quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fones de escape


Olhe ao seu redor. Quantas pessoas com fones grudados nas orelhas? Vejo daqui um rapaz tocando numa bateria imaginária; a moça mexendo no seu minúsculo mp3, parece atônita procurando a canção que embala sua vida.

É, a música sempre foi um refúgio. Levamos os fones aos ouvidos e ficamos ali, estáticos ou balançando o pé preferido ao ritmo favorito do playlist infinito.

Desligamo-nos do mundo, de olhos fechados, audição afiada. Desligamo-nos imersos no que realmente toca para nós, em nós.

Risco alheio - Na voz de Zélia Duncan


Álbum: Pelo sabor do gesto

TELHADOS DE PARIS
Nei Lisboa

Venta, ali se vê
Aonde o arvoredo inventa um balé
Enquanto invento aqui pra mim
Um silêncio sem fim
Deixando a rima assim
Sem mágoa, sem nada
Só uma janela em cruz
E uma paisagem tão comum
Telhados de Paris
Em casas velhas, mudas
Em blocos que o engano fez aqui
Mas tem no outono uma luz
Que acaricia essa dureza cor de giz
Que mora ao lado, mas parece outro país
Que me estranha, mas não sabe se é feliz
E não entende quando eu grito
Eu tenho os olhos doidos, já vi
Meus olhos doidos são doidos por ti
O tempo se foi
Há tempos que eu já desisti
Dos planos daquele assalto
De versos retos, corretos
E o resto de paixão, reguei
Vai servir pra nós
E o doce da loucura é seu, é meu
Pra usar a sós

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Se faz sentido

Nada pra dizer. Hoje é um dia assim, nada pra falar, pra cantar, pra fantasiar. O cotidiano tem essas coisas. Tão vazio e simples, tão imenso e demorado, custa até a acreditar que estamos inseridos nele. Custa estar aqui, custa muito.

Nesse mundo gigante, que às vezes parece pequeno; a Terra gira em tempo imperceptível, mas alguns percebem. Parece que estamos andando realmente em círculos, sempre saindo da mesma linha de chegada e voltando para a mesma de partida.

Se isso faz sentido, nem sei.

terça-feira, 21 de julho de 2009

De onde vem, linda menina?


De onde vem essa apatia,linda menina? Seus olhos não falam como antes. As maças de seu rostinho perderam o rubro de morango. E agora é assim, indiferente. É tão evidente que para você nada mais importa, o que fizeram com você? E aquele jeito angelical que fazia qualquer um pensar estar além da terra? E aquelas suas artimanhas para chamar atenção? Agora, a linha que te mantém aqui parece tão tênue.

E o que mais me intriga: você saiu dizendo que ia brincar com a amiguinha na casa da vizinha; saiu com uma boneca de plástico nos braços, e agora carrega uma boneca vívida, exatamente como você era.

Risco alheio- letra



Adriana Calcanhotto ou partimpim sempre nos leva a uma fantástica viagem pelo mundo imaginário. Trabalhos encantadores! Abaixo, letra de música de seu trabalho de 2005: Ser de sagitário.

Ser de sagitário
Péricles Cavalcanti


Você metade gente
e metade cavalo
Durante o fim do ano
cruza o planetário

Cavalga elegância
Cabeça em pé de guerra mansa
Nas mãos arco e flecha
Meu coração
Aguarda e acompanha
seu itinerário
Até o fim do ano
ser de sagitário

Você metade gente
e metade cavalo


© Editora Copyrights
BRBMG0400009
teclados, regência das crianças e berra-boi: Sacha Amback
berra-boi, moringa e vassourinha: Marcelo Costa
violão e berra-boi: Celso Fonseca
baixo acústico: Jorge Helder
coro crianças: Flora Diegues
coro crianças: Luiza Mayall
guitarra: Pedro Sá
coro crianças: Dayan Israel
coro crianças: Gabriel Haddad
coro crianças: Isaac Dahora
coro crianças: Matheus Haddad
coro crianças: Nana Terra
coro crianças: Naiara Terra
coro crianças: Pedro Rubin
clarinete: Dirceu Leitte

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Quando, amigo.

Quando faltar inspiração, amigo.
Quando bater aquela solidão, amigo.
Quando quiser compartilhar, amigo.
Quando não quiser ver o tempo passar, amigo.
Quando precisar do famoso ombro amigo, amigo.
Quando pensar em rir pra não chorar, amigo.
Quando sonhar sem sentido, amigo.
Quando tentar alcançar, amigo.
Quando achar tudo isso bla bla blá, amigo.
Quando pensar em não mais ficar, amigo.
Quando o mundo desabar, amigo.
Quando o quando não permanecer, amigo.
Quando entristecer, amigo.
Quando, quando, quando,
para todo e qualquer momento, amigos.

A todos meus amigos.

sábado, 18 de julho de 2009

Cuca leve


Foram-se os longos fios quebradiços. Cuca mais leve que pluma. A consciência agora respira. Como é bom livrar-se de cabelos longos, e mudar, começando pela caixola. Talvez agora eu tenha mais memória.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tempestuoso espetáculo


O céu chora, e tudo é tão de repente

O tempo triste é anunciado pelo cinza

A ventania dramatiza a mudança

O frio, sem piedade, atiça nossos poros

Os pêlos são espinhos, como os da rosa

Tudo que é belo uma hora revela sua face enfurecida

A rotina dá lugar a um espetáculo

O relâmpago fotografa, as cortinas de nuvem são abertas

E o céu passa a verter lágrimas, o clímax vem ao som de trovão

O espetáculo tempestuoso desperta atenção da plateia,
que agora assiste à encenação verídica da qual fez parte da criação

A plateia somos nós, mais atuantes dessa teatral realidade,
do que os próprios atores sobre o palco, escrevemos o roteiro

A natureza é lágrima,
o céu soluça,
e nós engolimos nosso próprio choro.

Risco alheio - Frei Joe

Este livro me surpreende; mais um trechinho interessante:

" - O mundo idolatra um certo tipo de novidade. As pessoas sempre falam de um carro novo, uma bebida nova, uma nova p-p-peça teatral ou de uma casa nova, mas essas coisas não são, de fato, novas, são? Começam a ficar velhas no momento em que adquirimos. A novidade não está nas coisas. A novidade está em nós. Aquilo que é realmente novo é novo para sempre: o ser humano. Cada manhã da nossa vida, cada noite, cada momento é novo. Jamais vivemos aquele momento antes e jamais o viveremos de novo. Neste sentido, o novo é também o eterno."

(Pág 330 - Frei Joe- o homem que salvou minha alma, Tony Hendra).


Lembrei de uma disciplina da faculdade: Teorias de comunicação. Falava exatamente sobre a ideia do novo superficial que a indústria cultural cria. Assim, as pessoas tornam-se consumistas ao extremo. O que era novo ontem, já não é hoje; daí a necessidade de estar sempre comprando 'lançamentos' para se sentir aceito em certo grupo social e aceito a si mesmo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Paródias - Novo post !


Lançando um novo estilo de post: paródias. Abaixo, paródia da música "Fugiu com a novela" de Vanessa da Mata.

Fugiu com o playstation

Eu perdi o meu amor para um jogo de novo
Desde esse playstation eu me desiludi
O meu coração
Palpita aparte poupando-me de um pouco de sonhos
Depois desse game over

E aquela atenção que antes eu ganhava
Se repartiu ao meio
Homem jogando
Ligado em outro game concentrado
Trocou o nosso caso que tava no tom

Eu vivia com ele
Ele me esperava
Quando eu pedia fogo ele não negava
Se eu tivesse com ele, ele achava bom

Eu perdi o meu amor para um jogo de novo
Desde esse playstation eu me desiludi
O meu coração
Palpita aparte poupando-me de um pouco de sonhos
Depois desse game over

Nos finais de semana ele me namorava
Cozinhava miojo, me alisava
Eu brigava gritava ele gargalhava
Metia a mão oleosa no controle e ele perdoava

A vida era boa eu reclamava
Agora joga longe, não sei mais nada
Fugiu do meu sábado com o playstation.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Elaine, prazer/desprazer em conhecê-la.

Mais expressiva através da escrita que com palavras dispersas no ar. Falo pouco, e quando muito,sem pensar.

Impaciente inata, às vezes bruta, às vezes meiga.

Namoro há 2 anos o homem da minha vida. Penso em casar, e filhos? No momento, a ideia é repulsiva, mas às vezes me flagro olhando com encantamento para uma criança.

Não gosto quando RH’s fazem a célebre pergunta: Como se imagina daqui há 5 anos? Porque o que a gente planeja hoje pode mudar amanhã ou depois de amanhã. Porque se a gente muda com o tempo, os planos passam a ser outros.

Adoro quando pergunto ou me perguntam - Como você tá?, realmente querendo saber como o outro está, e não só para criar o contato rápido: - Oi, tudo bem?. Adoro quando respondem com sorriso no rosto, e quando com lágrimas,não sei consolar, acho que basta ouvir e apoiar.

Não tolero ver gente arremessando lixo pela janela de ônibus, e fico num conflito quase psicótico quando ouço uma torneira pingando;só viverei em paz quando todos se conscientizarem do crime que é desperdiçar água e outros recursos.

Não tenho religião, mas acredito numa força envolvente, não superior e tão imperfeita quanto nós; posso sentí-la no verde dos jardins e em certas canções.

Tenho rinite alérgica e não faço tratamento; como a ponta dos meus dedos até que não sobre nenhum centímetro de unha; tenho pavor a ginecologista, mas me obrigo a visitá-la. Por mim, morreria sem saber a causa, e quando morrer, quero que doem meus órgãos.

Tenho uma família pequena, literalmente. Minha mãe me diz que me meti numa enrascada ao escolher publicidade para profissão. Meu pai quer que eu passe em concurso.

Sou a filha que as mães consumistas não querem ter; não acho nem um pouco agradável ficar horas num salão, nem batendo pernas de vitrine em vitrine.

Ouço rock alternativo (meu irmão me apresentou ao estilo, antes ele ouvia rock pesado, fui baixar o volume e ele me empurrou, quebrei o dedo midinho do pé, torci pelo Brasil na Copa de 98 com perna engessada) e vou a shows com uma frequência ainda não ideal. Ouço, também, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Marisa Monte e Adriana Calcanhotto. Faço da música minha terapia, libertando o que sou pelas cordas vocais e pelos poros. Adoro dançar, danço rock. Acredite, dá pra dançar rock; também não danço com a frequência que desejo.

Quando mais jovem, fazia expressões caras e bocas no espelho, com belas performances melodramáticas. De vez em quando canto para o meu mp3 e gravo. Já compus até uma música bobinha pro namorado. Sempre gostei de cantar, já participei de festival de música no meu antigo colégio.

Tenho um blog, no qual despejo algumas coisas que penso, muitos textos bobos, outros carregados de emoção ou crítica irônica.

Tenho poucos amigos e dificuldade para fazer novas amizades, portanto, me esforço para estar mais presente na vida de quem é amigo.

Nunca me apontaram um revólver, mas já para o meu pai. Vivenciei recentemente uma batida quando estava de co-pilota no fusca da minha amiga; fomos também surpreendidas por uma estranha crise de riso na rua tumultuada.

Reclamo muito quando quero; não gosto de falar em 1ª pessoa, porque me parece egoísta. Meu namorado às vezes fala que tudo tem que ser do meu jeito. Atualmente, venho procurando anular esse jeito.

Sonho um dia ter a magnífica habilidade e imaginação para escrever livros.
Sonho também em multiplicar os livros da minha tímida biblioteca, onde os romances e contos ficam espremidos num reduzido espaço do meu armário corroído pelos cupins.

Sinto claustrofobia ao notar que estou restringindo minha vida ao limite Fortaleza-CE. Será deprimente me despedir do mundo sem nunca tê-lo conhecido por inteiro.

Não preciso que meus pais digam: - Juízo, filha. Acho até que já tenho cabeça no lugar demais.
Sou exigente comigo e não perdôo meus erros. Tenho sempre o ato reflexivo de revisar o que ando sendo.

Choro em partes emocionantes de livro ou filmes. Sou impulsionada por sentimentos.

Sou pequena, sou grande; correta e errada, centrada e psicótica; sou agradável e insuportável e ainda muitas outras coisas que virei a ser.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Risco alheio - Trecho - Frei Joe

"Para minha surpresa a solidão da escrita foi uma experiência sublime, após tantos anos de coautoria. A brancura ártica da página, que eu tanto receara, derretia-se como o gelo na primavera. Escrever era andar por novos campos, uma nova infância de descoberta, uma sombra verde e nova para novos pensamentos verdes"

Pag. 287 de Frei Joe - o homem que salvou minha alma.(Tony Hendra)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Diálogo Divino-musical


A música é o Criador. É uma das diversas formas de estabelecer conexão com Ele. Nada de wi-fi, ou rede. Nada de celular ( já sonhei que ligava pro além e uma voz feminina lenta e tristemente afirmava algo que não gosto nem de lembrar).
Impressionante como há tanta musicalidade num dialogar. Uma conversa simples e acariciada por uma emoção que não se sabe explicar.

Eu e Ele já nos comunicamos via beija-flor,via céu constelado, mas assim, nessa mistura de notas harmoniosas, ao som de Arnaldo Antunes, nunca. Posto aqui a letra divina, Contato imediato, talvez você, leitor, sinta mais ou menos o contexto em que estava eu mergulhada.

“Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar
Me leve para passear

No seu disco voador
Como um enorme carrossel
Atravessando o azul do céu
Até pousar no meu quintal

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto para embarcar
Sem me preocupar e sem temer

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui
Livre para navegar
No espaço sideral
Porque sei que sou

Semelhante de você
Diferente de você
Passageiro de você
À espera de você

No seu balão de são joão
Que caia bem na minha mão
Ou numa pipa de papel
Me leve para além do céu

Se o coração disparar
Quando eu levantar os pés do chão
A imensidão vai me abraçar
E acalmar a minha pulsação

Longe de mim
Solto no ar
Dentro do amor
Livre para navegar
Indo para onde for
O seu disco voador”

A partir daquela noite, em que dormi e chorei embalada nessa linda canção - como um bebê adormecendo numa canção de niná-, fiz dela minha oração. Muito mais cheia de significados e verdades que a mera repetição de Aves marias, Pai nossos e tantas outras rezas.

domingo, 5 de julho de 2009

Desperta

Ando fragilizada, talvez nem fraca, mas o tempo todo desperta. Sim, desperta. Parece que meus sentidos ganharam novo chão, aguçada percepção. E é a música e a obervação atenta de tudo que me circunda, que me servem como ponte.

Atravesso sem nunca pensar em voltar pra ponta oposta. Sinto-me bem, sinto livremente sem receio de parecer louca. Porque se estamos aqui, alguma explicação tem. Tenho a tendência de me afundar cada vez mais em mim, parece egoísta, mas não. Reflito, penso muito sobre meus erros cometidos, minhas ações comedidas.

Isso é bom, é altruísta na medida em que me preparo para receber bem o mundo e as pessoas. Porque se me contesto, torno-me alguém melhor do que tenho sido. Se exijo mais de mim mesma, exijo menos da vida. Se torno-me aceitável a mim mesma, direi mais sins a todo pedido de alguém querido.

Tenho sido cada vez mais eu.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Gastos e desgostos


É, cidadão, veja a vida como está. Gastos e desgostos; você nem sabe onde está em meio a um mar de números e notas, caindo como âncoras direto da sua planilha no Excel ou da agenda para as profundidades do seu caos financeiro.

E não ouse errar no cálculo: gastos < salário, pois nesse universo de contas a pagar você não pode se desencontrar. É tanta gente necessitando; na fila um menino a implorar “-Não tem 10 centavos não, tio?”, no shopping a mocinha a gastar sem precisar.

Essas coisas são assim, matemática disciplina complicada quando não se resolve os problemas certos na hora certa, no banco certo. Já na canção canta Zeca Baleiro “Vou botar minha’lma à venda”, talvez seja a solução dessa questão.

Nos tempos de colégio era tão fácil encontrar resposta exata na matemática descomplicada; agora o contexto é outro, sem a pitada de imaginação pueril tudo perdeu o gosto e cor, as preocupações não são mais tolas, deixou de ser - com que roupa eu vou? pra ser - com que grana vou bancar nosso bem-estar?

Abandono a calculadora, só por um instante pra respirar e abrandar a velhice precoce a me atormentar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ele


São muitos os seguidores, quase todos confessam serem viciados, também pudera, ele é mesmo a personificação da delícia. Muitos até tentam ter autocontrole, mas é quase uma droga, agonia de bêbado em abstinência.

Os olhos com as órbitas num estranho rebuliço, só de avistá-lo em cor branca, negra, ou mesmo as duas juntas.
O nariz fazendo uma dancinha de tanto furtar o irresistível do ar,e os buraquinhos lado a lado insistindo em ficar só no inspirar.
As mãos e lábios ansiosos para experimentar o doce toque, como uma menina sonhando com o primeiro beijo.
As orelhas de abano estremecendo, - quase desenhando no ar o trajeto do voo da borboleta-, ao saber que daqui a pouco apreciará o som crocante do croc croc vindo diretamente da boca.
E as papilas gustativas então; parecem de longe sentir o gosto gostoso inconfundível.

Não faz sentido viver sem ele.
Chocóolatras sempre serão chocóolatras.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Risco alheio - trecho de "Frei Joe".


" Os anos 50 chegavam ao fim, fazendo grande alarde. A Grã-Bretanha estava quebrada, mas despontavam indicações de um novo sistema que faria com que achássemos que precisávamos de bens materiais dos quais, na verdade, não precisávamos, a despeito de termos ou não condições financeiras para adquiri-los. Tudo parecia muito empolgante. E o que era ainda mais empolgante, a economia voltada para adolescentes começava a decolar, por meio de roupas, cosméticos, filmes, música. Os produtos destinados a tal segmento, de modo geral, eram importados dos Estados Unidos, ou, se produzidos na Grã-Bretanha, eram concebidos e vendidos segundo modelos norte-americanos. Pela primeira vez, abriu-se um abismo entre as gerações, permitindo aos novos especialistas em marketing, formados no estilo norte-americano, pôr em prática, com clareza, a primeira tentativa de manipulação de consumidores, em âmbito nacional.

...

Mais significativo era o fato de eu me ver fascinado com o processo pelo qual artigos eram vendidos, com a publicidade e o marketing, - especialmente na televisão-, atividades que pareciam ao mesmo tempo moralmente perniciosas e brilhantes, em termos de criatividade. Pedi a orientação de Frei Joe acerca de bens materiais.

...


A análise feita pelo frade da natureza da propriedade privada era muito mais sagaz.O verdadeiro alvo do especialista em marketing, afinal, é o eu. O eu é o início e o fim da venda.'Este produto vai fazer o seu eu avançar no mundo.' 'Quanto mais você possuir excelentes produtos como este,mais poderoso será o seu eu'. E, obviamente, mais barreiras você terá estabelecido ao contato aberto e direto com o outro. Comprar até ficar exausto e amar verdadeiramente talvez sejam práticas excludentes.

Frei Joe enfatizou que sua análise não propunha que fosse errado possuir bens, tampouco condenava a satisfação derivada da posse de bens. O que remetia ao velho princípio: contemptus mundi não significava desprezo pelo mundo, mas distanceamento do mundo.

- Tudo depende de como os b-b-bens são encarados, meu caro, e as satisfações por eles geradas; é preciso ser capaz de abrir mão dos bens, sem qualquer arrependimento."


TONY HENDRA, Frei Joe - O homem que salvou minha alma- pags: 166, 168 e 169.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Férias é isso!


Férias é sinônimo de tudo de bom; ah vai, custa nada uma frase otimista de vez em quando. Férias traz a imagem das crianças felizes e saltitantes saindo com alergia crônica do portão da escola.

Férias é infância, todas as meninices parecem que foram ontem.
Férias para muitos é praia, para alguns é cama.
Para outros é folga, para muitos plantão, já que as dívidas e os impostos não tiram férias.

Férias da escola, do trabalho, e olha que maluco: férias de você.
Já imaginou? Você de férias de você, no mínimo, estranho:
- Olha Eu, não dá mais. Vai passear por aí, toma teu rumo que eu sei do meu.
Seria quase dá um tempo pro seu eu. Seria interessante, só assim não concentraria tanto estresse numa carne humana só.

Falando em carne, por que todo mundo pensa logo em churrasco quando lembra da palavra férias? Por que envolver os pobres e indefesos animais? Porco, vaca, da galinha gente correndo atrás. É; para esses férias é o último suspiro, e ainda sem direito a um último pedido.

- Oh, não, todo sangue derramado em vão, por que vocês não cuidaram bem do churrasco?
Sempre acontece, a galera que estava de olho no churrasco caiu de boca na cerveja estupidamente gelada.

Férias, férias. Valorize quem as tem.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Planejando nosso tempo


Em que tempo você vive? Vive de flashbacks, de um presente inconsequente, de projeções míopes do futuro? Juro pra você, não sei bem, assim claramente em que tempo a gente vive.

Nosso tempo tem isso de ser confuso, às vezes essencialmente presente, muitas vezes esfacelado em resquícios do passado, e o futuro, sabe-se lá, embaraçado.

A gente tem isso de procurar tecer fios que nem se sabe de onde vêm. Acho que falta a gente parar pra pensar, pra reformular. A gente se perde em pensamentos que não deveriam ganhar tanta importância. E esse é meu erro, nosso erro.

Se a gente vive de erros, e a biografia só conta tropeços, vai ver haja acerto sobre alguma rasura das linhas desse nosso texto, guiando-se pela lógica de que se tem erro, tem acerto.

Planejar é alinhar tudo que se imagina pro desenrolar do seu tempo, tão fácil de definir, mas tão difícil de prosseguir. Se a gente consegue pontuar objetivos, temos logo que traçar estratégias, se a gente pensa estrategicamente, então, no já, já tem que ter a tática.

Mas talvez não seja tão complicado assim planejar; se a gente se organizar, dá pra viver nosso tempo sem cronometrar, dá pra ir além da demarcação dos ponteiros, dos pontilhados do círculo perfeito.

Se estiver tudo ainda imperfeito, então é hora de começar a entender o que é mesmo planejar. Vamos nos planejar, se for preciso nos renovar, a gente não pode é parar no tempo, porque este é como você dirigindo um veículo, você é que está no comando. No comando do seu tempo, não há destino, este uma invenção pra conformar quem não tem poder de decisão sobre a própria vida.

Então, vamos pôr em planos nosso tempo, seja ele qual for.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Império do riso


Olha só, a vida provando ser um grande circo. Montemos logo esse picadeiro. Drástico, insensato? Note, a vida é um espetáculo, novela mexicana, colegial em gincana. Palhaçada só. Veja, a ruga na testa cedeu lugar pros buraquinhos da bochecha. Ninguém liga pra crise, só pra crise de riso.

A existência rindo, rimos juntos, um tanto cômica. E até quando a morte quase alcança a vida, a gente ri, sem saber do quê, sem saber pra quê. Se a vida é prova viva do império do riso, leve mais nada à sério, não é querendo bancar uma de livro de autoajuda, é que é tão simples, por que complicar tudo?

O que dizer?


Você vem me dizer

Que não faz mais sentido

sem ânimo, sem empolgação

Fico assim, sem saber



O que dizer?

O que ser?



Se é preciso trazer,

Esperança de viver

Digo, veja como anda ,

se é a vida que escolheu

Eu não sei dizer,



mas é bom ouvir

que não tem nada a ver

não é nada entre nós

é a sua forma de viver



O que dizer?

Como dizer?



Mas é triste pra mim também, meu bem

Ouvir você se autodenominar um nada

Teimo em dizer, você é Tudo



E se meu amor não basta,

não preenche esse vazio dentro de você,

Então aconselho, sem jeito,

Procure conversar com outro alguém,

Não sei muito sobre a vida,

aprendendo agora, junto a você.





O que dizer?

O que ser?



Se é preciso trazer,

Esperança de viver

Digo, veja como anda ,

se é o caminho que escolheu

Eu não sei bem o que dizer

Só sei que amo você.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ela - Homenagem


Ela é dona de uma felicidade que transborda, ela contagia.
Ela é um tanto menina muleca mulher, que sabe ser ela, ela é só ela.

Ela é simples divertida palhaça, mesmo sem o adereço no nariz, ela é alegria.
Ela mesmo distante se faz presente, sempre a gente lembra, ela é marcante.

Ela é simpatia, 'miss' quando diz que tal coisa comprou nos Estados Unidos, mas ela não se importa com essas coisas de grana, ela por si só já é valiosa.

Ela diz que tudo é dela, todos os amigos, ela é amiga querida.
Ela é ela e só ela, Ela é Yanne.

Vem me acordar: letra pra virar melodia.




Dormência de sensação
Vem me acordar
Preciso ser feita de emoção
Preciso acordada sonhar


Eu quero tanto sentir
Você bem mais perto de mim
Todo dia,
eu devo insistir

Eu sei, a gente tem que trabalhar,
Mas me deixe pisar nessa nuvem
De ter, verter você no despertar

Vem fazer parte do meu dia a dia
E traz nosso café da manhã nessa cama
Vem destruir minha rotina

Esse sono que impede
minhas células de continuar
o fluxo inexorável da vida
Vem me acordar

Passa no liquidificador o que desagrada em mim em você e joga fora
Traz o café, serve o sol dessa manhã no pão
o vapor da xícara em forma de coração
Troca o suco por um energético
Vem banir tanta preguiça

Vem me acordar,
Faz o que eu disse,
Que eu vou deixar essa letra
no seu lado da nossa cama,
mais tarde ela vira música.

Vem e desperta o acorde mudo
Afina essas cordas,
Faço a letra, que vai virar canção
Me presenteia com você na melodia,
Mas primeiro vem e me acorda.

domingo, 14 de junho de 2009

Preciso dizer.


Amo, dificil é eu desamar.
Amo loucamente cada um.
Sentimento bom,amar o mundo e, se possível, todos que o habitam.

Minha alegria é espalhar eu te amos por aí,assim, sem ser só por dizer.
Minha necessidade é de abraçar forte, de verdade.
Ter só amigos, aprender o que o divino ensinou.

Meu contentamento não está em ser descontente, muitas vezes sou deprimente, mas não é porque quero ou porque me faço de vítima da vida; é que infelizmente essa é minha tendência, talvez minha essência.

Então, eu preciso dizer eu te amo a todo instante. Hoje, nem parece tão usual, e por que é tão difícil dizer? Confesso, queria fazer disso minha oração de cada dia.

E quando me vem a vontade, tão intensa e verdadeira que precisa ser expressa de qualquer forma, em palavras, em fala, aí sim, me sinto completamente feliz.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Namoro lembra.




Namoro lembra beijo, que lembra química, que lembra enzima.

Namoro lembra mãos dadas, que lembra cumplicidade, que lembra mais que amizade.

Namoro lembra poema, que lembra verso apaixonado, que lembra ficar sem palavras.

Namoro lembra namorar, que lembra verbo, que lembra conjugar só o verbo amar.

Namoro lembra briga boba, que lembra discutir a relação, que, no final de tudo, lembra amasso.

Namoro lembra abraço, que lembra envolvimento, que lembra não desgrudar daquela pessoa.

Namoro lembra você sempre se lembrar de quem ama, até em momentos inoportunos.

Namoro, para alguns, lembra até falha de memória do aniversário de namoro, mas que ninguém esquece a sensação de mais de 5 sentidos, isso ninguém esquece.

Namoro, para os mais românticos, lembra buquê de flores, que lembra perfume, que lembra o charmoso cheirinho no pescoço de quem se ama.

Namoro, para os menos tradicionais, lembra lingerie, que lembra mordida na maça, que lembra um pecado gostoso de cometer.

Namoro lembra isso tudo e o que mais vier à sua cabeça, depois de ter passado pelo coração, claro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

ELA os levou




Eles foram. Ela os levou. Para longe, para perto, nada é certo, apenas a conclusão de que Eles foram. Ainda, ainda bem, não vivi tal experiência de perda. Mas imagino, a ausência deve rasgar o peito, e talvez nunca cicatrize. E se quem perdeu sorri, por dentro é só lágrima. A dor por quem já não está, e o consolo de saber que ainda são, conjugar as ações Deles nunca no passado. Eles foram, quem sobreviveu ficou. E se esses últimos acreditam em paraíso, melhor.

Onde Ela os conduziu, vai saber. Talvez Eles, os ausentes, continuem ao seu lado. Então, a idéia de purgatório está aniquilada, pois esse lugar perto de quem ficou é moradia natural Deles, nem paraíso, nem inferno.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Risco alheio


Eu tentei mas...quero ver você mudar
Respeitar quem...pare de se controlar
Eu menti sim...ser alguém cansa demais
Eu já não sei me dizer não

Complicado sim revoltado não
Indecente sim eu hoje eu sei mas
Me deixa mudar
Diferente sim indiferente não
Conformado sim leve demais
Me deixa voltar

Eu voltei mas...quero estar em seu lugar
Mimado eu sei...achei algo pra comprar
Eu menti sim...ela nunca vai te amar
Eu já não sei lhe dizer não

Vem você dizer que tudo tem que ter um fim
Eu nem sei por onde começar
Vem você me convencer que eu só penso em mim
Talvez sim talvez sim

Venha me salvar vem me carregar
Ausente eu sei que
Nada vai mudar nada vai mudar
Não mente não mente

Leve Demais - MopTop

sábado, 6 de junho de 2009

Peixinho, pobrezinho!




Peixinho, pobrezinho, virou artigo de decoração de interiores. Tadinho; não pode nadar nas grandes profundidades oceânicas, nem se aventurar exibindo suas flexíveis nadadeiras para uma peixinha.

Peixinho, bichinho, quer tanto ser peixinho de verdade. Uma pena ter nascido tão belo e colorido. Agora é meramente parte da sala de estar da dondoca, que só pensa em exibir sua linda moradia de causar inveja; ou parte de um consultório odontológico, sendo peça unicamente de distração para o paciente dentuço.

É, peixinho; ao menos você tem o final feliz da história do "Procurando Nemo", se é que isso lhe serve de consolo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mulher de verdade.




Inteligente é a mulher que sabe o que quer; sabe o que é melhor para ela e para o mundo. E não é exagero dizer que mulher assim é capaz de tudo; ela não apenas se preocupa em combinar a bolsa com o sapato ou com a tonalidade da roupa, está preocupada em ser exemplar em tudo que se dedica a fazer, na faculdade ou no trabalho, na amizade ou no amor.

Mulher moderna e criativa, que faz tudo estar a favor dela, dos outros e da natureza. Utiliza o conhecimento adquirido por vivências próprias, ou através de qualquer outro meio, como ferramenta para conquistar o sonho de mudar o mundo em poucas horas.

Seja num simples gesto de mexer no cabelo, seja na tomada de decisões importantes, elas nos encantam de maneira avassaladora e até nos contagiam com tanta energia de vida. Mulher de raciocínio rápido capaz de projetar o futuro e planejá-lo do melhor jeito.

Mulher cheia de ideias para realizar o inimaginável
é mulher de verdade.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ponto inicial



Se basta um ponto inicial para dar impulso a uma vida de realizações, aqui estou eu, completamente ao dispor(x) Ao dispor, se precisar dar a vida quem sabe, contanto que eu possa dizer que tenho uma profissão digna, merecida às habilidades que tenho(x)E que possa dizer: - sim, valeu a pena estudar tanto, principalmente no 3º ano( é certo que não teve o resultado que esperava, mas até que fez sentido, passei na FIC e conheci gente interessante)(x)

Estou aqui, sentada e não praticando exercícios físicos, de frente para o PC, o tão amigo e companheiro PC, sempre à minha frente em todos os estágios por quais passei, foram três: D&E, blume e phd)(x)

É assim, estou ao dispor para o que der e vier (que venham os protótipos de briefings)(x) Ao dispor pra trazer algo novo inovador(x) Afinal, inovação é a palavra que está na moda, acredito que só na teoria (x)

Enfim, estou aqui, a diferença é que agora não sou mais chamada, nem tratada como “estagiária”(x) Que venham as conquistas, que venha o amadurecimento ( sempre dá pra ficar menos verde)(x)

Perdoe-me se houver algum erro ortográfico aqui, é que fui ali revisar texto, depois reviso esse(x)

(x) - ( sem ponto final de propósito. Afinal, nada de dar fim ao que se começa com tanto ímpeto e força)

domingo, 31 de maio de 2009

Cores em você



É início de verão
As cores naturalmente fazem parte da estação
A criatividade de ser você é o clima
Então, pegue o pincel
pra deixar mais azul o céu
Afinal, em qualquer época do ano
Não deve faltar harmonia


Da tela branca surge a cor rosada das maças
do rosto feminino, quase ainda de menina
Cores que falam, que vêm de dentro
Na sutileza dos gestos ou na expressão de alegria
Matizes emanam de você


Cor vibrante
Colorida e viva
E foi essa cor que pincelamos
Ao descobrirmos cores em você.
Aproveite o clima
Aprecie Cores em você!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Borracha na sua história


E se pudéssemos apagar capítulos passados de nossa história?

Se pudéssemos fazer isso, simplesmente rasgando em pedacinhos minúsculos aquela folha de papel desenhada com frases que, agora, não fazem mais sentido?

Algo escrito e vivido por você mesmo, reduzido a fragmentos dançantes ao ritmo do vento. Talvez não valesse tanto à pena. Vai ver realmente cada capítulo, mesmo os mais breves influenciam numa vida inteira.

domingo, 10 de maio de 2009

10 de maio - Dia das mães


Mesmo que nos amem de um jeito um tanto sinistro,
Embora nos roguem as maiores pragas quando tomadas pela raiva,
Mesmo que fiquem horas ditando sermões, aqueles que você filho não ouve por estar tapando os ouvidos ou simplesmente ouvindo música no seu mp3 em volume máximo,
Embora um tanto excêntricas ou recatadas demais a ponto de bater de frente com suas convicções moderninhas,
E mesmo, mesmo que pareça difícil reconhecer que por trás de tudo isso, o amor é profundo e palpitante entre mãe e filho,
o dia das mães, não comercialmente falando, pede um momento de trégua entre os embates mãe- filho, pede um abraço apertado e longo seguido de um beijo na face macia daquela a quem denominamos mãe, mamãe ou mãinha ou seja lá qual for o apelido carinhoso.

sábado, 9 de maio de 2009

Risco alheio - Trecho


"...
- Mackenzie, eu não sou masculino nem feminina, ainda que os dois gêneros derivem da minha natureza. Se eu escolho aparecer para você como homem ou mulher, é porque o amo. Para mim, aparecer como mulher e sugerir que você me chame de papai é simplesmente para ajudá-lo a não sucumbir tão facilmente aos seus condicionamentos religiosos.
Ela se inclinou como se quisesse compartilhar um segredo.

- Se eu me revelasse a você como uma figura muito grande, branca e com aparência de avô com uma barba comprida, simplesmente reforçaria esses esteriótipos.

Mack quase riu alto, ironizando, mas, em vez disso, concentrou-se no que ela acabara de dizer e recuperou a compostura. Acreditava, pelo menos no coração, que Deus era um espírito, nem masculino nem feminino, mas, apesar disso, sentia-se embaraçado ao admitir que todas as suas concepções visuais de Deus eram muito brancas e muito masculinas."

Cap 6 / Pág 83-84
A Cabana - Willian P. Young

sábado, 25 de abril de 2009

Pode ser que um dia


Pode ser que um dia eu possa ser bem maior,
gigante em sabedoria e espiritualidade,
mas por enquanto é só essa melancolia que aprisiona
Pode ser que um dia eu seja menos egoísta e até mais bonita
Pode ser que um dia eu tenha mais amigos
e mais gente que me admire, mas, por enquanto,
eu vou vivendo assim, na incerteza,
porque além do meu futuro, meu presente e até meu passado são imprevisíveis
Pode ser que um dia eu seja um grande ícone, símbolo de vigor e sapiência
Mas por enquanto é só vontade adormecida, pensamento suicida
Pode ser que um dia eu tenha posses, mas, no momento, sou indiferente à riqueza.
Pode ser que um dia o dia seja mais ensolarado, de uma esperança ofuscante
Pode ser, eu ser.

sábado, 28 de março de 2009

Letra e melodia


Como é bom te amar

Sei que às vezes pode me faltar
ânimo e coragem pra continuar
na vida

Mas a tristeza não pode comigo,
porque agora eu tenho você comigo
Como é bom, como é bom te amar.

Amar você me renovar
Chorar: emoção de amar
que bom te amar

Como é bom, como é bom
Quando o pensamento
a todo momento
com você está

laia lalaia la
tiurubiru

Se me faltar mantimento
você pode até ser meu alimento
Juro, juro é impossível
seguir estrada sem você
como é bom, como é bom
te amar

O quanto sonhei,
o quanto esperei
o quanto chorei, hey,hey

Agora, a gente tem sentido,
mesmo que o mundo
continue sem sentido

que bom te amar,
você me deu todo sentido
você me fez sentir
cada sentido.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Risco alheio

Fui levantar não achei
Um bom motivo pra acordar
Está tudo bem não não há
Com o que se preocupar
É que me encontrei com o nada
E acho que meu lugar é aqui

Pra que pular se não sei
O que quero alcançar
Pra que vencer se não sei
Quem eu quero derrotar
Eu vou descansar um instante
Até eu reencontrar meu fim

Eu não vou mais correr
Não vou mais correr
Vou ficar parado com você, meu bem
Eu não vou mais correr
Nada é pra valer
Vou ficar parado com você, meu bem

Fui levantar não achei
Um bom motivo pra acordar
Está tudo bem não não há
Com o que se preocupar
É que me encontrei com o nada
E acho que meu lugar é aqui

Pra que cavar se não sei
O que quero encontrar
Pra que correr se não sei
Bem onde quero chegar
Eu vou desligar um instante
Até eu reencontrar meu fim

Eu não vou mais correr
Não vou mais correr
Vou ficar parado com você, meu bem
Eu não vou mais correr
Nada é pra valer
Vou ficar parado com você

Não vou tentar
Não vou insistir
Não vou lutar
Já me rendi
Meu desapego, é meu sossego, meu botequim

Eu não vou mais correr
Não vou mais correr
Vou ficar parado com você, meu bem
Eu não vou mais correr
Nada é pra valer
Vou ficar parado com você, meu bem

Desapego - MopTop

sexta-feira, 13 de março de 2009

Resolvi

Resolvi que não dá mais pra ser assim
Meio inconstante e indecisa
Um tanto irritada, desconcertada

Resolvi que essa minha impaciência deve ter fim
E se tudo parecer difícil, farei parecer fácil

E se a voz que fala dentro mim,
disser que não posso prosseguir
mostrarei o quanto sou capaz.

Resolvi ser assim.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Um tempo a mais


A gente sempre quer
15 minutinhos a mais quando o despertador dispara
5 minutinhos a mais com a cabeça longe
3 minutinhos a mais pensando apenas bobagens

Tem até gente que quer dá um tempo
Pôr um fim temporário no que anda fazendo
Talvez dá um tempo ao tempo não resolva
E o que resta a fazer?

Simplesmente não fazer nada?
Não, tem gente que enlouquece
E quer contribuir de qualquer forma
Mudar o mundo em 1 minuto, por exemplo.

Então, peça um tempinho a mais.
Mas prometa.
Quando recomeçar,
fará tudo diferente do que fez antes.

sábado, 10 de janeiro de 2009

O Reflexo



Achei interessante um dia desses.Tive um encontro daqueles de incrustar na memória.Talvez tenha sido surpreendente, porque, de fato, não imaginava que isso pudesse ocorrer.
Aconteceu no meu banheiro. Banheiros têm espelhos, e estes sim, sempre me causaram uma sensação estranha, como se algum monstro pudesse se revelar através do reflexo. Naquele dia, resolvi quebrar essa barreira. Ao contrário das outras vezes, me permiti olhar atentamente para meus olhos. Aproximei-me do espelho...e...pela primeira vez, pude ver a alma que habita o meu corpo. Ela parecia ter uma mente doentia, tanto que se pudesse, sairia do meu físico para voltar à sua dimensão de origem. Analisei a imagem que o espelho me oferecia. Concluí que jamais quero vê-la novamente. Logo, continuarei me encontrando com espelhos apenas superficialmente. Encerro com um: espelho, espelho meu, existe alguém mais amedrontada do que eu?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Foram-se as unhas.

Ponta do dente na ponta do dedo
Um nervoso incessante
nova missão
busca pela imaginação perdida na infância
Não pode ser, bloquearam minha mente
não estão me deixando pensar
quando criança
nem tudo parecia o que era ser
eu fazia ser o que viesse a minha cabeça
Hoje sei, preciso libertar meu cérebro
Rói rói
A unha foi-se
sobrou a carne, coitada
Cutículas viram bifes apetitosos
pedaços espalham- se pela roupa
Antes de ruídas,
minhas unhas serviam para a vaidade
Agora, não restou um só pedaço
Quanto mais penso, menos unha
Quanto menos escrevo, mais agonia

Foram- se as unhas.
Uma pena, já estavam até crescidinhas.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Dezembro


Em Dezembro, as luzes da cidade insistem em dizer que o natal está próximo. Decidiram que a comemoração seria dia 25. A ordem é trocar presentes. Mas não era o menino jesus que deveria receber presentinhos? Mirra, ouro, incenso.

É dezembro. Todas as árvores, sendo pinheiros ou não ganham uma iluminação pra lá de especial. Dia desses estava observando uma humilde planta entre duas outras robustas. Mesmo com os galhos secos ela reluzia, forçadamente brilhava.

Nesta época, assiste-se muito a filmes com muita neve, papai noel, mensagens positivas a respeito do verdadeiro espírito natalino.

Neve em Fortaleza, nem pensar. O que se ouve são apenas resmungos quanto ao calor. Transpiração escorrendo no corpo. Shopping pra lá de movimentado. São as tradicionais compras de Natal de última hora.

Da janela do ônibus está o cenário provisoriamente montado. Tanta luz e brilho que chega a me dar dor de cabeça. Ao menos fosse luz de verdade.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Perdão, blog


Sei que tenho andado meio ausente. Nem me recordo qual foi a última vez que estive redigindo por aqui, nem me dei ao trabalho de verificar a data do último post. Só reparei no título: Mudar. E isso é um dos motivos da ausência de meus textos em suas publicações.

Mudei de habitat. Convivo diariamente com outras pessoas, as quais 'conheço' há 2 semanas. Tenho a sorte de todas elas serem agradáveis e simpáticas. Cada uma tem uma característica específica e me disponho a aprender esse algo a mais que cada uma me apresenta.

Em um espaço reduzido, porém aconchegante, tenho me esforçado em textos que vendem algo, até simpatia de empresas para com seus fornecedores. Até carros, para quem pode comprá-los. "Taxa de x,xx%, a partir de R$ xx xxx,00". Muitas vantagens, facilidades. Varejão astuto, tentando driblar o medo dos cidadãos em relação à crise.

Minhas situações diárias estão cara a cara com o word. Papel em branco em mãos. Muito sacrifício e esmero em cada linha, buscando sair da mesmice: "Melhor condição, Menor preço você encontra aqui".

Enfim, sei que não há desculpas que justifique minha ausência. Prometo que sempre que possível publicarei alguns textos. Continuarei tratando sobre temas do cotidiano e sobre mim ( os menos reveladores, lógico).

Com carinho,

Elaine.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mudar


Achei que fosse imune a qualquer tipo de doença ou alergia,
afirmando ser uma pessoa extremamente saudável.
Tenho 20 na idade, 15 na aparência, com alergia à rotina.

Minha natureza não é estática.
Pelo contrário, se move rumo ao desconhecido.
Por isso, vou me mudar.
Quem sabe alguém me encontre lá,
através de um filtro possa ver
minhas outras formas de ser e estar.

Não deixo, levo. Leve!


Deixe para trás e você sentirá a mudança entrar no seu mundo, feito água na terra.
Deixe pessoas para trás e você sentirá a falta de cada pouco, de cada muito, de cada um.
Até quem nem você sabia o nome. Dizia bom dia, boa tarde, como vai?, você vai lembrar.
Deixe o futuro vir. Pode dá medo. Pode haver desprezo. Mas leve, não deixe. Leve tudo que você aprendeu, viveu, mesmo que pouco intensamente. Não lamente- se pelo pouco que aproveitou. Sim, a gente sempre poderia ter feito mais, e melhor. Aliás, todos querem ser o melhor. Então, você não está só. É apenas uma questão de levar. Não mais deixar. Quem deixa para trás não tem o que levar. A bagagem vem vazia e sua mente fica só na nostalgia.

sábado, 15 de novembro de 2008

Versos de fim




Noite sábado à noite
solidão não pensa não
o quanto dói nessa imensidão
saber que às vezes é preciso
mentir pra quem te faz bem
Frágil, não me reconheço
esqueço de amanhecer
a luz não chega aos meus olhos
sei que poderia ser mais eu
tento transformar o que penso
em versos mal feitos
tento não errar meu português
Mas faz parte de mim errar
deprimente noite enfim
nem sei, não sou ideal a mim
pode ser triste fim
pode ser alegre fim
só não queria me sentir
longe de mim.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Monstrinho


O monstrinho luminoso assassinou o meu ursinho! Veja só! Neste mundo você não pode mais ser criança. Deixem, meus desejos de menina passam de ilusão. Podem ser reais. Se eu corro atrás, é porque enjoei de brincar de faz de conta. Mas a conta quem paga não são mais meus pais. Mesmo assim, sou criança. Já sei o que fazer para manter à distância estes estranhos seres luminosos, especialistas em ludibriar alma pueril.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

5 sentidos. Incontáveis sensações.


O prazer da vida está nas portas de entrada para o mundo.
Nos seus sentidos.
5 sentidos, incontáveis sensações.

Experimentos te levam além. Basta respirar calmamente, ver sem fingir ser cego, degustar lentamente seu prato preferido, ouvir música de olhos cerrados, tocar as pessoas sem medo de chegar perto. Para aguçar seus sentidos, experimente o prazer de ser a própria sensação. Temos, então, infinitos sentidos.

domingo, 9 de novembro de 2008

Breve relato




Foi assim quando eu o conheci. Ônibus das 13H, saindo da Faculdade. Meu eterno parceiro da linha "Antônio Bezerra - Unifor"proporcionou- me, pela primeira vez, algo de bom, muito bom aliás.

Não lembro a data, só sei que resolvi fazer uma coisa diferente: passei logo pela catraca ( ainda não tinha uma visão estratégica- em ônibus lotado, melhor ir logo para as proximidades da dianteira, pois quem está por lá, já está na iminência de descer. Portanto, o assento é desocupado, ou quase sempre - uma vez tinha uma mulher imensa, cismou de fixar o traseiro na viagem cheia de saculeijos) .

Não tinha lotação, nenhuma preocupação, a não ser o normaço do sol. Sentei ao lado de alguém, nem o calor sabia quem. Foi então que a velha e aguda quintura da nossa Fortaleza do Ceará quase me afasta 'dele' ( você deve estar se perguntando: "quem será este?"). Pois bem, fugi o quanto antes daquela temperatura agonizante. Não fui muito longe, a ponto de ainda perceber olhos de algum "estranho" direcionados curiosamente para mim. Como toda mulher, que gosta de ter seu ego acariciado, me orgulhei. - Algum homem ainda olha pra mim. Até então, só havia percebido algum interesse do sexo oposto via msn, orkut... Estes meios de comunicação que estão na moda para causar discórdias na maioria da vezes.

Segui tranquila, sentadinha na extremidade. Ainda não tinha o hábito de ir do lado da janela. Incomodava- me a idéia de despertar alguém de um cochilo profundo no momento de puxar a 'cordinha'. Pois bem, até o momento, não sabíamos quem olhava atento aos meus movimentos. Até tentei advinhar quem, usando minha visão lateral através de meus óculos ( falecidos óculos - mutilei uma das pernas dele. Enfim, a rotatividade para solucionar meu astigmatismo é veloz).

Conto- lhe este detalhe dos óculos, porque ele explica a demora de meu admirador secreto se revelar. Ele me disse depois, que não me reconheceu logo, porque não tinha me visto de óculos nas fotos do álbum.

Estava no embalo do balanço da inércia, quando sinto um dedo tímido tocando o meu ombro. Eis que se apresenta o misterioso. Agora, intitulado "Ex- estranho". Sim, era ele mesmo. O rapaz do orkut! Seu primeiro scrap na minha página dizia : ^^ . Lembro de ter respondido: " ^^ " ?? . Foi então que seguiu-se uma sequência de digita - recebe - responde. Falamos até de currículo. Falei que o meu estava em construção. Ele respondeu: já fui pedreiro! Um 'fofo' mesmo, incrivelmente sensível* ( nem sempre este adjetivo atribuído ao sexo masculino significa que o carinha é gay).

Voltando, pois, ao momento 'encontro'. Cara a cara do anônimo conhecido virtual, lembro de ter demorado um pouco a processar a informação. Ele já estava acomodado na cadeira ao lado, quando resolvi me manifestar com um "É você, estranho!!" (altamente desconcertada). Trocamos algumas palavras das quais não me recordo agora. Só sei que tinha certeza que lhe apresentava minhas maças rosadas. As dele também eram , são, bem avantajadas. Como de costume, economizei palavras. Preciso me familiarizar com alguém para me sentir a vontade.

Voltando ao impasse, logo saciarei sua curiosidade. O tal "ex- estranho" é Leandro. Meu par. Ele se despediu de mim e foi- se. Puxou a cordinha e foi- se. Não para muito longe, pois logo tratamos do reencontro num evento promovido por uma colega em comum. Coincidências, não?!.

Ainda não foi neste evento ( São João) o esperado encontro de lábios. Ainda ocorreu outro evento ( Festa do Jornal O Povo, onde ele trabalhava na época), mas neste, nos atemos a só dançarmos uma dança meio esquisita e reprimida. Foi então, no inesperado convite "vamos ao cinema?"( inesperado mesmo. Era na semana. Elaine online no msn, aceita convite na flor dos nervos. )

Agora, imaginem o nome do filme..."NÃO POR ACASO". Exatamente, 'não por acaso' acontece o mesmo que houve no primeiro encontro. Só que agora, é ele que sobe no ônibus. Parecia até perseguição. Coisa de filme - comédia romântica adoçando tardes vazias.

É...alguma coisa tinha que acontecer desta vez. Levada pelo pensamento : "Não posso ir embora sem provar do beijo". Estranhando minha atitude, encostei minha boca na dele. Em meio à multidão do shopping mais calorento da cidade( North Shopping). Ê! Mulheres de atitude! No meu caso, acho que foi mais vontade de provar o gosto de amar de verdade.

Encerro, aqui, meu breve relato.

Ainda terei muitas histórias regadas a vinho pra contar. Pode deixar.

sábado, 8 de novembro de 2008

Sono sem sonhos


Ele me pergunta :
- Sonhou comigo?

Ao que eu respondo:
- Não. Ultimamente não tenho sonhado.

Estranho, parece que o meu inconsciente cala, disfarça- se. Será que uma magia obscura roubou minha tendência natural de sonhar?

Se sonhei, não lembro. Se dormi, foi por pouco tempo. Talvez, meus sonhos queiram habitar somente a realidade, me reservando um sono sem muitas emoções. Algo deve explicar esta ausência, mas, por enquanto, não faço idéia o que seja.

Misteriosa a mim mesma, deixo a investigação por conta dos outros. Agora, vou dormir, quem sabe venha o sonho no sono.