numa mudança. Não uma mudança feliz, mas uma mudança sinônimo de separação. Separação temporária. Mas, poxa, uma separação de qualquer jeito. E logo aquela que deixa o coração aflito.

Fui entrando em casa, dizendo "Oi, olha eu aqui de volta." Fui jogando minhas coisas na primeira cadeira que vi. Fui me livrando do peso da bagagem, o que não me deixou aliviada. O peso de saber que ele manobrava o carro para partir sem mim deixava minhas costas, ombros, coração, corpo inteiro doloridos.

Não pensei duas vezes, voltei correndo pra fora de casa. Correndo não, que é exagero. E ele pode ficar se achando depois de ler isso. Voltei sobre passos nervosos.

Cheguei a tempo de vê-lo fazendo a manobra na calçada da vizinha da frente. Quando me viu, finalizou a meia volta com certa agilidade. Posicionou o carro perto de mim. Encostei-me na janela dele. Pedi que aguardasse, que rapidinho eu voltaria com a mochila. Perguntei com graça:

- Não vai fugir não, né?

Ele apenas sorriu. Não precisava assinar o acordo que propus. A linguagem do amor é falada e entendida por meio de silêncios. Ele só me perguntou, meio curioso:

- O que vai dizer pro seus pais?

Eu:
- Ah, vou pensar rápido em alguma coisa.

E voltei apressada pra dentro de casa, deixando o portão entreaberto e comunicando pra família:

- Oh, gente. Tô chegando, mas já tô indo de novo.
  Marcamos um fim de semana juntos na casa do sítio, tá?
 
Cumpri com o que prometi a ele. Nunca refiz uma mochila tão rápido na minha vida. Joguei na cama o que não precisava carregar mais e arremessei  na mochila a farda do trabalho, sem me preocupar se estaria amassada no dia seguinte.

Uma força estranha me impulsionou. Pediu que eu tomasse uma atitude impensada. Pediu que eu perdesse o apego pelo lar. Acabei perdendo mesmo a razão.

Acho que estar apaixonado é fazer esse tipo de coisa mesmo e não abro mão.

3 comentários:

Nat - que tá na BA disse...

como eu faço pra curtir mil vezes? lembrei dos textos apaixonados e apaixonantes da Renatinha, quando ela conta dos namoros dela! =) e você preocupada se sabe mesmo o que é felicidade ou não! você sabe e não larga dela! essa é a verdade! um beijo!

Margareth (Margô) disse...

As vezes perder a razão em nome do coração é a melhor escolha.
Já fiz o contrário e também não me arrependi.
Minha amiga Elaine, se assim posso dizer... Nessa vida temos que fazer muitas escolhas. E deixar nossos pais, nosso lar (porto seguro),etc para seguir nosso coração é uma delas.
Siga seu coração. Seja feliz!

nofundodagaveta disse...

... e ganha mais amor!