Está comprovado! Eu mesma constatei: fico extremamente tímida só de me imaginar mostrando os textos que escrevi sobre meus Pais para eles mesmos.
Prova disso é que eu só fui criar coragem de apresentar este aqui para o meu Pai ("Ele é incrível"), escrito em 8 de dezembro de 2011 neste blog, um dia desses.
Ele nem brigou comigo por conta da demora. Apenas exclamou de coração:
- Muito bom, Filha! Obrigado!
Um dia eu supero essa timidez de me declarar para os meus Pais.
Porque janelas e portas abertas não são suficientes pra ver o mundo e as pessoas lá fora, tive que demolir uma das quatro paredes.
domingo, 28 de julho de 2013
Isso é saudade? Abraço macio da minha mãe.
Ela nunca foi de dar muito carinho a nós (seus dois filhos) não, até porque sua especialidade sempre foi brigar. Brigar pela desarrumação da casa. Brigar por conta da louça suja na pia. Brigar por causa do barulho que é eu e meu irmão conversando no corredor da cozinha pra sala, o que dificulta ela ouvir a novela dela. Pena que esse último caso é muito raro acontecer. É um tremendo desencontro entre mim, meu irmão e meus pais. Geralmente passamos a maior parte da vida fora de casa. Nossa mãe é que está sempre em casa.
Ela cuida da casa, da comida, do cesto de roupa suja, das roupas enrugadas à espera na tábua de passar, cuida da gente e cuida também de brigar por qualquer motivo. Há momentos que eu banco a compreensiva e a entendo. Não deve ser nada fácil passar o dia em casa cuidando de várias coisas e assistindo aos clichês de novelas à tarde e à noite. Mas a nossa mãe escolheu viver assim. E eu a amo de qualquer jeito, com brigas ou sem brigas.
Hoje eu vim passar o domingo em casa. Ela se surpreendeu com minha chegada, afinal, eu não faço isso com frequência alguma. Acho que a maioria dos filhos tem mania de fazer isso; de bater asas e voar depois que ganham certa independência de quem os colocou no mundo. Mas não tem jeito, nossa dependência deles sempre vai existir e talvez só nos daremos conta disso tarde demais, quando não os tivermos mais por perto. Outro dia ouvi uma colega, que perdeu seu pai recentemente, dizer que agora vive aconselhando suas amigas a passarem datas importantes ao lado dos pais. Tomei esse conselho para mim também.
Minha mãe briguenta me viu entrando hoje em casa e respondeu ao meu "Oi, Mãe" com grande entusiasmo. Ela estava sozinha em casa. Meu pai tinha ido resolver umas coisas nossas, meu irmão viajando e minha mãe cuidando do almoço.
Eu cheguei e ela me esperou, pacientemente, enquanto eu guardava minhas centenas de bolsas e sacolas. Ela me esperou para oferecer um abraço que só ela sabe abraçar. Uma espécie de abraço tão macio quanto uma roupa cheirosa com amaciante. Não há gesto mais lindo do que ser recebida em casa dessa forma. Ela só podia ter ouvido isto de mim:
- Nossa! Isso é saudade é?
Dizem que toda mãe é igual, mas a minha tem um abraço diferente. Talvez, por ela nunca ter sido muito de passar a mão na cabeça dos filhos, tenha tornado momentos como esse tão especiais. Engraçado, até nisso ela pensou.
sábado, 27 de julho de 2013
Joga na comida?
A terapia perfumada de catar folhinhas de manjericão para preparar molho pesto.
A senhora, que ensacou meu manjericão no mercadinho, quis saber:
"Como é? Joga na comida?"
A senhora, que ensacou meu manjericão no mercadinho, quis saber:
"Como é? Joga na comida?"
Falando com as paredes e escrevendo.
Porque essas paredes aqui têm ouvidos,
e no dia que elas não os tiverem mais, não importa,
vou permanecer escrevendo,
reparando no outro e escrevendo,
me dando conta de mim mesma e escrevendo,
percebendo o outro e escrevendo,
me percebendo na relação com esse outro e escrevendo,
molhando os olhos da alma e escrevendo,
rindo desengonçada feito criança e escrevendo,
sentindo tristeza e escrevendo,
cheinha de alegria por escrever e escrevendo,
pendurando sentimentos nessas paredes
como quem coloca um quadro para colorir ao redor.
Isso tudo simplesmente escrevendo.
Isso que chamam de amor pelo que se faz.
e no dia que elas não os tiverem mais, não importa,
vou permanecer escrevendo,
reparando no outro e escrevendo,
me dando conta de mim mesma e escrevendo,
percebendo o outro e escrevendo,
me percebendo na relação com esse outro e escrevendo,
molhando os olhos da alma e escrevendo,
rindo desengonçada feito criança e escrevendo,
sentindo tristeza e escrevendo,
cheinha de alegria por escrever e escrevendo,
pendurando sentimentos nessas paredes
como quem coloca um quadro para colorir ao redor.
Isso tudo simplesmente escrevendo.
Isso que chamam de amor pelo que se faz.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Gente fofa, fofão não!
Curtindo uma volta à infância ao encontrar a fan page do Colégio onde estudei até a 5ª série,
quando,
do nada,
vem essa figura estranha no meio das lembranças.
Ainda prefiro humano fofo a um fofão desses. Coisa mais assustadora!
quando,
do nada,
vem essa figura estranha no meio das lembranças.
Ainda prefiro humano fofo a um fofão desses. Coisa mais assustadora!
Eles preferem ser essa metamorfose ambulante
Uma tremenda falta de imaginação esse negócio de pensar em um tema para pesquisa científica e não repensá-lo (mudá-lo) mil vezes até lá.
Pronto, falei!
Pronto, falei!
domingo, 21 de julho de 2013
Futura escritora
A irmãzinha do meu namorado, de apenas 11 anos, acaba de ler pra mim uma história de princesa escrita por ela.
Disse que pensou quando tava no banheiro e teve que escrever pra não esquecer. Ou seja, fortes indícios de uma futura escritora de histórias infantis!
Ela perguntou se eu gostei.
Impossível não gostar dessas coisas! (:
Disse que pensou quando tava no banheiro e teve que escrever pra não esquecer. Ou seja, fortes indícios de uma futura escritora de histórias infantis!
Ela perguntou se eu gostei.
Impossível não gostar dessas coisas! (:
sábado, 20 de julho de 2013
Não há espaço para SMS (Sentimental Message Service)
Tem acontecido com frequência. E não tem jeito, eu sempre acabo frustrada no desenrolar desta história.
Penso em uma daquelas pessoas lindas que aparecem na minha vida e - já era! Lá estou eu com a pontinha do polegar ágil, pressionando teclas, escrevendo mensagem no meu celular. Celular que é só um telefone mesmo, ou seja, que só me serve para o tradicional ligar/receber chamadas ou enviar/receber os queridos SMSs.
Já com a expectativa pela resposta batendo à porta, vou escrevendo a mensagem. Seleciono "enviar", a operadora envia. Aguardo um pouco. Com a desculpa de olhar a hora, aproveito e verifico se houve resposta. Para o começo da minha indignação, quem me responde é o próprio celular. Resposta fria e calculista, típica de aparelhos celulares:
"Não há espaço para novas mensagens".
O que, para o meu inferno astral, significa que a pessoa já me respondeu e que não vou poder ler a mensagem até que eu abra espaço para a mesma. Consequentemente, o maior pesadelo de todos: a penosa obrigação de apagar mensagens queridas de pessoas queridas. Mensagens enquadradas na categoria de fofura máxima. Mensagens que você, até então, não teve coragem de apagar.
Aquelas mensagens cheias de amor de namorado. Aquela mensagem da amiga que voltou a morar na Bahia, mas que, ainda assim, vive lembrando de você. Aquela surpreendente mensagem do seu pai aprendendo a escrever SMS pela primeira vez na vida, só pra saber se você tá bem. Enfim, uma série de fofuras em forma de SMS que você guarda com um carinho sem tamanho. A sigla até passa a ganhar outro sentido. Ao invés de "Short Message Service" vira uma "Sentimental Message Service".
E não me venha com essa história de "pratique o desapego" a SMS não, que eu não consigo. Juro que eu apago SMS fofo com uma pontada forte alfinetando meu coração. Fico me sentindo uma pedra de gelo, um iceberg, ao ter coragem de jogar na "lixeira" aquilo que alguém escreveu pra mim com tanto amor. Na lixeira e sem chance de recuperação, porque esta não é igual a de um computador.
Meu celular fraquinho, com pouco espaço para tantos sentimentos, ainda me mata de desgosto qualquer dia desses.
terça-feira, 16 de julho de 2013
domingo, 14 de julho de 2013
Quando se perde a razão.
Era domingo à noite. Eu tinha que me separar dele temporariamente. Eu tinha que levar de volta o ar da minha graça para minha casa, onde vivem os meus pais. Onde teoricamente é a minha casa.
Mas o que eu fiz, quando ele parou o carro em frente à minha casa?
A gente se despediu com o princípio de saudade já doendo lá dentro. Aquela nostalgia de mais um fim de semana ao lado do outro acabando. Aquela voz dura e fria dizendo com todas as letras "Chega! Cada um segue seu rumo. Que venha a semana!"
Então, eu fui entrando em casa com esse pesar na alma. Ouvindo a tal voz dura vociferar comigo sem dó, sem pena de uma reles mortal, sabe.
Ele no carro, esperando que eu entrasse em casa. De vigília, ele sempre aguarda até que eu feche o portão. Porque o amor tem isso de querer proteger o outro.
Eu ali, carregando minhas bolsas e mochila de errante apaixonada. Retirando tudo que é meu do carro dele e levando de volta pra minha casa, como numa mudança. Não uma mudança feliz, mas uma mudança sinônimo de separação. Separação temporária. Mas, poxa, uma separação de qualquer jeito. E logo aquela que deixa o coração aflito.
Fui entrando em casa, dizendo "Oi, olha eu aqui de volta." Fui jogando minhas coisas na primeira cadeira que vi. Fui me livrando do peso da bagagem, o que não me deixou aliviada. O peso de saber que ele manobrava o carro para partir sem mim deixava minhas costas, ombros, coração, corpo inteiro doloridos.
Não pensei duas vezes, voltei correndo pra fora de casa. Correndo não, que é exagero. E ele pode ficar se achando depois de ler isso. Voltei sobre passos nervosos.
Cheguei a tempo de vê-lo fazendo a manobra na calçada da vizinha da frente. Quando me viu, finalizou a meia volta com certa agilidade. Posicionou o carro perto de mim. Encostei-me na janela dele. Pedi que aguardasse, que rapidinho eu voltaria com a mochila. Perguntei com graça:
- Não vai fugir não, né?
Ele apenas sorriu. Não precisava assinar o acordo que propus. A linguagem do amor é falada e entendida por meio de silêncios. Ele só me perguntou, meio curioso:
- O que vai dizer pro seus pais?
Eu:
- Ah, vou pensar rápido em alguma coisa.
E voltei apressada pra dentro de casa, deixando o portão entreaberto e comunicando pra família:
- Oh, gente. Tô chegando, mas já tô indo de novo.
Marcamos um fim de semana juntos na casa do sítio, tá?
Cumpri com o que prometi a ele. Nunca refiz uma mochila tão rápido na minha vida. Joguei na cama o que não precisava carregar mais e arremessei na mochila a farda do trabalho, sem me preocupar se estaria amassada no dia seguinte.
Uma força estranha me impulsionou. Pediu que eu tomasse uma atitude impensada. Pediu que eu perdesse o apego pelo lar. Acabei perdendo mesmo a razão.
Acho que estar apaixonado é fazer esse tipo de coisa mesmo e não abro mão.
Mas o que eu fiz, quando ele parou o carro em frente à minha casa?
A gente se despediu com o princípio de saudade já doendo lá dentro. Aquela nostalgia de mais um fim de semana ao lado do outro acabando. Aquela voz dura e fria dizendo com todas as letras "Chega! Cada um segue seu rumo. Que venha a semana!"
Então, eu fui entrando em casa com esse pesar na alma. Ouvindo a tal voz dura vociferar comigo sem dó, sem pena de uma reles mortal, sabe.
Ele no carro, esperando que eu entrasse em casa. De vigília, ele sempre aguarda até que eu feche o portão. Porque o amor tem isso de querer proteger o outro.
Eu ali, carregando minhas bolsas e mochila de errante apaixonada. Retirando tudo que é meu do carro dele e levando de volta pra minha casa, como numa mudança. Não uma mudança feliz, mas uma mudança sinônimo de separação. Separação temporária. Mas, poxa, uma separação de qualquer jeito. E logo aquela que deixa o coração aflito.
Fui entrando em casa, dizendo "Oi, olha eu aqui de volta." Fui jogando minhas coisas na primeira cadeira que vi. Fui me livrando do peso da bagagem, o que não me deixou aliviada. O peso de saber que ele manobrava o carro para partir sem mim deixava minhas costas, ombros, coração, corpo inteiro doloridos.
Não pensei duas vezes, voltei correndo pra fora de casa. Correndo não, que é exagero. E ele pode ficar se achando depois de ler isso. Voltei sobre passos nervosos.
Cheguei a tempo de vê-lo fazendo a manobra na calçada da vizinha da frente. Quando me viu, finalizou a meia volta com certa agilidade. Posicionou o carro perto de mim. Encostei-me na janela dele. Pedi que aguardasse, que rapidinho eu voltaria com a mochila. Perguntei com graça:
- Não vai fugir não, né?
Ele apenas sorriu. Não precisava assinar o acordo que propus. A linguagem do amor é falada e entendida por meio de silêncios. Ele só me perguntou, meio curioso:
- O que vai dizer pro seus pais?
Eu:
- Ah, vou pensar rápido em alguma coisa.
E voltei apressada pra dentro de casa, deixando o portão entreaberto e comunicando pra família:
- Oh, gente. Tô chegando, mas já tô indo de novo.
Marcamos um fim de semana juntos na casa do sítio, tá?
Cumpri com o que prometi a ele. Nunca refiz uma mochila tão rápido na minha vida. Joguei na cama o que não precisava carregar mais e arremessei na mochila a farda do trabalho, sem me preocupar se estaria amassada no dia seguinte.
Uma força estranha me impulsionou. Pediu que eu tomasse uma atitude impensada. Pediu que eu perdesse o apego pelo lar. Acabei perdendo mesmo a razão.
Acho que estar apaixonado é fazer esse tipo de coisa mesmo e não abro mão.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
A família do meu amigo trocador de sorrisos lendo aqui.
Que emoção! Acabei de ler o comentário do filho do "trocador de sorrisos da 03". A família inteira do meu amigo trocador está lendo agora o blog. (:
" Unknown deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O trocador de sorrisos da 03":
oi boa noite sou filho desse admirado trocador e sei q ele trabalha nao por obrigaçao mais tbm porque ele ama oque faz e um orgulho e um prazer ler um artigo tao bonito como esse falando do trabalho do meu pai a familha esta aqui toda reunida lendo essa linda mensagem em nome dele e de todos aqui da familha muito obrigado e pode ter certeza e como pessoas como vc que todo bom trabalhador ter orgulho de encontrar todos os dias...o nome dele e francisco deassis lopes topic 03 carro814 obrigado ass:marcio martins "
Que amor!!
Se isso que estou sentindo agora não é felicidade, o que é felicidade então?
" Unknown deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O trocador de sorrisos da 03":
oi boa noite sou filho desse admirado trocador e sei q ele trabalha nao por obrigaçao mais tbm porque ele ama oque faz e um orgulho e um prazer ler um artigo tao bonito como esse falando do trabalho do meu pai a familha esta aqui toda reunida lendo essa linda mensagem em nome dele e de todos aqui da familha muito obrigado e pode ter certeza e como pessoas como vc que todo bom trabalhador ter orgulho de encontrar todos os dias...o nome dele e francisco deassis lopes topic 03 carro814 obrigado ass:marcio martins "
Que amor!!
Se isso que estou sentindo agora não é felicidade, o que é felicidade então?
terça-feira, 9 de julho de 2013
O reencontro na 03
Coincidência ou não com o tema do post anterior, há poucas horas reencontrei um dos meus personagens da vida real favorito: o trocador de sorrisos da 03.
Por acaso ou não, eu deixei a topic 55 passar e preferi subir na 03. Não na tentativa de cruzar com ele novamente. Nem tinha mais esperança. Deixei a 55 seguir em frente sem mim, porque optei por continuar conversando com minha colega de especialização.
Encontro predestinado ou não, era ele que estava na cadeira sendo o trocador da topic que decidi pegar esta noite.
Sem querer (querendo) e sem saber, outra vez eu fiz uma escolha certeira.
Assim que ouvi o tom bondoso de sua voz inconfundível, coloquei logo um sorriso na cara e perguntei pra ele:
- Oi! Tudo bom?!
Ele sorriu de volta. Paguei a passagem e passei pela catraca. Mal me desvencilhei desta e ele já foi me entregando um papel dobrado, que parecia ser uma conta qualquer, junto a uma caneta. Fiquei feliz. Afinal, eu acabava de ganhar uma segunda chance do tempo que eu havia perdido pensando demais na vez passada. Anotei:
www.tresparedes.blogspot.com
Puxei duas setinhas com os títulos dos textos que escrevi sobre ele:
"O trocador de sorrisos da 03"
"Eu escrevi sobre o senhor"
Enquanto eu me concentrava para não borrar o que escrevia, ele recomeçou a conversar uma porção de assuntos que fazem um bem danado aos passageiros. Falou que já fez outras duas amizades, ali no seu ambiente de trabalho. Falou que tem dois filhos que lhe dão orgulho. Falou que é fazendo o bem que se recebe o bem.
Minha parada já se aproximava, quando fui me despedir dele. Ofereceu sua mão pra eu apertar. Desta vez, por curiosidade, perguntei seu nome. Ele me respondeu pronunciando o nome completo.
Sim, nossa amizade não é mais "platônica", como refletiu uma colega minha do trabalho, quando contei nossa história. Ela me perguntou e comprovou que nem o nome dele eu sabia, que nem convivo com ele. No entanto, um imenso carinho de ambas as partes estava se revelando pra qualquer pessoa perceber.
Sim, agora eu sei o nome dele, mas não vou revelar para não acabar com o encanto do mistério. Para mim, para nós, ele será sempre o carismático "Trocador de sorrisos da 03".
Eu tenho algum problema.
Eu tenho algum problema com a ideia de mostrar o texto para o personagem principal, o homenageado. Tenho receio de não representá-lo à altura.
Por favor, diga que isso é normal!
Por favor, diga que isso é normal!
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Altamente protegida, sem precisar de sabonetes "Protex" (...)
nem de Ronda do quarteirão
nem de anjo da guarda
nem de fitinha de santo
nem de amuleto da sorte
Nem de mais nada,
Só do meu pai.
nem de anjo da guarda
nem de fitinha de santo
nem de amuleto da sorte
Nem de mais nada,
Só do meu pai.
Meu Pai querido, que eu não chamo de papai (acho tão fofo quem chama os pais assim), mas que, mesmo assim, tenho imenso carinho por ele.
Numa noite dessas da semana, eu voltando pra casa em torno das 22 horas, e ele me ligando, dizendo que iria me esperar na esquina da nossa rua. Ele sabe que eu volto de ônibus, assim como sabe que eu desenvolvi um trauma com ciclistas, qualquer ciclista que pareça um ladrão. Até já contei a história aqui da primeira e única vez em que fui assaltada. Relatei, com certo senso de humor (porque tinha humor pra dar e vender na situação), o dia em que fiquei plantada na calçada da esquina como um legítimo pé de bananeira, sendo assaltada por um ladrão inexperiente. Inexperiente que nem eu, no pesadelo de ser assaltada.
Então, fato: fui comunicada por meu pai que eu não precisava me apavorar sozinha, sentindo meu pânico de ciclistas. Ele estaria na esquina me esperando. Desci do ônibus e fui descendo a rua sozinha. Jurava que apenas o encontraria na esquina da nossa rua. Foi o que ele deu a entender na ligação. Comecei o meu breve percurso. Notei um cara na bicicleta e já senti o pavor da desconfiança se espalhando no meu sangue. Foi rápido. Foi muito rápida essa sensação, pois passou logo. Não foi cura do trauma não. Na verdade, foi só o fato de eu bater o olho no meu pai.
Ele estava em pé, de braços cruzados, sentindo frio (não faz frio aqui, mas ele sente frio à noite) na esquina da rua que antecede a rua da nossa casa. E eu jurando que o encontraria apenas na esquina da nossa rua. Foi uma surpresa e tanto. De repente, todo o medo que eu sentia daquele ciclista desapareceu como um (des)encanto quebrado. Eu estava me sentindo a criatura mais protegida desse mundo. O meu pai, ali, pequenininho, baixinho, magrinho. E eu enxergando-o como meu super heroi. Melhor: meu heroi real, fora dos quadrinhos e dos filmes. Com defeitos, mas meu heroi que me protege de qualquer tipo de mal, de qualquer tipo de gente do mal.
Com um Pai desses, quem precisa de sabonetes "Protex", de Ronda do quarteirão, ou de amuleto, ou de sei lá mais o quê?
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Coisas que esmagam nosso coração.
Dó do cachorrinho da vizinha.
(Sem duplo sentido, tá! O negócio aqui é sério)
O bichinho, o cachorrinho quando perde as forças, - por estar implorando (latindo) há horas -, chora tanto que soluça.
Dó dele cresce ainda mais, quando percebo que a vizinhança está mesmo incomodada com o barulho que ele é capaz de produzir. E não com a situação do pobrezinho.
Nesse momento, ele continua chorando e soluçando sem parar.
Tem coisas que apertam o nosso coração - a ponto dele quase ser esmagado entre os dedos.
(Sem duplo sentido, tá! O negócio aqui é sério)
O bichinho, o cachorrinho quando perde as forças, - por estar implorando (latindo) há horas -, chora tanto que soluça.
Dó dele cresce ainda mais, quando percebo que a vizinhança está mesmo incomodada com o barulho que ele é capaz de produzir. E não com a situação do pobrezinho.
Nesse momento, ele continua chorando e soluçando sem parar.
Tem coisas que apertam o nosso coração - a ponto dele quase ser esmagado entre os dedos.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Sendo e estando feia.
Quem disse que eu tinha, que eu tenho que ser bonita o tempo todo?
Não tenho hábito de frequentar salões de beleza. Muito menos, beleza natural. Não me encaixo em nenhum padrão da tal da beleza que tanto falam por aí.
Mas parece que convivo muito bem com isso. Posso viver tranquilamente sendo assim ou estando assim: feia.
Acredite, a gente não precisa estar bonito sempre. É do ser humano ser metade feio, metade bonito. Ser ou estar, tanto faz. Não precisa ser ou estar necessariamente metade de cada. Podemos ser uma dessas formas preenchendo mais ou menos da metade do nosso pote.
Mas um dos dois, o feio ou o bonito de nós, pode predominar mais.
Você, eu. Nós podemos estar, nesse momento, predominando feiamente.
Não tenho hábito de frequentar salões de beleza. Muito menos, beleza natural. Não me encaixo em nenhum padrão da tal da beleza que tanto falam por aí.
Mas parece que convivo muito bem com isso. Posso viver tranquilamente sendo assim ou estando assim: feia.
Acredite, a gente não precisa estar bonito sempre. É do ser humano ser metade feio, metade bonito. Ser ou estar, tanto faz. Não precisa ser ou estar necessariamente metade de cada. Podemos ser uma dessas formas preenchendo mais ou menos da metade do nosso pote.
Mas um dos dois, o feio ou o bonito de nós, pode predominar mais.
Você, eu. Nós podemos estar, nesse momento, predominando feiamente.
domingo, 30 de junho de 2013
Cuidado! Elaine escrevendo. Não se aproxime.
Bem que eu poderia mandar confeccionar uma plaquinha com essa frase.
O coitado do meu irmão, toda vez que aparece na porta do meu quarto a fim de conversar besteira, nota que estou muito concentrada no notebook. Ele já sabe:
- Tá escrevendo, né?
Eu:
- É. Sai!
Tadinho.
O coitado do meu irmão, toda vez que aparece na porta do meu quarto a fim de conversar besteira, nota que estou muito concentrada no notebook. Ele já sabe:
- Tá escrevendo, né?
Eu:
- É. Sai!
Tadinho.
Calada, passando vergonha.
E tive toda razão de ficar assim. Vou explicar.
Fazia tempo, a filhinha da vizinha não me via. Eu também não a via. Até me impressionei ao notar o quanto ela está crescidinha. Fazia tempo, ninguém me via na calçada da casa dos meus pais. "Dos meus pais" porque eu mal piso lá, lá não, aqui; estou aqui agora, milagre!
Fazia tempo mesmo, quando, quarta-feira passada à tarde, ganhei folga do trabalho. Era o jogo da seleção brasileira. Todos tinham ido, para suas casas ou para as casas dos outros, torcer. Já eu estava indo torcer pelo extermínio do meu eterno sono acumulado. E escolhi a casa dos meus pais para isso.
Mas antes de eu me render para a cama, resolvi pegar um ventinho na calçada com o passarinho daqui de casa no dedo. Observação: sou contra a domesticação de pássaros. Acontece que minha mãe o comprou quando eu ainda era criança, quando eu achava isso normal. E, mesmo se eu achasse anormal e falasse algo contestando-a, ela não me daria ouvidos. Afinal, eu era só uma criança.
Mas, sim. Depois de um tempão sem aparecer na tal calçada, surgi da abertura do portão de alumínio. Fiquei encostada na parede, admirando o passarinho, conversando com ele e também observando a filha da vizinha brincar com um amiguinho bem menor que ela.
Ela estava pedindo para o pobrezinho carregá-la. Ela em cima de um skate, ele agarrado a uma cordinha amarrada no brinquedo. Ela gordinha, ele magrinho. Ela ria tanto, ele fazia tanta força. Ela gritava tanto, ele se concentrava tanto. Havia uma pequena rampa na calçada da vizinha da frente e, pobrezinho, por mais que se esforçasse, não conseguia fazer o skate chegar até ali com a menina sentada sobre as rodinhas. Fiquei olhando com aflição aquela "arrumação" deles. Deu até vontade de ajudar.
Ficaram nessa história de superação do menininho até que finalmente cansaram. A menina se levantou triunfante do skate e caminhou no asfalto, em frente à calçada onde eu estava. Mesmo achando-a enorme e irreconhecível, eu a reconheci. Quis chamá-la pelo nome, mas me deu um branco e disse apenas:
- Oi, tudo bom?
Ela respondeu " Tudo!" e se aproximou de mim, meio incrédula. Como toda criança, soube ser direta me perguntando:
- Dormiu aí hoje?
Ouvi isso e não consegui responder. Fiquei calada, passando a maior vergonha da minha vida. A minha sorte foi ser salva pelo gongo: criança faz uma pergunta atrás da outra. Ela não seria diferente e, ao olhar para o pássaro no meu dedo, fez outra pergunta logo em seguida:
- Ele voa?
Então, foi isso. Passei vergonha diante da pequena que cresceu, mas que ainda é criança. Fiquei vermelha e não havia buraco na calçada onde eu pudesse me enfiar. Simplesmente por causa de uma criança me questionando, com a maior naturalidade, se eu ainda dormia na casa dos meus pais. Com certeza, por conta do meu sumiço, ela desconfia de que passo dias dormindo fora de casa. Pior: dormindo na casa do namorado. Que vergonha. Que vergonha dela! Vergonha de mim, aliás.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Temos a mesma idade: 6 anos
6 anos ao lado dele.
Do lado dele. Ele do meu lado.
Mas cada um com seu lado, porque entendemos que Isso não pode ser tão invasivo.
6 anos eu rindo dele, ele rindo de mim. Porque a gente corre o risco de perder o outro, mas não perde a piada.
6 anos me declarando pra ele, ele se declarando pra mim.
6 anos de desentendimentos, porque faz parte. Mas 6 anos de muitos entendimentos também.
6 anos porque o amor é mais forte que qualquer briga boba ou séria. Séria, mas que pode ser resolvida. Encontramos a solução juntos.
6 anos porque o sentimento fala mais alto e pode até gritar com a gente.
6 anos porque o amor é enorme o suficiente para tudo não acabar num piscar de olhos.
6 anos disso tudo e, há 1 ano, ele pedindo pra eu só experimentar um pedacinho do churrasco, e eu negando até o fim.
Do lado dele. Ele do meu lado.
Mas cada um com seu lado, porque entendemos que Isso não pode ser tão invasivo.
6 anos eu rindo dele, ele rindo de mim. Porque a gente corre o risco de perder o outro, mas não perde a piada.
6 anos me declarando pra ele, ele se declarando pra mim.
6 anos de desentendimentos, porque faz parte. Mas 6 anos de muitos entendimentos também.
6 anos porque o amor é mais forte que qualquer briga boba ou séria. Séria, mas que pode ser resolvida. Encontramos a solução juntos.
6 anos porque o sentimento fala mais alto e pode até gritar com a gente.
6 anos porque o amor é enorme o suficiente para tudo não acabar num piscar de olhos.
6 anos disso tudo e, há 1 ano, ele pedindo pra eu só experimentar um pedacinho do churrasco, e eu negando até o fim.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Eu infiltrada no mundo delas.
Tem uma coisa em mim; sei lá, pode ser uma
forte inclinação como dizem. Não diria com absoluta certeza que é o tal do
instinto materno, mas pode ser também apenas curiosidade. Isso, acho que tenho
uma curiosidade monstruosa, de tão gigante que é, por miniaturas chamadas de
crianças. Disso que já fomos um dia e, quem sabe, ainda somos um pouco.
Essa minha curiosidade cresce em
proporções inimagináveis quando se juntam crianças num grande grupo que brinca
(briga, birra) no parquinho. Eu não me contenho e preciso ver de
perto várias delas interagindo. Fico parecendo uma bobona sonhando em
voltar no tempo. É como se eu me tornasse a criatura mais carente do grupo.
Detalhe: infiltrada ali ilegalmente! Desejando, a todo custo, me inserir entre os
pequenos, fico tentanto falar a língua deles como se fosse a condição, o
ingresso que me dá acesso ao universo mágico deles. Até que eles me
aceitem e eu me sinta realizada assim.
Num fim de semana desses, eu estava observando a linda
(fofinha, "gotosa", espertinha) filha da minha amiga com as outras
crianças do prédio. Por um momento fingi estar ao menos um pouco interessada na
conversa da roda de mães que havia se formado nos banquinhos do parque. Foi
mais forte do que eu. Fiquei mirando as crianças a todo instante. Foi então que percebi que os pequenos
também haviam formado uma roda de discussão. Na verdade, uma roda de confusão,
boba pra gente, seríssima na visãozinha deles.
A confusãozinha estava se passando na cozinha americana do salão de festas do prédio. Eu cheguei perto, tentei entender mais ou menos o que era o pequeno drama e me encostei no balcão pra ouví-las.
As crianças menores tentavam
entrar no "território" das crianças um pouco mais crescidinhas que
elas. Pouco mesmo, uma diferença bem sutil, mas que pra elas já é uma
grande diferença. O espírito competitivo impera ali. A lei do mais forte sobre
o mais fraco está claramente representada.
Ouvi a
menininha dos olhos verdes falando que ali era uma "loja de
sopas" e que pertencia ao grupo de crianças maiores. Certo, a cozinha americana
tinha se transformado numa loja de sopas. Achei estranho e perguntei:
- Loja
de sopas? Não seria um restaurante de sopas?
A pequena nem deu bola para o meu questionamento sem imaginação. Ignorou-o. Apenas comunicou que faria uma sopa
pra mim. Rapidamente perguntei: "sopa de quê?" Pensei: "Oh,
céus, e se ela só tiver sopa de carne? Terei que tomar mesmo assim para não frustrá-la. Afinal, ela nem desconfia que sou vegetariana. Nunca me viu mais
gorda (magra)" Mas, para meu alívio, respondeu que era sopa de verduras.
Em poucos segundos, muitas crianças se
aglomeraram ao redor do freezer. Até os pequenos, que há pouco tinham sido
expulsos dali.
Eles estavam colocando em cima do freezer os ingredientes da
sopa:
- pétalas de flores do jardim do prédio (importante
misturar várias cores)
- cocos (pedras nem muito pequenas nem muito grandes)
- palhas ressecadas de coqueiros.
Todos estavam empenhados no preparo da tal sopa. Era o primeiro pedido do dia. A chefe de cozinha (a menina dos olhos
verdes) orientava todos a quebrarem os cocos com um brinquedo amarelo
"cheguei", que eles faziam de conta que era uma ferramenta culinária.
E logo a menina dos olhos verdes estava acrescentando dois cocos na minha sopa que eu já estava fazendo de conta que tomava. O pequenininho ao lado dela viu e, imitando-a, colocou mais cocos no meu prato. Aí a chefe chamou sua atenção dizendo que aqueles seriam para os próximos clientes. E eu acabei ficando apenas com dois na sopa. Estranhei os cocos quebrados ao meio na sopa e pedi um para beber. O pequeno ficou satisfeito. Ele agora teria a oportunidade de me servir. Serviu-me e virou alvo de pergunta chata de adulto:
- Xi, mas como vou beber do coco? Preciso de canudinho.
Então o pequeno me entregou uma palha de coco que eu deveria usar como canudo. Compartilhei da imaginação dele, claro. Quem passasse por ali, poderia me ver segurando uma pedrinha com a mão esquerda e, com a mão direita, uma palha velha de coqueiro que quase finquei na pedra, como numa combinação perfeita de coco com canudo.
E desde então, não deixo de observar os pequenos como quem
observa seres de um mundo paralelo a este. Um mundo mais feliz e de imaginação
sem limites.
Eles que não largam da barra da minha saia
Os textos ainda não concluídos, salvos nos rascunhos do blog, estão sempre puxando a barra da minha saia, dizendo:
"Ei, me termina logo!"
"Ei, me termina logo!"
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Como andam as cabecinhas da nova geração?
Eu tinha ido ao posto comprar água. Estava pagando no caixa, quando uma menina de uns 9 anos, acho, com farda de colégio, batom rosa, cabelo ajeitadinho, uma princesa, implorava para o pai com voz melosa e quase convincente:
- Ow, deixa eu ir pra próxima manifestação! Vai todo mundo, pai!
Será que ela faz ideia do que significa participar de um evento desse tipo? Talvez ela não saiba que ir a uma manifestação não é como ir a um show com os amiguinhos. Será que ela acha que, se não for também, mesmo sem causa em mente, será rejeitada pelo grupo? Os amiguinhos estariam apelidando-a de bebê que não vai porque o papai não deixa?
Daí que a gente fica pensando como isso tudo tá mexendo com as cabecinhas da nova geração.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Eu escrevi sobre o senhor!
Aconteceu uma coisa maluca agora à noite. Reencontrei com " o trocador de sorrisos da 03". (Quem ainda não viu, vale a pena ler o post em que escrevo sobre o carismático trocador da topic 03).
Tamanha foi a minha alegria ao reconhecê-lo que, desta vez, resolvi ficar bem pertinho da catraca, em pé e ao lado dele. Fiquei ali no cantinho até chegar na minha parada. Fiquei ali notando que ele não mudou nada. Continua com o mesmo carisma. Continua com seu talento para ser locutor de rádio. Continua fazendo bem aos passageiros que o percebem. Continua um fofo:
- Obrigado! Uma boa noite e até a próxima.
E sempre finalizando com:
- Uma boa noite para todos nós.
Ele também continua devolvendo obrigados:
- Obrigado digo eu!
E eu ali, perto dele, sempre pensando em como retribuir o bem que ele nos faz. Sempre pensando " Eu preciso dizer algo pra ele" Acho injusto ele ficar sem saber do carinho enorme que tenho justo por ele, um desconhecido. Engraçado, nada a ver se referir a ele como "um desconhecido". Desconhecido muito do querido, isso sim.
Mais uma vez, durante toda a viagem fiquei pensando se eu deveria falar algo ou não. Falar o quê? Se eu declarasse o meu carinho por ele, com um " Ei, eu adoro o senhor", os companheiros de topic me achariam super estranha, e suspeita. Acontece que esse sentimento vai crescendo assustadoramente dentro de mim e eu viro refém. Fico sem saber o que fazer com tanto amor. Como é difícil, gente, fazer isso tudo caber dentro de uma só embalagem. Não dá! Por isso que estou aqui compartilhando essa história.
Mais uma vez, minha parada para descida estava se aproximando muito. Eu estava desperdiçando tempo pensando demais. Não me perdoaria se eu não falasse nada pra ele se sentir bem também. Acho que vocês, que acompanharam o relato anterior, também não me perdoariam se eu ficasse muda diante dele.
Mas, voltando aqui. Minha parada já estava muito, muito perto. Já tinham dado o sinal. Sabe o que ele fez? O meu querido trocador de sorrisos, de gentilezas e de tantas outras coisas boas, viu que eu continuava perto dele e recomeçou a desejar boa noite para nós e para todo mundo. Falou todas essas coisas boas olhando bem pra mim. Parecia saber que eu tinha algo a dizer. Sabia que eu estava passando por dificuldades de me expressar, de falar sobre o que estava sentindo. Lançou olhar curioso pra mim. Sua expressão era de quem diz " Fala. Sei que você quer me dizer algo" O sentimento não coube mais em mim e eu tive que dizer:
- Eu escrevi sobre o senhor.
Ele estava segurando a prancheta que sempre carrega na mão quando está prestes a finalizar a viagem da noite. Eu vi que ele segurava também uma caneta. Aí eu disse:
- Tem como anotar?
Mas a topic já estava parada esperando por mim. Ele ficou sem saber o que fazer. Olhou para o motorista como quem pede para esperar. Diante do embaraço e da falta do tempo que eu perdi, tive que descer apressada. Ele ficou curioso, claro. Deve ter se perguntado sobre onde eu teria escrito sobre ele. Numa folha de papel apenas? Outras pessoas teriam lido sobre ele nesse troço famoso que chamam de rede, de internet?
Não sei sobre o que ele ficou pensando, mas sei que outra vez o trocador de sorrisos da 03 tocou meu coração ao agradecer assim:
- Obrigado! Obrigado pelo carinho e respeito.
Fez expressão bondosa no rosto. Expressão da mais pura felicidade e gratidão. Quer dizer, mesmo sem saber do conteúdo que escrevi, ele agradeceu com ternura.
Antes de eu colocar o pé no primeiro degrau da escadinha pra descer, frisei:
- Escrevi e foi falando bem do senhor! Depois eu mostro!
Pronto, falei! Não falei tudo que eu queria, mas já me sinto bem melhor agora. Bem mais feliz.
domingo, 23 de junho de 2013
Essa história da gente torcer
Hope Springs, o filme:
http://www.youtube.com/watch?v=1cVMqWmY1c4
Essa história pra quê?
Pra rir
Pra chorar com o drama,
Pra gente fazer drama junto
Esse filme pra quê?
Pra rir de novo em poucos segundos
Pra chorar de tanto rir,
Chorar de tristeza
Pra confessar:
- sim, eu choro vendo filme.
Essa ficção com cara de realidade pra quê?
pra gente morrer
de raiva do mocinho
(que já não é tão mocinho e um tanto ranzinza)
Essa história pra gente
entender o lado dela,
entender o lado dele,
nos colocarmos nos lugares deles
e dos outros
nos colocarmos de volta em nossos lugares
Esse filme pra
assistirmos juntinhos
Pra torcermos
(pela seleção brasileira que nada!)
Torcermos pelo casal.
Torcermos pelo
Amor.
sábado, 22 de junho de 2013
O meu humor negro.
Imagina você descendo do seu último ônibus lotado do dia, a minutos da sua casa, aí vem um desses caras chatos de programas televisivos te dar como brinde a pergunta " Qual o seu maior sonho?" Pior, exigindo de você uma resposta rápida para um questionamento tão complexo. Pior ainda: você ter que passar por isso com um cara apontando pra você uma super câmera profissional como quem empunha uma arma. E você ali enquadrado na cena como um pateta.
O que acabo de descrever não é apenas uma situação hipotética. Já aconteceu de verdade comigo. Só que não na situação de descer de um ônibus cheio até a tampa, o que seria mais terrível ainda. Nesse dia eu estava indo ao Pão de Açúcar comprar um lanche para levar pro trabalho. Eu estava indo a pé, já que era tão perto. Quando eu já alcançava a metade de uma praça, virei alvo de uma entrevista "relâmpago". No meu caso, o cara chato de programa televisivo que citei no início desse texto não era um cara, era uma repórter que parecia muito apressada. Olhei para o seu microfone e vi que tinha um adesivo grudado nele com o nome do programa. Não me lembro mais qual era, mas sei que tinha a palavra "sonho" no meio.
Apesar das minhas diversas formas de dizer que não queria dar entrevista. Apesar de confessar pra repórter que me sentia mais à vontade escrevendo do que falando (pior ainda falando com câmeras). Apesar de refletir e concluir em voz alta que não tinha uma resposta pronta naquele segundo. Apesar disso e daquilo outro (eu fui criativa), a repórter insistiu, exigiu, me obrigou a lhe dar uma resposta. Pensei em sair correndo dali. Pensei bem e imaginei que, se eu fizesse isso, de uma pateta eu iria evoluir para a retardada que fugiu correndo. Já que a repórter não me deu outra alternativa, dei respostas que ela queria ouvir. E lá estava eu falando sobre paz, bla,bla, blá, blablá. Uma porção de clichês. É, pedir paz pareceu o pedido mais sensato naquela situação em que me meti, ou melhor, que me meteram.
Certo! Depois de me livrar da repórter e de sua entrevista forçada; e depois de conseguir chegar ao Pão de Açúcar, pensei: "Bom, só o que falta agora é uma promotora de merchandising me abordar com um:
" O que faz você feliz?"
Nesse caso, eu me mataria ali mesmo, juro. Um minuto de silêncio para o meu humor negro agora.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
maniFesta.
manifesta, Mundo!
Se manifesta, vai.
Mudo tu não muda.
Mostra a cara e se expressa.
E tenha pressa, que é pra
recuperar o tempo perdido.
Uma hora o povo cansa.
Uma hora, qualquer dia desses, o que estava entalado na garganta desentala.
Uma hora a gente muda.
Uma hora essa hora chega; parece que está chegando.
Quem sabe assim o mundo muda, ou uma pequena parte dele.
Uma melhoria que seja tá valendo.
Manifesta, Mundo!
Mostra a cara
Mostra o corpo inteiro.
Manifesta, Mundo!
Faz a festa nesta merda.
Mas faz a festa sem violência, que é pra
não dar mau exemplo.
Reclama, Mundo.
Mais que isso:
reclama e faz alguma coisa.
Se manifesta, vai.
Mudo tu não muda.
Mostra a cara e se expressa.
E tenha pressa, que é pra
recuperar o tempo perdido.
Uma hora o povo cansa.
Uma hora, qualquer dia desses, o que estava entalado na garganta desentala.
Uma hora a gente muda.
Uma hora essa hora chega; parece que está chegando.
Quem sabe assim o mundo muda, ou uma pequena parte dele.
Uma melhoria que seja tá valendo.
Manifesta, Mundo!
Mostra a cara
Mostra o corpo inteiro.
Manifesta, Mundo!
Faz a festa nesta merda.
Mas faz a festa sem violência, que é pra
não dar mau exemplo.
Reclama, Mundo.
Mais que isso:
reclama e faz alguma coisa.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Nós, mulheres, somos horríveis. Vocês, homens, também.
Nós, mulheres, somos uma coisa horrorosa. E não há velha desculpa de t.p.m que nos livre dessa terrível constatação. Um horror não termos o controle de nossa própria língua. Mas, cá pra nós, tem homem que quase se iguala, nos supera, até.
Longe de mim promover uma guerra entre os sexos. Na verdade, todos nós, mulheres, mulherzinhas, homens, homenzinhos, que seja, nós, pessoas, reparamos em tudo; dos outros. Estamos de olho no outro. Se este vai bem a gente repara. Se aquele outro vai mal reparamos ainda mais. No entanto, pouco reparamos em nós mesmos. Logo, pouco sabemos de nós mesmos. Pouco sabemos do que realmente nos deixa satisfeitos. Desculpa, leitor, incluir você nesse caso usando o "nós", o "nos", mas é que a esmagadora maioria de nós é assim. É ou não é? Vamos ser francos.
Tem dias que não temos tempo de sentir nosso coração batendo nem o sangue circulando. Passamos rápido na frente do espelho e fingimos que não nos esquecemos, quando, no fundo, a gente está ali pensando em outra coisa; e não em consertar o cabelo assanhado, e não em retocar o batom, e não em garantir a saúde bucal e não em qualquer coisa.
Mas, voltando aqui, nós temos essa mania feia de reparar. Como se não bastasse reparar, encaramos a vítima da vez e cochichamos a respeito com a discrição mais esdrúxula que temos em nosso repertório.
Outro dia, vi uma mulher no ônibus virar pra amiga e questioná-la, como quem protesta sem causa aparente:
- Por que esse óculos, gente?! Por que ela tá usando? (risada sarcástica)
Adivinha de quem ela estava falando. De outra mulher? Não! Pasme, de uma criança. Uma menina, ali nos seus 7 aninhos, de mãos dadas com a mãe. Estava toda faceira de óculos escuros com armação rosa pink. Certo. Até aí, nada de mais pra mulher ter falado com tanta indignação. Mas era noite. A mulher espantou-se ao notar que a menina estava usando óculos escuros à noite. "Mas que coisa de gente sem noção usar óculos de sol à noite!", pode ter pensado a passageira faladeira. Mal sabe ela que moda de criança é ser espontânea, feliz. Pouco importa se aquilo é inadequado, se foge dos padrões impostos.
domingo, 16 de junho de 2013
A Clarice quase me convenceu com esta história.
Só ela mesmo para quase (eu disse quase) me convencer de voltar a comer galinhas. Logo eu, sua leitora que está fazendo aniversário este mês de 1 ano de alimentação "vegana", ou seja, nada de origem animal no prato.
A Clarice quase me pega com sua poesia, com sua "história de tanto amor". Golpe baixo, viu! Poesia, nesse caso, é golpe baixo mesmo.
Para que você entenda melhor o meu lado nessa história toda, copio a crônica da Clarice logo abaixo e, ao final, para não perder o costume, lembro e escrevo sobre alguma coisa do meu passado em família. Um passado ainda muito recente se passando nas minhas lembranças de infância e de adolescência.
Para que você entenda melhor o meu lado nessa história toda, copio a crônica da Clarice logo abaixo e, ao final, para não perder o costume, lembro e escrevo sobre alguma coisa do meu passado em família. Um passado ainda muito recente se passando nas minhas lembranças de infância e de adolescência.
" Era uma vez uma menina que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos. A galinha é ansiosa, enquanto o galo tem angústia quase humana: falta-lhe um amor verdadeiro naquele seu harém, e ainda mais tem que vigiar a noite toda para não perder a primeira das mais longínquas claridades e cantar o mais sonoro possível. É o seu dever e a sua arte. Voltando às galinhas, a menina possuía duas só dela. Uma se chamava Pedrina e a outra Petronilha.
Quando a menina achava que uma delas estava doente do fígado, ela cheirava embaixo das asas delas, com uma simplicidade de enfermeira, o que considerava ser o sintoma máximo de doenças, pois o cheiro de galinha viva não é de se brincar. Então pedia um remédio a uma tia. E a tia: “Você não tem coisa nenhuma no fígado”. Então, com a intimidade que tinha com essa tia eleita, explicou-lhe para quem era o remédio. A menina achou de bom alvitre dá-lo tanto a Pedrina quanto a Petronilha para evitar contágios misteriosos. Era quase inútil dar o remédio porque Pedrina e Petronilha continuavam a passar o dia ciscando o chão e comendo porcarias que faziam mal ao fígado. E o cheiro debaixo das asas era aquela morrinha mesmo. Não lhe ocorreu dar um desodorante porque nas Minas Gerais onde o grupo vivia não eram usados assim como não se usavam roupas íntimas de nylon e sim de cambraia. A tia continuava a lhe dar o remédio, um líquido escuro que a menina desconfiava ser água com uns pingos de café — e vinha o inferno de tentar abrir o bico das galinhas para administrar-lhes o que as curaria de serem galinhas. A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas: tanto o homem como a galinha têm misérias e grandeza (a da galinha é a de pôr um ovo branco de forma perfeita) inerentes à própria espécie. A menina morava no campo e não havia farmácia perto para ela consultar.
Outro inferno de dificuldade era quando a menina achava Pedrina e Petronilha magras debaixo das penas arrepiadas, apesar de comerem o dia inteiro. A menina não entendera que engordá-las seria apressar-lhes um destino na mesa. E recomeçava o trabalho mais difícil: o de abrir-lhes o bico. A menina tornou-se grande conhecedora intuitiva de galinhas naquele imenso quintal das Minas Gerais. E quando cresceu ficou surpresa ao saber que na gíria o termo galinha tinha outra acepção. Sem notar a seriedade cômica que a coisa toda tomava:
— Mas é o galo, que é um nervoso, é quem quer! Elas não fazem nada demais! e é tão rápido que mal se vê! O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!
— Mas é o galo, que é um nervoso, é quem quer! Elas não fazem nada demais! e é tão rápido que mal se vê! O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!
Um dia a família resolveu levar a menina para passar o dia na casa de um parente, bem longe de casa. E quando voltou, já não existia aquela que em vida fora Petronilha. Sua tia informou:
— Nós comemos Petronilha.
A menina era uma criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e no entanto a menina continuava a amá-la sem esperar reciprocidade. Quando soube o que acontecera com Petronilha passou a odiar todo o mundo da casa, menos sua mãe que não gostava de comer galinha e os empregados que comeram carne de vaca ou de boi. O seu pai, então, ela mal conseguiu olhar: era ele quem mais gostava de comer galinha. Sua mãe percebeu tudo e explicou-lhe:
— Quando a gente come bichos, os bichos ficam mais parecidos com a gente, estando assim dentro de nós. Daqui de casa só nós duas é que não temos Petronilha dentro de nós. É uma pena.
Pedrina, secretamente a preferida da menina, morreu de morte morrida mesmo, pois sempre fora um ente frágil. A menina, ao ver Pedrina tremendo num quintal ardente de sol, embrulhou-a num pano escuro e depois de bem embrulhadinha botou-a em cima daqueles grandes fogões de tijolos das fazendas das minas-gerais. Todos lhe avisaram que estava apressando a morte de Pedrina, mas a menina era obstinada e pôs mesmo Pedrina toda enrolada em cima dos tijolos quentes. Quando na manhã do dia seguinte Pedrina amanheceu dura de tão morta, a menina só então, entre lágrimas intermináveis, se convenceu de que apressara a morte do ser querido.
Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina. O amor por Eponina: dessa vez era um amor mais realista e não romântico; era o amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, a menina não apenas soube como achou que era o destino fatal de quem nascia galinha. As galinhas pareciam ter uma pré-ciência do próprio destino e não aprendiam a amar os donos nem o galo. Uma galinha é sozinha no mundo.
Mas a menina não esquecera o que sua mãe dissera a respeito de comer bichos amados: comeu Eponina mais do que todo o resto da família, comeu sem fome, mas com um prazer quase físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida. Tinham feito Eponina ao molho pardo. De modo que a menina, num ritual pagão que lhe foi transmitido de corpo a corpo através dos séculos, comeu-lhe a carne e bebeu-lhe o sangue. Nessa refeição tinha ciúmes de quem também comia Eponina. A menina era um ser feito para amar até que se tornou moça e havia os homens."
Em "uma história de tanto amor", p. 69-73

Lembro-me de quando eu era mocinha. Minha mãe criava galinhas no quintal. Houve um tempo em que ela se apegou com uma das galinhas (uma pena eu não lembrar do nome que minha mãe deu a ela; só sei que era engraçado).
Certo dia, lá vem minha mãe com sua galinha preferida apertada num abraço incomum. Pediu que eu corresse e voltasse com a máquina fotográfica. O cenário da foto foi o jardim da nossa casa. Registrei as duas bem juntinhas entre as plantas. Claro que a pobre da galinha estava amedrontada com aquela demonstração de afeto repentina. Minha ligeira impressão era de que a ave estava bolando um plano pra cair fora daquela situação embaraçosa somente para ela. Eu ria muito daquilo. Mas não vi graça nenhuma no dia em que vi, da cozinha, minha mãe lá no quintal se preparando para puxar o pescoço da bichinha.
Eu nunca entendi de onde minha mãe tirava coragem para tal coisa. Que dó da galinha!. Na época, eu adorava e devorava galinha cozida. Eu engolia até os ossos. Mas daquela galinha eu não me fartei. Eu me recusei. Se eu a comesse, me sentiria uma criminosa. Cúmplice de assassinato. Não demorou muito e eu esqueci o trauma. Tinha voltado a apreciar pratos de galinha cozida com cuscuz. Hoje sou vegetariana. Engraçado. Se não engraçado, no mínimo curioso.
Certo dia, lá vem minha mãe com sua galinha preferida apertada num abraço incomum. Pediu que eu corresse e voltasse com a máquina fotográfica. O cenário da foto foi o jardim da nossa casa. Registrei as duas bem juntinhas entre as plantas. Claro que a pobre da galinha estava amedrontada com aquela demonstração de afeto repentina. Minha ligeira impressão era de que a ave estava bolando um plano pra cair fora daquela situação embaraçosa somente para ela. Eu ria muito daquilo. Mas não vi graça nenhuma no dia em que vi, da cozinha, minha mãe lá no quintal se preparando para puxar o pescoço da bichinha.
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