quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Ana - a mais linda que já vi - viu o texto. Muita emoção.

Descobri que melhor do que escrever sobre pessoas bonitas, é fazer essas pessoas tomarem conhecimento do que escrevi sobre elas. Descobri isso hoje, quando entrei em ação: acessei o Três Paredes, busquei por "A Ana mais linda que já vi", encontrei rapidinho e mandei pra impressora. Caminhei até a máquina com ansiedade. Vi que o texto no blog rendeu duas folhas. Achei a fonte um tantinho pequena, mas resolvi não imprimir de novo. Seria desperdício de papel. Além do mais, logo a impressora poderia fazer doce pra mim, piscar luzinhas vermelhas e não imprimir mais. Também imaginei que a homenageada em questão não caberia em si de curiosidade, se utilizando de qualquer meio (lupa, quem sabe) para tornar aquelas letras legíveis e, assim, decifrar o que está lá.

Ei, você leitor que acompanhou minha história com a "Ana mais linda que já vi", hoje eu entreguei a impressão do texto para ela ler (de modo baixinho, silencioso ou em voz alta. Não sei como foi sua forma de ler, já que deixei secretamente em sua mesa para ser a surpresa do dia). Só sei que a Ana leu sim, cada letra, cada vírgula, cada possível erro ortográfico/gramatical. Ela veio me entregar, pessoalmente, sua resposta num papel dobrado com todo carinho. Não estava escrito à mão. Ela fez questão de digitar também, assim como o meu estava digitado no blog. O conteúdo só podia ser lindo, claro, vindo de uma pessoa linda:

" Estou lhe escrevendo, porque não vou conseguir falar com você, pois estou muito emocionada pela sua amizade, ou melhor dizendo, pela demonstração de seu amor e de teu grande talento. Você escreve muito bem.
 LINDA é você, pois tem a capacidade de mexer com o interior da pessoa com as palavras. Você chama isso de mania, eu chamo isso de TALENTO. Vou guardar na minha caixinha de tesouro que tenho em casa e, sempre que vou arrumar meu guarda-roupa, abro esta caixinha e fico horas vendo cada joia guardada.
Que Deus lhe abençoe e que todos os seus sonhos e metas em sua vida sejam concretizados.
De sua mãe, irmã, amiga...
Ana"

Sim, eu entreguei mesmo o texto pra Ela, a protagonista da história. Quer dizer, muita responsabilidade pra quem escreve sobre alguém que gosta tanto. Como descrever essa pessoa? Como chegar, por meio de palavras apenas, ao mais próximo possível do jeitinho especial de ser daquele(a) querido(a)? Eu fico em estado de tensão, sério! Geralmente, passo meses com ideias, diálogos decorados e as minhas impressões do momento vivido junto da pessoa. Simplesmente banco a egoísta e fico guardando histórias fofas na minha gaveta com fechadura. Não divido com ninguém; a não ser com as várias Elaines que formam a minha identidade. Fico assim, escondendo cenas que poderiam ser relatadas instantaneamente, mas talvez com poesia crua, verde ainda pra ser retirada do pé. E até que tem sim o lado bom de demorar a colocar no papel. Permaneço assim até falar pra mim mesma o que diria meu professor " O impossível não é tão impossível assim. É uma possibilidade" Aí, decido vir pra cá (tresparedes.blogspot.com) ou já ir fazendo um rascunho no meu caderninho, presente que ganhei de outra amiga muito querida; foi a maneira que ela encontrou de me incentivar a nunca sequer pensar em demorar a escrever ou parar de escrever.

Então, depois de expulsar o egoísmo de mim, de pensar na frase " o impossível não é tão impossível assim", vou em busca das possibilidades de contar aquela história especial pra mim e, em breve, especial também para o outro (assim eu sonho) que for ler. É meio complexo, mas simplesmente venho aqui, no Três Paredes, e decido compartilhar algo de bom. Fico esperando que você goste, que você viva a história comigo.

domingo, 26 de maio de 2013

Um dos maiores presentes que o Três Paredes poderia ter ganho e ganhou (:

A homenagem que me deixou sem palavras, mas me deixou feliz da vida. Quem diria, eu feliz sem palavras para escrever!

Lágrimas, literatura e gripe


Nestes vinte e muitos anos de táxi, talvez possa contar nos dedos as vezes que faltei ao trabalho. Sou compulsivo, disciplinado, desde pequeno - quando criança detestava faltar à escola. Um chato. Depois que virei pai, então, essa neura piorou. Responsabilidade.



Mas hoje estou em casa, doente, escrevendo este texto em pleno horário de trabalho. A gripe me derrubou. Mesmo escrever é uma tarefa penosa quando se está com o corpo dolorido, mas  fui puxado para o teclado. Uma garota do Ceará tirou-me da cama, resgatou-me pra vida. Recebi seu email como uma Benzentacil, uma Loratadina na veia. Em sua mensagem ela diz que chorou em um táxi e lembrou-se de mim. Isso em Fortaleza!


Casualmente, hoje é 23 de maio de 2013. Há exatos dez anos, eu publicava meu primeiro texto no Diário Gaúcho. Surgiam os blogs e eu fundava o Taxitramas. Desde lá, venho perseguindo esse arremedo de literatura semanal, tanto no jornal como na Internet. Parabéns - antialérgico e antibiótico no lugar de bolo. A garota do Ceará chorou no escuro do táxi, voltando de uma festa, porque ainda não tornou-se a escritora que sonha ser. Nem eu, tão pouco.

Mas nós teimamos em escrever, eu e minha amiga virtual. Nas horas vagas, como hobby, que seja, ou no horário de trabalho (entre uma corrida e outra), eu no meu blog, ela no Três Paredes, isso é tipo uma doença, eu acho. Ou um tipo de remédio, que nos tira da cama, nos faz ir em frente.

Minha amiga chorou em um táxi em Fortaleza e o taxista não notou. Ela, então, lembrou de mim, que não perderia a oportunidade para escrever sobre a passageira que chorou. E, indiscreto, publicaria suas lágrimas no jornal, no blog. Porque é infinita a dignidade de uma mulher que chora em silêncio.

Várias vezes pensei em parar de escrever, nesses 10 anos. Mas mensagens como a da minha amiga cearense me levam adiante. Ela tão jovem, eu cinquenta. Ela lá, eu aqui. A literatura nos conecta, seca as lágrimas, cura a gripe."


Do querido Mauro taxista e escritor.
http://www.taxitramas.com.br

quinta-feira, 23 de maio de 2013

- Esse aí não vale nada, minha filha!

Foi o que a senhora, no supermercado, me disse. Não estou inventando, nem adaptando, nem trocando uma palavra do que ela me falou naquele dia. O dia em que eu, humildemente, assumi pra mim mesma que não sabia escolher um (...) maracujá.

Eu tava por ali, encabulada, quase invisível diante de uma montanha de maracujás à minha escolha. Fiquei observando esta senhora que estava pertinho de mim. Parecia muito experiente no ofício de escolher. Reparei também num senhor cheio de bom humor. Ele estava rindo uma risada gostosa, quando perguntou pra ela:

- O que é que a senhora tanto ouve aí?

Aí ele pegou um maracujá também e imitou com fidelidade o que a senhorinha tava fazendo. Levou a fruta até a orelha e ficou balançando-a, como quem aguarda ouvir algum barulho vindo de algum canto desconhecido. Sabe aqueles brinquedos de criança que emitem sons engraçados? Ou aquelas bolinhas que você compra pro seu cachorro? Que quando ela sai quicando, sai também fazendo um barulhinho? Acho que o senhor aguardava algo do tipo.

Assim ele me deixou ainda mais curiosa. Minha vontade de descobrir o segredo do Maracujá perfeito cresceu assustadoramente. Depois de rir também, como se fosse amiga de longa data dos dois, tive a brilhante ideia de pedir ajuda pra sábia senhorinha:

- Bom dia, senhora! Como eu escolho um maracujá bom pra fazer suco?

Ela tinha acabado de descartar mais outra fruta. Assim que me ouviu, pegou de volta o maracujá rejeitado e pediu que eu o sentisse, exatamente como ela estava fazendo. Senti a polpa da fruta dançando freneticamente por dentro. A senhorinha, então, vendo que eu tinha captado a mensagem, ergueu as sobrancelhas e disse:

- Tá vendo?! Esse aí não vale nada, minha filha!

Se você também não sabe escolher maracujá, fica aqui como lição do dia: se o carocinho mexer muito, é porque não há polpa que preste lá dentro. Não presta pra fazer suco. Bem, foi o que a senhorinha me ensinou, e sem se estender muito feito eu contando essa história.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O tio de uma amiga minha e o malandrinho abençoado

O tio e tia de uma amiga minha são a calmaria em pessoas. Tão tranquilos que, se você ouví-los cinco minutinhos que seja, é capaz de pegar no sono. Se eles cantarem, então, o estágio do seu sono evolui para profundo. Bem, foi o que a minha amiga me disse. Eu adoraria conhecê-los. E acho que você, leitor, também. Ainda mais com o que vou contar agora. Sabe aquelas histórias que contando ninguém acredita?

O tio dessa minha amiga; se você gosta de nomes, o Júnior, o Tio Júnior vinha caminhando numa avenida bem movimentada, próxima a um shopping "populoso" aqui de Fortaleza. De longe se podia avistar o Tio Júnior andando a passos curtos, não só curtos, estreitos e serenos como os de uma tartaruga madura e experiente.

Vinha com o braço direito muito bem encaixado na cinturinha do seu violão. Caminhava ora de cabeça baixa refletindo, com uma calma incomum, sobre todos os afazeres que lhe aguardavam, ora de careca erguida, contemplando o dia ensolarado e checando se podia atravessar as ruas secundárias sem grandes surpresas.

O fato da avenida ser bastante agitada, todo mundo sabe que não é impedimento algum para aproximação de espertinhos, malandros espertinhos. Sim, o nosso Tio Júnior corria perigo. Apesar de ser a tranquilidade em pessoa, o Tio Júnior não é de outro planeta e muito menos ingênuo. Ele sabe que corre riscos, mas não é isso que vai aprisioná-lo atrás das grades da sua própria casa. Ele precisa ir ao trabalho todos os dias. O médico lhe recomendou caminhadas de manhã cedinho. E além do mais, é tão pertinho. Quatro quarteirões e ele já pode ir abrindo sua lojinha de instrumentos musicais.

Mas vamos logo à parte da história que nos deixa apreensivos. O malandro espertinho também avistou, já de longe, o Tio Júnior. Ia pedalando ao seu encontro. Podemos até escutar agora o barulhinho inconveniente das correntes da bike faltando um óleozinho lubrificante. E então o barulho do freio ao lado do Tio Júnior, e o ladrãozinho inoportuno comunicando pra que veio:

- É um assalto, tio! Passa o celular e o violão!

O Tio, surpreso, mas sem perder o rebolado da sua calmaria, entregou nas mãos do outro os dois objetos desejados. Primeiramente, o celular, e sem hesitação alguma. Depois, o violão, com hesitação sigilosa e com sobrancelhas franzidas desenhando preocupação na testa. Mesmo nesse estado, quando o espertinho virou as costas, o Tio Júnior reagiu. Oh, Céus, o Tio Júnior reagiu ao assalto! Ele disse:

- Vá com Deus! Deus te abençoe!

O malando espertinho, até então se achando muito esperto, tinha sido pego de surpresa. Virou-se de volta pro Tio e perguntou meio arrependido:

- Você é evangélico?

O Tio:

- Não! Espírita.

O ladrão parou pra pensar um instante e tentou negociar:

- Pois vamo fazer o seguinte: te devolvo o celular e levo só o violão!

O Tio Júnior imediatamente respondeu de um jeito tão imediato que não poderíamos nem reconhecê-lo mais:

- Não, meu filho. Fica com o celular e dê cá meu violão, que ele é meu instrumento de trabalho.

E o ladrão, profundamente arrependido e querendo, a todo custo, garantir seu lugarzinho no céu, logo fechou a negociação:

- Ah, tá certo! Taí seu violão. Vá com Deus!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fazendo hora com o Tempo.



Era tanta felicidade, no domingo de ontem ao lado dele, que a seguinte pergunta me veio à mente:

Como a gente faz pra esse momento aqui durar mais?

Há certas inquietudes que nos vêm à mente como se não tivéssemos parado pra pensar naquilo antes. Acontece uma guerra dentro da sua cabeça e, logo em seguida, uma pergunta é formulada. Pergunta questão de prova, como diziam meus professores do terceiro ano pré-vestibular. Reflete-se sobre aquilo e pá, você se vê falando o que pensou. Você questiona na busca por uma resposta ou mesmo por várias respostas, o que vai te deixar ainda mais confuso, ou não.

No meu caso, eu penso com meus botões e alimento um desejo incontrolável de compartilhar aquela angústia com alguém.  Então eu lanço o desafio pra quem está ali de bobeira conversando comigo. Mais uma vez, o meu namorado foi o desafiado. E perguntei sem alterar uma palavra do que estava se passando na minha cabeça:

- Como a gente faz pra esse momento aqui durar mais?

E aí ele respondeu rápido como se fosse uma questão de lógica:

"- Ué! Registrando! Vamos já lá fora bater fotos"

Achando a ideia ótima, eu respondo:

- Olha, não tinha pensado nisso. Daria uma boa propaganda de máquina fotográfica essa nossa conversa.

Registramos cada momento feliz que aconteceu. Registramos cada pose inventada, cada careta pintada no rosto, cada biquinho de beijo. Registramos cada um de nós, e cada um de nós dois em um só. A gente se eternizou ali.

E como não se vive só de imagens, resolvi relatar isso aqui agora, só pra garantir a permanência daqueles momentos também na escrita. Só pra fazer hora com o tempo e sua obsessão de querer passar rápido.

O tempo feliz, pra nós dois, passa devagar, devagarinho. Tudo que é bom dura muito.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A Ana mais linda que já vi


Faz um tempinho (já) que eu venho carregando comigo, dentro do coração, circulando de uma por uma das artérias e veias que tem lá, a experiência que vivi junto de uma das pessoas mais lindas que eu já pude enxergar. Não que eu tenha o dom de enxergar facilmente as pessoas, não é isso. É que essa pessoa é tão iluminada de um jeito que ela abriu portas pra mim sem nem perceber.

Além de portas, abriu janelas com cortinas esvoaçantes. Assim, ela me deixou ver sua alma. E todas suas fraquezas se prostraram na minha frente como quem diz: "Você nos vê tão claramente, que pode até nos tocar, se quiser". Isso no mundo em que a maioria da gente, antes de sair de casa, puxa do guarda-roupa uma armadura, pendurada num cabide especial que suporta tal peso, e a veste só pra manter as aparências. E só pra dizer que você é um forte que nem o sertanejo descrito pelo Euclides da Cunha, ou melhor, que nem o Homem de Ferro do cinema. É neste nosso mundinho aqui, que temos a Ana. Mundinho que vira Mundo com a presença dela.

Ana é o primeiro nome da minha mãe de sangue. Mas esta Ana eu considero "minha outra mãe", embora não me sobre tempo suficiente pra me dedicar a ela. Do dia a dia. Tudo culpa da correria do dia a dia. Ou culpa minha mesmo.

Aquele dia era o dia do aniversário da Ana. Se bem que pessoas assim não têm dia definido pra cantarmos parabéns pra você. Todo dia a gente tem que dar os parabéns. Até naqueles dias que a pessoa jura que não é o dia dela. "- Que hoje não é o seu dia o quê? É sim. Sempre!" A gente pode até falar assim pra alguém feito a Ana.

Mas foi no dia oficial do aniversário da Ana que eu consegui reservar um tempinho pra ficar conversando com ela. Mesmo eu não tendo religião, na verdade, não tendo um nome pra nomear minha religião, fiquei ouvindo ela contar as histórias da Bíblia.

Perspicaz, expressiva e dona de uma voz enérgica, ela é narradora e personagem ao mesmo tempo. Cria sua própria versão da história sem comprometer o sentido da original. Estava me contando sobre Adão e Eva e a Serpente. Apontava pra gaveta da cozinha onde estávamos, dizendo que dentro dela havia todos os poderes que o outro (em forma de serpente) havia ofertado para ela, a Eva.

Estava me explicando que, se abrisse aquela gaveta, tudo estaria perdido. E assim ela continuou atraindo meu interesse por sua história bem contada até aparecer uma conhecida sua, colega de trabalho. Esta lhe deu um abraço, cochichou algo no seu ouvido e lhe entregou um presente. Apareceu só pra fazer essas três coisas, nesta sequência que descrevi, e nos deixou a sós novamente.

Então, a Ana me olhou com olhos mergulhados na profundidade do seu mar. Com a voz enfraquecida e trêmula de choro, revelou:

"- Eu não sou isso. Não sou!" Exclamou, deitando no ar suas mãos.

Sem saber o que dizer, eu quis entender:

- Como assim, Ana?

"- Isso! Isso aqui, oh!" - Estava apontando pra si mesma agora.Continuou em tom enfático:

"- Eu magoo as pessoas com palavras, minha filha!"

Eu nunca tinha visto tamanha humildade numa pessoa só. Desconfio de que tenha recebido elogios da amiga que cochichou no seu ouvido. Ela não soube lidar com os elogios. Não se sentiu digna de tanto e desabou em seguida.

Eu não sabia o que fazer para acalmá-la. Eu a abracei num abraço demorado. Eu podia sentir o coração dela doendo. E parecia que doía no meu. Eu estava chorando com ela. A única coisa que eu consegui dizer foi:

 - Pois pra mim você é linda. Muito linda. A pessoa mais linda que já vi!

Felicidade tem nome, nomes.

Enganada, eu achava que obrigatoriamente teria que sair de entre quatro paredes... (com a mochila "Yin's girly backpacks" - preta com estampa imitando listrinhas de zebra e acabamentos e zíperes cor rosa choque brilhante - que meu pai comprou pra mim e que eu resolvi usar só porque foi ele que me deu).. pra esbarrar com gente estranha. No bom sentido, claro. Sim, eu falo, eu adoro conversar com estranhos. Estranhos, estranhamente, extremamente legais.

Aí ontem minha felicidade ganhou mais um nome. Melhor, dois: Bárbara e Michele. A felicidade que o cantor Otto descreve muito bem na canção "A Noite mais linda do mundo". Ele canta:

"Felicidade
 Não existe
 O que existe na vida são momentos felizes"

 E a Bárbara e a Michele me deram um super momento feliz. Tão feliz, que eu quase não cabia em mim mesma. E elas me presentearam da forma mais simples.

Depois de eu publicar " O Homem do cheiro verde e alface", a postagem logo abaixo. Depois de eu divulgar no facebook e aguardar feito uma boba alguém curtir, como se fosse uma condição pra eu ser uma pessoa feliz e realizada. Depois de esperar, e nada, começaram as raras e pouquíssimas curtidas (momento pena de mim mesma):

Fulano curtiu isto (1),
Sicrano curtiu isto (2 curtiram isso),
Beltrana curtiu isto (3 curtiram isso).

- E acabou! Mais ninguém curtiu ou vai curtir seu texto bobo, Elaine! (O Facebook fala pra mim.)

Quase conformada, desligo a janelinha do facebook malvado. Afinal, não é nada bom ficar alimentando falsas esperanças. Ainda mais sendo uma aspirante a escritora com apenas três leitores, três curtidas ( que eu saiba sim, só três. E até combina com o nome do blog: Três Paredes).

Tento esquecer e abro uma nova janela. Vou checar meu e-mail (e aquela esperança martelando no coração). É quando uma surpresa, em forma de e-mail, sorri pra mim. O Gmail, feito um anjinho que só traz notícia boa, me avisa:

- Bárbara marcou você no Facebook.

"Tinha que ser a fofa da Bárbara", penso com meus botões, três botões, três paredes e a triste lembrança de APENAS três "curtiram isso."

E lá estava no facebook dela, compartilhado com "Público", o presente que ganhei:

"Como é bom encontrar gente que presta atenção no dia a dia, nos detalhes das coisas mais corriqueiras (e que ainda escreve tudo isso!). Só amor por essa Elaine ♥"

Sem pensar duas vezes, eu curti e comentei: "E como é bom ver que as amigas gostam." E uma nova estranha legal me surpreende. Isso enquanto estou entre as quatro paredes do meu quarto, achando que não sou tão bem aventurada assim pra conhecer gente estranha e legal em pleno conforto da minha casa. Sem precisar ir até a parada de ônibus, toda paciente na espera graças ao livro que tiro de dentro da sacola.

A felicidade chamada Michele está online e comenta a publicação da outra felicidade chamada Bárbara: 

"Não sou amiga, mas adorei!"

E pra felicidade completar o sorrisão pra mim, até ficar com furinhos na bochecha, ela complementa:

" E ah, o trocador eu não conheço, mas o senhorzinho do "Jesuuus está voltando!!!", já vi muito! HAHAHA"

E assim a minha felicidade passou a ter mais dois nomes.

xD

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Homem do cheiro verde e alface

"- Cheiro veeeeerde e alface!"

Do jardim, e acho que em qualquer canto da minha casa, eu consigo ouvir o homem simples que passa na rua. A rua quase deserta do meu bairro, em torno das nove da manhã. O vendedor faz repetidos anúncios do seu produto verde usando o método mais tradicional: sua própria voz, e repetindo sempre "Cheiro verde e alface". Até que uma hora ele cansa e anuncia apenas o cheiro verde, prolongando ainda mais a pronúncia da segunda palavra, como pra compensar a ausência do alface.

De férias do trabalho, eu aproveito pra voltar às minhas raízes. De corpo inteiro de volta à infância. De volta à minha casa. Sempre andando descalça e ouvindo minha mãe com sua incansável ladainha "Calça a chinela, menina!"

Eu não me importo com chinelas e vou curiosa até o portão pra saber como o dono daquela voz é. Como meu querido personagem da vida real é. Como é seu andar. Como é seu rosto. Onde ele carrega o cheiro verde e o alface.

Ele já tinha caminhado mais da metade da rua, quando eu apareci no portão. De costas pra mim, eu não pude ver seu rosto. Magro e baixinho, ele seguia em frente carregando um carrinho de mão, sobre o qual havia um pano cuidadosamente colocado para receber os cheiros verdes e alfaces. Enquanto eu o observava, reparava também, com alguma expectativa, nos portões das casas vizinhas. Com formação em publicidade, passei a ter o hábito de observar se determinado anúncio faz efeito nas pessoas. Fiquei esperando alguém aparecer com moedinhas a fim de trocar por verduras. Mas o homenzinho parecia não esperar ninguém. Resignado, ele prosseguia com seu carrinho e seu tom de voz já cansada.

Fiquei observando até ele desaparecer como uma miragem que, de repente, se desfaz. Pensei: " Poxa, ninguém comprou as verdurinhas dele! Tomara que nas outras ruas dê certo" Voltei pro jardim e tranquei o portão por medo de assalto. E agora eu tô matutando que tenho até a próxima semana, minha última semana de férias, pra ficar a postos, esperando por ele com minha bolsinha de moedas na mão. Na rua 13 ele vai ganhar uma cliente vegetariana.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Je-sus!

Subi no ônibus. A moça que subiu primeiro tinha mechas roxas por baixo dos cabelos desalinhados. Tinha também uma tatuagem qualquer estampada na panturrilha. "Qualquer", porque ainda não trabalhei a habilidade de observar todos os detalhes no caos das inércias dos ônibus do transporte público daqui de Fortaleza. Mas o que era a tatuagem não importa. O que importa é que presenciei uma situação divertida. Um diálogo divertido entre a moça das mechas roxas e o trocador.


Trocador:
 - Como é?

A moça tinha acabado de passar pela catraca e resmungava alguma coisa que não ouvi, mas o trocador sim.

Não obtendo resposta, o trocador insistiu:
 - O que é?!

A moça se desentendia com sua própria bolsa, ou melhor, com a confusão de coisas dentro da sua bolsa, quando se deu conta do trocador.

Moça:
- Oi?

Trocador:
- Não, é que você falou meu nome, aí...

Moça:
- Eu falei teu nome? Em que momento?

Trocador:
- Você falou: "Jesus"

A moça, incrédula:
 - Sério que teu nome é Jesus? (Risadas)

Fiquei imaginando o que a moça das mechas roxas tinha dito no momento em que falou "Jesus." Com certeza não era afirmação parecida com a do senhorzinho careca e profeta, que sempre está na janela dos ônibus gritando aos quatro ventos, com toda a força que ainda lhe resta nos pulmões: -"Jesuuus está voltando!!!"

Na hora da moça guardar o troco, talvez a briga com a bolsa tivesse feia o bastante pra ela reclamar com certa impaciência algo parecido com: " Ow, Jesus!" E o trocador quis saber "o que é que tem eu?" Como aquela passageira sabia o nome dele sem nem ao menos ele ter se apresentado? E a moça das mechas roxas e tatuagem na panturrilha parecia não acreditar que existe outro Jesus no mundo. Um Jesus de carne e osso, mortal e, ainda por cima, trocador de ônibus. Talvez a moça do cabelo semi-roxo fale "Jesus" só por falar. Tem gente que vive resmungando e colocando o "Jesus" no meio ou no final ou no início.




quarta-feira, 8 de maio de 2013

Esse cara que olha pra dentro da gente


O homem, que olha pra dentro da gente, parece ser um cara comum, como qualquer outro. Não nasceu com poderes especiais dos heróis de quadrinhos. Não se revela como personagem central nas narrativas do cotidiano. Tem seus defeitos de fabricação e os desenvolvidos ao longo de sua existência. Tem seus estresses e anseios. Não é bem um “Homem que é Homem”, como dizem. Ele também chora. Pode muito bem ainda não saber o que quer desta vida. É inseguro. É medroso. Enfim, ele lembra um homem normal. 

Justamente por isto, o cara que olha pra dentro da gente consegue nos pegar de surpresa e, de quebra, não deixar outra alternativa a não ser a de corresponder ao contato visual (quase espiritual). É muito provável que este homem descubra mulheres tímidas o suficiente para desviar o olhar, deixando-o solitário no fixo jeito de olhar. Mas estas também alimentam a mesma curiosidade daquelas que têm coragem de encarar.

O olhar é sem segundas intenções, por incrível que pareça. Vem em forma de confissão. Quase chega a gritar: "Ei, moça, eu estou te vendo, de verdade!" Ou, no caso do seu par, do seu amor lindamente possível e correspondido: "Ei, moça, eu te vejo e eu te amo, de verdade!". É um grito mesmo, contido nos lábios e incontido nos olhos.

É mais ou menos dessa forma que o cara que olha pra dentro da gente consegue nos abduzir sem necessariamente ser um ET. 

Eu não faço ideia de quais meios este homem utiliza para alcançar tal ato de coragem. Coragem de lançar-se sobre o temido, quase mitológico, interior feminino. Eu não faço ideia disso, mas faço questão de reparar nessas pessoas que conseguem olhar pra dentro de seus semelhantes e, principalmente, dos seus nadinha semelhantes. Essa gente, ao meu ver, é um “Esse cara sou eu” do Roberto Carlos. É o cara! Palmas para pessoas assim.

domingo, 21 de abril de 2013

O espetáculo atrás da coxia do palco

Grupo Diego Borges Dança de Salão

      Até chegar a este momento aí registrado na foto, foram muitos encontros, desencontros, risadas, "bullying", aplausos e gritos de torcida trocados entre dançarinos. Antes mesmo de dançarinos, pessoas de bem e parceiras, como diria nosso querido e carismático professor Diego.

     Antes da portaria permitir a entrada do público, foram muitas decisões tomadas em grupo. Foram muitos ensaios e, a cada término destes, todos formavam um círculo. Os mais exaustos se rendiam ao chão, sentados feito crianças ou deitados no colo do amigo mais próximo. Nessas rodas discutia-se sobre quando, que horas seria o próximo ensaio, quem poderia ou não comparecer, quando não, isso não era problema, via-se a dama ou o cavalheiro dançando com sua parceira invisível. (Ok, meus olhos se encheram d'água agora ao perceber um sentido forte o bastante pra explicar isso: o amor pela arte. A arte de dizer o que não dá pra traduzir com a fala, e sim com o corpo e toda sua desenvoltura).

     Diante do que presenciei durante os preparativos e execução do evento "Sun City Swing 2013", pra mim, e acredito que para todos, fato é que o espetáculo já se inicia antes mesmo de darmos o primeiro passo na direção da coxia do palco. Não somos banhados por luzes só naquele momento em que saímos da coxia não, já somos iluminados só de pensarmos em construir algo em conjunto.

     Eu poderia acabar o relato aqui, mas eu preciso compartilhar uma sensação que tive na parte final do espetáculo, quando cada grupinho de 3 a 4 pessoas aparecia no palco para cumprimentar o público. Mas não era só aparecer de qualquer jeito, cada grupinho criou sua própria mini-coreografia. Até nisso nossos professores e coreógrafos acertaram em cheio. A ideia de dar autonomia aos alunos, ou melhor, "alumigos", para inventarem seus passinhos em parceria com o amigo do lado é linda demais. Percebi isso ao olhar pro lado, quando já estávamos, eu e mais três parceiras, centralizadas em fila horizontal no meio do palco. Então, comecei a brincadeira do passinho em sincronia com a amiga que ficava na outra ponta da fila, enquanto as duas do meio faziam um passo diferente. (Confesso que olhei pra amiga da outra ponta da fila pra garantir a sincronia do passo, mas me surpreendi ao notar o quanto ela estava linda e todas nós estávamos lindas ali, compartilhando algo que construímos juntas)




sexta-feira, 19 de abril de 2013

O trocador de sorrisos da 03

" Sejam bem-vindos." Foi o que ouvi ao pegar a 03 hoje à noite. Era o trocador, um senhor muito comunicativo com escrachado talento para ser um belo de um locutor de rádio do povão. "Povão" no sentido de gente de verdade, que acorda de madrugada para batalhar num trabalho suado, gente que, mesmo na dificuldade, sabe tratar bem o outro (conhecido ou não), sabe sorrir naturalmente e fazer o outro sorrir junto.

Assim é o trocador da 03 desta noite. Ele fez eu seguir o percurso inteiro com um sorriso bobo no rosto. Foi a viagem mais rápida da história. Sonhei que durasse por mais tempo ou que ele se tornasse o único trocador de topics, dividido em mil clones.

A cada passageiro, ele direciona sua voz forte e carregada de bom humor. Aos que estão de chegada, antes mesmo de passarem pela catraca, o bom cidadão faz questão de já deixar claro que é um prazer tê-los ali presentes.

- Boa noite. Bem-vindos! Boa noite para todos nós!

Então, os passageiros bem-vindos se aproximam da catraca e recebem o boa noite animado de quem provavelmente passou o dia ( a noite) ali, indo e voltando pelo mesmo roteiro de avenidas e ruas, recebendo e trocando moedas e agradecendo muito por isso.

Aí, esses passageiros, contagiados pela gentileza do trocador, resolvem agradecê-lo. E o que ele responde: "- Eu é que agradeço! Pra mim é um prazer!"

Eu estava quietinha, com meu sorriso de boba estampado na cara, sentada próxima a ele. Fiquei de ladinho na cadeira para que eu pudesse observá-lo de frente, já pensando em apresentá-lo como personagem real aqui no três paredes. Pensei bastante antes de chegar na minha parada. Eu pensava em como eu poderia agradecer o tamanho bem-estar que ele deu de presente pra todo mundo ali. Como eu poderia fazer ele tomar conhecimento do bem que me fez.

Como expressar o que senti, eu não soube e ainda não sei, mas aproveitei aquele momento de avisar que "desce na próxima" pra cutucar o braço dele e, quando olhou nos meus olhos, me ouviu dizer:

" Parabéns pelo seu trabalho!"

Eu quis ter dito algo mais bonito, mas ele me pareceu bem feliz e satisfeito com o que ouviu, embora mais uma vez tenha devolvido o elogio que ganhou de volta pra quem o fez.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O feitiço contra a feiticeira

A bobona aqui vai catar as moedas enterradas lá no fundo da bolsa, naquela agonia da espera da topic às dez horas da noite, quando, diante da bagunça de notas fiscais mais moedas mais carteira de estudante mais batom, mais tudo no mundo, ao invés de encontrar 1 real e 10 centavos, dá de cara com a barata de mentirinha que pegou emprestada da amiga pra fazer molecagem com os amigos.

E o legal de tudo é que, antes disso, eu tava borocochô. Depois disso, meu riso frouxo guardado escapuliu.

Parecia uma bobinha-bobona, rindo sozinha e falando quase em voz alta:

 " - Rá! O feitiço vira contra a feiticeira!"

terça-feira, 9 de abril de 2013

Quem não tem colírio, usa óculos.

Semana passada, eu perdi um par de olhos com seu belo par de pernas que se encaixam direitinho nas minhas orelhas. Nem preciso dizer que eu fiquei louca, atônita, tonta, perdida no universo, deslocada, sem saber o que seria de mim, enfim, tudo de ruim da face da terra.

Depois de procurar em todos os possíveis cantos onde eles pudessem estar e não achá-los, me vi sendo um daqueles personagens de desenho animado, que continuam correndo mesmo sem ter mais chão e que no final se dão conta disso, quando já não tem mais jeito. Assim eu pude curtir meu inferno astral naquele dia. Era uma segunda-feira.

Depois de me desesperar, de sair perguntando pra todo mundo do trabalho a respeito do paradeiro dos meus famosos óculos de grau ( se duvidar, até o superintendente já estaria sabendo que eu tinha perdido meus óculos); depois de fazer aquela clássica reconstrução de caminhos, de, pelo o amor de, mandar minha memória reagir, vem o Eberson, sabe o Eberson? Já contei aqui sobre o Eberson, o homem que era invisível! (Se não leu, dá uma lidinha no post: " O Homem invisível") Foi ele que veio com meus óculos nas mãos. E eu lá, já tentando ser uma pessoa melhor, me conformando com a perda. Não teve jeito, abri o maior sorrisão. Agradeci, mas agradeci muito mesmo, e o Eberson só ria de mim. Intrigada, perguntei como ele achou. Disse que passou a vassoura debaixo do sofá e os óculos vieram junto.

Agora todo dia o Eberson "insulta" comigo, perguntando: "Cadê o óculos?" E todo dia eu me dou conta da ironia do destino que foi isso tudo: eu, que não enxergava o carinha da limpeza, perco os óculos e é ele quem os acha e me devolve. Talvez só pra garantir que eu nunca mais deixe de vê-lo ou de ver qualquer outra pessoa.




sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ser feliz assim

Escrever com o coração; publicar; perceber que as pessoas se identificam, e sentir que você não está só nesse mundinho, sentir que você é forte de mãos dadas com muita gente.

Sentir que você é feliz assim.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Do tempo em que.

Tô caminhando de volta pra casa, ao mesmo tempo, tô ouvindo barulhinho de bicicleta descendo a rua.
Tô lembrando do tempo em que eu não tinha medo desse som; do tempo em que eu não via maldade nas pessoas; do tempo em que eu nunca imaginaria o menino na bicicleta vindo na minha direção, pra levar algo (não) valioso de mim.

Do tempo em que eu apenas pensaria em pegar minha bicicleta pra pedalar junto.

segunda-feira, 25 de março de 2013

O homem invisível

Escutei meu nome, Elaine!, claramente pronunciado pela boca de um homem invisível, ou pelo menos até então invisível e até então "um" homem qualquer.

Que homem é este?

Lembra daquele filme "A Mulher Invisível"? Então(!), nada a ver com esta história aqui.

Esse homem é simplesmente o carinha que cuida da limpeza do meu local de trabalho e, sei que é vergonhosa esta confissão, mas o fato é que eu nunca o vi antes, isto é,  antes de ouví-lo dizer meu nome, com pronúncia super correta. Nem minha mãe, que é minha mãe, consegue se dirigir a mim falando meu nome direitinho assim! (Ela sempre chama por uma tal de "Elane", que por acaso sou eu, E-la-i*-ne. Mas não que ela não saiba o nome que deu à própria filha, e sim por talvez achar mais prático me chamar dessa forma.

Voltando ao homem que era invisível pra mim até sexta passada. Tá certo que eu poderia alegar que onde eu trabalho (diversos veículos dentro de uma empresa só) é muito grande pra alguém ter a incrível habilidade de enxergar e decorar os traços físicos, personalidades, os rostos, os nomes ou apelidos, ou o que quer que seja de todas as pessoas que circulam por ali. E mesmo assim, mesmo com essa desculpa, ainda não me sinto confortável com a ideia do homem invisível saber o meu nome e eu não saber o dele; pior ainda: ele ter me enxergado e eu não ter enxergado ele.

Mas, tá! Nunca é tarde. Eis o momento em que eu o enxerguei pela primeira vez.

Eu tinha chegado de manhã muito cedo, pouco mais de uma hora antes do horário do expediente. As luzes estavam apagadas. O meu computador ligado. As portas sempre abertas, afinal, não tem porta nos departamentos. Eu estava quieta e com sono, sentada na minha mesa, procurando ler alguma coisa na internet. Foi então que o homem invisível se projetou na minha frente, segurando suas simples ferramentas de trabalho: balde e vassoura de pano. Olhou pra mim com ar de preocupação e disse:

- Bom dia, Elaine! Vai te atrapalhar, se eu ligar a luz?

Respondi de imediato que não tinha problema algum, mas demorei um tempão pra processar o que tinha acabado de acontecer. "Ele me chamou pelo meu nome! Como ele sabe meu nome?", pensei, surpreendida. No meu silêncio, fiquei mentalizando uma forma de retribuir aquilo. Com impulso, consegui dizer:

- Qual seu nome? Você sabe o meu e eu não sei o seu! (risadinha)

- É que eu ouvi te chamarem aqui, aí eu decorei, entendeu? Eu decoro.

- Ah, sim! Mas qual teu nome?

- Eberson!

- Everson?

- Não, é ÉBerson!

- Ah, tá! Éber-son!

E foi assim que, naquele dia, deixei de lado minha indisposição matinal para bate-papos. O homem, agora visível aos meus olhos, me contou sobre a sorte que foi a equipe da madrugada não ter sofrido nenhum acidente grave por conta do transporte que capotou.

terça-feira, 19 de março de 2013

Meu arranhão,

Depois de muito tempo sem nenhum arranhão em parte alguma do corpo, olha só, olha aqui meu cotovelo! Roxo com casquinha de ferida no meio seguindo em ziguezague. Parece cicatrizar a cada minuto. Parece até que logo, logo vai desaparecer da minha pele. Eu não quero que suma de repente. Eu quero mostrar meu arranhão como quem levanta um troféu pra todo mundo ver.

 Não estou fazendo metáfora. Este não é um texto pra dizer que estou me curando de uma "dor de cotovelo". É apenas pra contar que voltei a ser menina; que voltei a não ter medo de cair, de me esborrachar no chão e levantar em seguida, chorando ou não. Parece até que estou naquela época em que eu calçava os patins pela primeira vez e saía me apoiando na mão do meu melhor amiguinho, até que eu pudesse seguir patinando sozinha, correndo riscos por conta própria.

 O arranhão passou a fazer parte do meu cotovelo esquerdo depois de eu escalar uma garrafa de coca-cola gigante em uma ação promocional na praia. Foi até engraçada a cena: eu, que não consumo refrigerante há anos, por opção e por achar que não é nada legal pra saúde, agarrada a uma garrafa de Coca-Cola, fazendo força pra alcançar o topo, ou melhor, a tampa. Já sentindo arder o cotovelo, a aventura seguinte era descer na tirolesa; moleza, ao menos eu não tive que tirar forças de onde eu já não tinha.

 E assim eu sigo nesses últimos meses, enfrentando medos bobos: indo duas vezes no Calafrio do Beach Park (Insana ainda não, tá?!), - sem fechar os olhos, sem gritar -;  permitindo dois amigos me levantarem até o teto nos ensaios de coreografia, - sem o medo pintado no meu rosto-; escalando refrigerantes que eu não bebo, etc e etc.

 Assim tem sido. E é assim que eu volto a escrever por aqui, sem medo de publicar textos bobinhos, sem medo de tentar tocar o coração de quem me ler.

sábado, 24 de novembro de 2012

Elaine vegetariana versus Sogra

Estou eu, lá no meu cantinho da mesa da cozinha, já pondo a última garfada na boca do prato preparado por mim, trazido de casa e no qual há pouco tinha arroz integral, berinjela, soja com cebola e alho batida no liquidificador com molho de tomate, rodelas de batata, cenoura e beterraba, -os dois últimos generosamente servidos pela sogra-, quando ela me vem com a panela e-nor-me, retira a tampa, sobe aquele cheiro que já não é mais nada familiar, e insulta:

- Ó, olha, olha! Morra de inveja do meu frango!

Fazer o quê? Tive que fingir que olhei pro frango, tadinho, morto ao molho branco. Fingir que o mau cheiro não me incomodou. Tive que ser vegetariana simpática mais uma vez. Todas as vezes, aliás, pra não ficar com fama de "cheia das frescuras."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Se sorrir pra mim,.

Na Bienal Internacional do Livro daqui, do Ceará, tinha um rapaz segurando uma plaquinha branca que "gritava" em letras pretas garrafais, mais ou menos assim:

SE SORRIR PRA MIM AGORA, GANHA UM POEMA.

Que pressão! Não ganhei poema; não queria mesmo! Mas não me entenda mal, acho lindo poema. Apenas achei a condicional desafiante demais "pro meu gosto", como diz minha mãe. Não consegui sorrir pra ele, assim como não consigo sorrir para tantas coisas desse mundo.

Já perdi as contas de quantas vezes observei situações nada risonhas da cidade, e, que tola, sequei a lágrima contida que escapuliu, passando rapidamente as costas da mão nas maças do rosto. Ah, a timidez que dá essa emoção escancarada de uma provável manteiga (melhor margarina) derretida. A mão nervosa, "limpando" a cara, parece ordenar: "Engole o choro, menina!" Que loucura é essa de supor que a compaixão é vergonhosa?

"Que mundo feio!". Eu me envergonho mesmo é de me expressar desse jeito ao final de um papo sério. Pobre mundo, incriminado injustamente. Pobre a gente, que tira a beleza dele.

domingo, 11 de novembro de 2012

Preferencial para gentilezas

Outro dia, eu estava no supermercado e vi o caixa preferencial de bobeira. Levei meu 1kg de maças e duas goiabas até lá, mas logo uma senhora muito bem vestida e maquiada surgiu também com poucas comprinhas, no máximo, dois itens. Claro que cumpri meu dever de respeitar o direito dos mais velhos, ou melhor, dos mais experientes, cedendo a vez que não era minha.

Mas a senhora apenas olhou nos meus olhos e disse:

- Não, querida. Pode passar primeiro.

Eu não achei justa a ideia e abri caminho, pedindo várias vezes que ela tomasse minha frente. Mas a senhora, que podia ser a avó que eu nunca tive, insistiu no "Não, não! Pode ficar!". E passou a buscar uma boa justificativa pra eu não me sentir mal. Nem precisou me observar muito para, diante da minha aparência de 15 anos (mas já quase nos meus 25), tentar adivinhar meu destino:

- Tá indo pro colégio?

Então, dei uma risadinha, achando a situação e aquela senhora muito meiga e gentil. Se ainda havia alguma chance de eu convencê-la de que tinha o direito de passar na minha frente, perdi ao responder:

- Não, não...indo pro trabalho.

Ela parecia satisfeita. Tinha encontrado a grande razão de ceder sua vez. Então, colocou-se no meu lugar, não no sentido de espaço, mas de empatia mesmo:

- Ah! Trabalho? Eu sei como é, minha filha. Eu sei porque eu já trabalhei! Pode passar logo, eu espero, não tem problema.

E só me deu a opção de sorrir e agradecê-la. Saí de lá pensando que ela poderia ser a presença de vó no meu cotidiano. Saí pensando também que o mundo não está perdido.

sábado, 20 de outubro de 2012

Tudo termina bem (num mundo inventado)

Enquanto tomava café, vidrada na tv que alguém ligou na cozinha, passando TV Globinho, vejo desenhos mostrando para os pequenos o medo dos porquinhos de ir pra panela (episódio da versão em desenho do Sítio do Picapau Amarelo). 

Logo em seguida, desenho da "Mônica" sozinha em casa, morrendo de fome, preparando mingau, e o gatinho aterrorizado fugindo pela casa, achando que ela ia jogá-lo na panela com água fervente. 

Mas, claro, tudo terminou bem! Ninguém tinha intenção de transformar os bichinhos em comida. 

Acho que o escritor é vegano. (:

sábado, 13 de outubro de 2012

- Tô triste!

O que fazer quando uma criança chega pra você e desabafa:
- "Tô triste"
- Mas por quê?
- "Meu pai esqueceu de trazer o 'vídeo game' " !
- Ah, pera aí...Aqui oh, joga o joguinho do meu celular (dos mais pebinhas)
E lá estava o pequeno sentadinho na cadeira, todo entretido com um joguinho de carrinho dos mais simples.

E eu fico pensando: ah, se tristeza de gente grande fosse fácil de resolver (acabar) assim!

domingo, 23 de setembro de 2012

Eu virei aquele menininho da propaganda em que ele dizia:

- Mamãe, mamãe, eu quero brócolis!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O que é fofo

Pois bem, o que eu acho bonitinho; sem bem que bonitinho não, já que dizem que é apelido de feio. O que eu acho fofo, pronto!

Fofo é receber uma ligação da minha mãe, enquanto estou concentrada no trabalho, analisando o que mostra a tela do computador, e ouvir ela assim:

- Oi, Filha. Vai chegar tarde hoje da aula? Quer que eu prepare uma sopinha?

Eu: - Oww...Hum, não vai por Knorr de galinha não, né?

Ela: - Não, não, o de legumes! (Aquela mãe já preparada para conviver com os "estranhos" hábitos alimentares da filha)

Eu: - Oww..Brigada, Mãe!

Cheguei às 22 horas em casa e corri pro notebook pra escrever aqui no blog, claro que com a sopa na cabeça e, principalmente, com a lembrança da ligação fofa. Então, meu pai aparece no meu quarto e dá um aviso importante:

 - Tem sopa vegana, Filha! Vou dormir. Boa noite!
( Tão lindo, falando "sopa vegana"! E pensar que, meses atrás, ele franzia a testa enquanto me ouvia falar sobre veganismo)

A sopa estava uma delícia, e eu sou nada sem esses dois.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Quem disse que não pode sair por aí amando todo mundo?

Já sentiu o coração ocupando mais espaço do seu corpo? Assim, muito além do peito ou do que chamam de espírito. Assim, descompassado mesmo!

Ah, e todos teriam mais razões pra viver. A gente experimentando distribuir amor, compreendendo que não há exagero nem exclusividade nesse sentimento do peito, da cabeça, das pernas, dos braços, - porque o amor não fica só ali, concentrado na área onde bate o coração-. Porque ele tende a se espalhar, dirigindo-se de quem o sente a um outro corpo, a uma outra alma. Melhor: a uma porção de corpos, a uma porção de almas.

E se isso é tão bom, e se isso nos faz tão bem, por que a gente não diz pra qualquer um, para um estranho mesmo:

- Ei! Eu te amo, sabia?

Será que nos mandariam para um manicômio? Ou nos chamariam de "Jesus"? Ou mesmo de impostor?

Quem disse que não podia? Quem disse que não pode sair por aí amando todo o mundo?

sábado, 1 de setembro de 2012

Por que só agora?

E eu me pergunto.
Aliás, lanço a pergunta pra ela, pra minha amiga Natália:

- Poxa, por que a gente não consegue descobrir logo a maldade que tem por trás das coisas? Por que só vim descobrir ou abrir mais meus olhos só agora?
(sobre a crueldade dos humanos com os animais)

E a resposta de uma pessoa linda só poderia ser:

- Isso tem a ver com maturidade, eu acho; tem a ver com visão de mundo, quando a gente deixa de pensar só na gente pra pensar no mundo e nos outros!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Uma mudança assim, meio light

Sim, as pessoas mudam, e eu mudei.

Claro que muitas coisas permaneceram, como o meu apego por este blog e o meu prazer de ler e escrever. Não troquei de amigos, nem de família, nem de namorado. Não renovei meu guarda-roupa. Não mudei de profissão.

Só mudei os cardápios. Os cardápios por aí não me dão muita opção, mas eu me dou a opção de não comer mais bichinhos, nem o que deriva deles. Então, eu procuro cantos especializados. Eu faço o meu próprio jantar. Só lamento por minha mãe, que, vez ou outra, fica toda saudosista:

- Ah, ela adorava as minhas comidas!


E aí que eu não tomo mais leite de vaquinhas "felizes" de propaganda (nem de canto nenhum), não como mais farofa de ovos. Eu tô assim, "0% Lactose 0% Colesterol".

Eu deixei de ser aquela que morria pela boca; aquela magra que pensa como gorda.

Eu agora, mais do que nunca, sou do contra.

Contra sofrimento dos bichos, que pra mim são que nem gente: sentem medo, dor, frio, calor (Vegetal não tem sistema nervoso pra sentir essas coisas); contra impacto ambiental, etc e tal.

Eu sou a favor da saúde do planeta e de toda e qualquer espécie que habita nele. Eu acredito que bicho tem seus direitos.

Parece que agora já tenho mais ou menos uma ideia do que significa "você é o que come".

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Minha Religião?

Tem coisa mais bonita do que entender as razões do outro e isso resultar numa reconciliação entre pessoas incrivelmente conectadas, entre amigos(as) de verdade?

Eu não consigo não chorar de alegria com isso. Eu não consigo não ver o tal de "Deus" nisso. Essa é minha religião: a do amor, primeiro pelo outro, pra depois por mim mesma.

:)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Quando a saudade

Quando a saudade do meu blog "3 paredes" aperta,
quando a saudade de escrever sobre coisas bobas da vida vem.
Ah, saudade!